"Foi uma fatalidade", diz pai de aluno com traumatismo após agressão em Floresta
Vítima de 11 anos segue internada com coágulo; família do agressor, de 14 anos, vive angústia e arrependimento
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Um soco, um segundo de impulsividade e duas famílias marcadas. O desentendimento ocorrido na última segunda-feira (06), na Escola Municipal Deputado Audomar Ferraz, em Floresta, Sertão de Pernambuco, ganhou novos contornos nesta quinta-feira (9).
O menino de 11 anos, agredido por um colega de 14 (e não 15, como vinha sendo divulgado), segue internado no Hospital da Restauração (HR), no Recife. O diagnóstico é de traumatismo craniano com a formação de um pequeno coágulo de ar. O município fica a cerca de 439 km de distância de Recife, no solo sertanejo de Itaparica.
Entre o leito e o perdão
Apesar da gravidade da lesão, a criança está consciente e andando. Ele não falou, ainda, sobre o que aconteceu, sobre o momento da agressão. No hospital, o pai foca apenas na recuperação do filho e carrega um olhar que atravessa a dor.
“Querendo ou não, acredito que foi uma fatalidade. Fico compadecido com a outra família, porque ele, o agressor, também é uma criança. Meu filho está consciente, não está entubado e tenho fé em Deus que vai voltar para casa Pai da vítima,
Fora dos corredores do hospital, as duas famílias já se falaram por telefone, unidas por um fio invisível de tragédia. Ainda não se sabe a qual ato infracional o menino de 14 anos vai responder diante da justiça.
O peso do arrependimento
Do outro lado da história, segundo apuração com outras pessoas da cidade, que pediram reserva no nome, o adolescente de 14 anos mergulhou em um abismo particular. Pelos relatos ouvidos pela reportagem, a agressão não foi premeditada, não teve o nível de outras que vem ocorrendo entre adolescentes. O garoto de 14 anos não tem histórico de violência.
Filho de mãe solo e de poucos recursos, o jovem não consegue comer e vive o temor do futuro. O arrependimento é o prato vazio na mesa da família, que agora lida com o peso de um ato infracional.
O Conselho Tutelar informou que, durante o ocorrido, acionou o Ministério Público, a Delegacia de Floresta e o Centro de Referência Especializado de Assistência Social, que prestará assistência a ambos os envolvidos, tentando costurar as feridas emocionais que a medicina não alcança. "Fizemos os encaminhamentos às autoridades competentes", disse.
Atuação das autoridades
Segundo relatos iniciais do HR, o menino teve tonturas e vômitos que evoluíram para cefaleia severa. Só após exames complexos na capital a fratura foi confirmada pelo pai.
A Polícia Civil de Pernambuco, por meio da Delegacia de Floresta, confirmou que as diligências estão em andamento em conjunto com os órgãos de proteção. O caso segue sob investigação.
A importância da responsabilidade
Apesar da fala emocionante dita pelo pelo pai da vítima, as autoridades reforçam que a responsabilização pelo ato é uma etapa indispensável. Responder legalmente pelo ocorrido é o que garante ao adolescente a compreensão da gravidade do fato e a oportunidade de correção de rumo.
Um alerta necessário
O episódio na EREF Mun. Dep. Audomar Ferraz serve como um alerta para pais, educadores e a sociedade civil. Um instante de impulsividade foi suficiente para deixar uma criança em um leito de hospital e um adolescente mergulhado no remorso. Casos de violência escolar podem interromper dois futuros de uma só vez.
Confira a nota da escola divulgada no último dia 7:
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