Defesa Civil de Pombos nega dados oficiais de 2,5 mil desalojados após chuvas
Após decreto de emergência, coordenador afirma que município não enviou documento com dados divulgados pelo Estado
Siga o Tribuna Online no Google
A situação de emergência em Pombos, um dos 27 municípios pernambucanos sob decreto estadual após as chuvas, ganhou um novo capítulo. Embora o balanço do Governo do Estado tenha apontado cerca de 2,5 mil pessoas desalojadas e 45 desabrigadas, a gestão municipal negou ter oficializado tais registros, dizendo que houve falha de comunicação.
Em entrevista ao portal g1 pe, o coordenador da Defesa Civil de Pombos, Aglailson Lino, afirmou que informou ao Estado, ainda no sábado (3), que a cidade não possuía desabrigados ou desalojados no momento.
"Se especulou muito a questão de desabrigados, que não houve nenhum, e nem desalojados. Portanto, a comunicação interna entre a Defesa Civil municipal e o estado não foi documento oficial que publicamos e nem pedimos que ninguém publicasse", declarou o coordenador.
Falha na comunicação
O impasse ocorre porque, enquanto o município sustenta a inexistência de pessoas desalojadas, o balanço estadual de domingo (3) ainda contabilizava 45 desabrigados na cidade. O tema virou polêmica na Câmara de Vereadores da cidade nesta última quarta-feira (6).
A presidente da Comissão de Educação, Saúde e Assistência, Lucinha da Maternidade (União Brasil), chegou a protocolar um pedido de informações sobre os dados divulgados de Pombos, um número que representava cerca de 10% da população afastada de sua casa ou em abrigos.
Na prática, a diferença entre os termos é fundamental para a gestão de recursos: desabrigados são aqueles que dependem de abrigos públicos, enquanto desalojados conseguem refúgio em casas de parentes. Em Pombos, a realidade corrigida pela Defesa Civil foca no dano estrutural e não no humano.
Prejuízo na infraestrutura rural e escoamento da safra
Apesar da polêmica sobre o número de pessoas, a Defesa Civil garante que o rastro de destruição física é concreto, com 14 pontes danificadas ou totalmente destruídas. O foco da prefeitura agora é o recebimento de recursos federais e do benefício eventual emergencial de R$ 24 mil, repassado pelo governo estadual.
A preocupação maior reside na zona rural, onde mais de mil chamados foram registrados. "Uma situação de anormalidade como essa compromete toda a infraestrutura do município, comprometendo a safra, a escoação agrícola, que aqui a gente vive uma cidade totalmente agrícola e isso faz com que a gente sacrifique muito o agricultor", destacou Aglailson Lino.
O prefeito de Pombos, Elias Meu Fii (MDB), não se pronunciou sobre o assunto. Ele postou vários vídeos nos stories de seu instagram mostrando o volume de águas na cidade e pedidos de agradecimento da população por soluções ágeis durante a assistência aos moradores.
Comentários