Casal que morreu em desabamento no Pilar recorreu à Justiça para não sair do imóvel
Outra vítimam que ficou ferida, já recebia auxílio-moradia, mas permanecia no casarão por resistência
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Com informações de Luciana Queiroz
O desabamento que vitimou um casal na Comunidade do Pilar, no Bairro do Recife, ocorreu enquanto a prefeitura estava impedida judicialmente de realizar a desocupação do imóvel e demolição. Segundo o secretário-executivo de Defesa Civil, coronel Cássio Sinomar, a gestão municipal buscou a retirada das famílias, mas um recurso judicial (agravo de instrumento) movido pelos próprios ocupantes suspendeu a decisão.
"Houve toda uma atuação administrativa para a retirada dessas pessoas. A gente utilizou o aparato necessário, notificação e poder de polícia, contudo, não obtivemos êxito", explicou Sinomar. Com a liminar suspensa "até segunda ordem", segundo ele, a Defesa Civil ficou limitada ao monitoramento, trabalho de sensibilização e oferta de abrigos, uma vez que todos presentes ali estavam em situação de vulnerabilidade social.
Ainda de acordo com o secretário, muitos moradores do local não queriam sair ou ir para abrigos por sua relação com o lugar ou não queriam (no de mudança para abrigos, ficar sem sair à noite).
Vítimas e resistência no Pilar
As vítimas fatais foram identificadas como Simone Maria de Oliveira, 56 anos, e seu marido, Fabiano Lourenço de Araújo, 45. De acordo com o secretário, os dois estão entre as pessoas que recorreram à Justiça para que o local não fosse demolido e interditado. Ainda segundo o secretário, uma outra pesssoa ferida no desabamento já era beneficiária de auxílio-moradia, mas permanecia no local por opção própria.
Indagado se as pessoas sabiam que o local estava irregular e arriscado, o secretário respondeu: “sim, as pessoas sabiam, as pessoas do casal que faleceu. Infelizmente, são pessoas que entraram com recurso também, para que fosse revertida essa decisão (...) A gente também tem uma das pessoas que foi atingida, que foi vítima, mas não fatal, que também está num auxílio-moradia, então, pode alugar em qualquer outro local”.
Na manhã desta terça-feira (7), o cenário no Pilar era de entulho e tristeza. Enquanto bombeiros resgatavam uma cadela viva dos escombros, alguns moradores fizeram um pequeno protesto em frente à Prefeitura do Recife, cobrando assistência após a interdição de 17 imóveis vizinhos ao desabamento. Nos cartazes, a crítica era principalmente o valor do auxílio-moradia, de R$ 300.
“No momento, a gente tem aqui 17 imóveis, são 10 na parte interna e 7 na parte externa; a gente precisa que essas pessoas se desloquem. Então, o trabalho está sendo intenso de mobilização”.
Recife em estágio de Alerta
A tragédia ocorre em meio ao estágio de alerta declarado pelo Centro de Operações do Recife (COP). Com chuvas de 70mm concentradas em apenas seis horas, as aulas da rede municipal foram suspensas nesta manhã.
Sidclei de Oliveira, o homem de 29 anos resgatado dos escombros foi transferido saiu do HR para o Hospital Alfa. Ana Carolina da Silva, 31, anos que segue internada no Hospital da Restauração.
Segundo a Defesa Civil, em meio ao Alerta Vermelho, o Centro do Recife tem 136 imóveis em risco alto de desabamento e a orientação é a de que os moradores deixem os imóveis e liguem para 0800.081.3400.
Veja nota do HR na íntegra
"O Hospital da Restauração (HR) Gov. Paulo Guerra informa que a mulher, de 31 anos, passou por procedimento cirúrgico para fixar uma fratura na perna esquerda e permanece internada com quadro de saúde estável. O homem, 29, foi transferido para outra unidade de saúde".
Veja entrevista do secretário na íntegra para o JT1, com a presença dos repórteres Luciana Queiroz e Elias Valadares, ambos da TV Tribuna
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