Alunas de 14 anos denunciam abuso sexual em escola no Cabo
Oito estudantes mais velhos que as vítimas estariam envolvidos no crime
A Polícia Civil de Pernambuco apura dois casos de violência sexual que teriam ocorrido dentro de uma escola no Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife. Os suspeitos são oito alunos da instituição, apontados como responsáveis por abusar sexualmente de duas estudantes, ambas de 14 anos.
O primeiro caso
Um dos episódios aconteceu na última segunda-feira (3), mas a vítima só contou o que havia acontecido à mãe no dia seguinte. Segundo o relato da adolescente, ela optou por almoçar dentro da sala de aula quando cinco alunos entraram no local, apagaram as luzes e cometeram o abuso. Eles teriam tapado a boca da menina e feito ameaças verbais enquanto a apalpavam e tentavam tirar suas roupas.
Em entrevista à TV Tribuna, a mãe da adolescente contou que, no dia do crime, a filha chegou em casa e passou horas trancada no banheiro, dizendo sentir dores mas sem revelar o motivo. Só na terça-feira (5) a menina enviou uma mensagem contando os detalhes do que havia sofrido. Segundo a mãe, colegas que tentaram ajudar a vítima também passaram a ser ameaçados pelos suspeitos.
A mãe relata ainda que a filha não consegue comer, dormir ou realizar tarefas do dia a dia com tranquilidade, e que vive com medo por causa das ameaças.
Segunda vítima relata caso ocorrido um mês antes
A denúncia da primeira adolescente encorajou uma segunda menina, também de 14 anos, a revelar que havia passado por situação semelhante um mês antes, na mesma escola. Ao saber o que havia acontecido com a colega, ela chegou em casa chorando e contou tudo à mãe, também assustada com as ameaças dos suspeitos.
Em conversa com a gestora da escola, a mãe dessa segunda vítima afirma ter ouvido que os envolvidos trataram o episódio "como uma brincadeira". "A minha filha está abalada, está com medo, eu também estou em choque. Era uma escola que era pra dar apoio, segurança, e não tem", disse a mãe.
As duas famílias questionam a falta de atenção da gestão escolar diante dos casos e pedem justiça.
Ações judiciais e falta de câmeras na escola
A advogada das duas famílias, Luane Porto, informa que as adolescentes registraram denúncias formais em uma Delegacia da Mulher e passaram por exames de corpo de delito no Instituto de Medicina Legal (IML), para dar suporte às investigações. De acordo com ela, os dois casos são enquadrados como estupro pela legislação.
Segundo a defesa, a escola chegou a procurar a família de uma das vítimas para pedir a retirada da denúncia e de qualquer publicação nas redes sociais sobre o caso, sob a justificativa de que poderia "ficar feio" para as próprias meninas.
No processo, as famílias pedem a suspensão dos alunos envolvidos e prioridade na matrícula das vítimas em uma nova escola.
A advogada e uma das mães afirmam ainda que a instituição não possui câmeras de segurança capazes de registrar a chegada dos acusados ao local ou auxiliar na identificação deles. Luane Porto lembra que chegou a existir uma proposta de lei para instalar câmeras nas escolas do município, mas que teria sido vetada.
Pronunciamentos oficiais
Em nota, a Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho, por meio da Secretaria Municipal de Educação, informou que está prestando apoio jurídico e psicológico às vítimas e às famílias, e que um processo administrativo será instaurado para apurar os fatos.
"O caso está sendo acompanhado em articulação com o Ministério Público, o Conselho Tutelar e as demais autoridades responsáveis pela investigação [...] Todas as medidas administrativas, pedagógicas e legais continuarão sendo adotadas para assegurar a proteção dos estudantes e o pleno esclarecimento dos fatos", afirma a gestão municipal.
Agentes da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) foram acionados na última quarta-feira (5) para atender à denúncia. A equipe foi até a escola e conversou com a diretora, mas não conduziu nenhum suspeito por não haver flagrante.
O caso segue agora sob investigação da Polícia Civil. Por envolver menores de idade, detalhes da apuração não devem ser divulgados.
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