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Não é amor. É força mesmo!
Claudia Matarazzo
Claudia Matarazzo

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Não é amor. É força mesmo!

Estão me cobrando um comentário sobre a deserção do casal Harry e Meghan da Corte inglesa – e da Inglaterra –, perpetrando seu próprio Brexit. Andei ouvindo as opiniões nesta ou naquela roda de conversa – da fila do banco ao cabeleireiro, terminando pelas amigas de minha mãe, que acharam a atitude de ambos “desrespeitosa”, segundo elas.
Ok, há quem ache que isso é coisa de gente mimada: como querer trocar aquele país de primeiro mundo e a família real mais influente do planeta por uma vida de plebeu, arcando com as contas do dia a dia?

Amor – Os mais românticos acreditam que é por amor. E comparam o casamento do príncipe Harry com a americana Meghan com o do tio-bisavô dele, Eduardo VIII, irmão do pai da rainha Elizabeth II, que se casou com a americana Wallis Simpson, sendo obrigado a renunciar à coroa.

Ora, o casamento do rei Eduardo foi por amor.
A sua renúncia, nem tanto: ele foi convidado a se afastar do trono por conta de suas perigosas relações com o nazismo, que assombrava o mundo. Sua relação com Wallis foi o pretexto ideal.

Harry, com seu sexto lugar na linha de sucessão, não precisaria renunciar a nada – poderia viver na Corte, onde nasceu, até o fim dos seus dias.

Liberdade – Há quem diga que a vida de príncipes é um tédio só – daí, a decisão.
Bem, a vida dos herdeiros é mesmo uma prisão perfumada, cheia de compromissos, com a enorme vantagem de não se preocupar com abrir portas e pagar contas.

Jovens, dinâmicos e sem o compromisso do sucessor, eles têm mais o que fazer do que obedecer ao protocolo, como William e sua mulher Kate.
Siga o dinheiro – Me perdoem os românticos, mas a decisão de Harry e Meghan se deve, principalmente, ao fato de serem independentes financeiramente.

Sem o compromisso de herdeiro de seu irmão William, e com uma bela herança já em sua conta, o jovem príncipe ainda tem a vantagem de que sua mulher é muito rica – já que, por vaaaarios anos, ganhou salário de estrela de TV americana (e não europeia).

Juntos, não precisarão trabalhar para se sustentar, “abrindo mão do salário pago aos membros atuantes da família” real, como declararam.
Estão com a vida ganha por, pelo menos, duas gerações – se tiverem juízo. E isso parece que eles têm. Ou melhor, Meghan Markle tem. Repararam na força da moça?
Lembram que, no auge da fofoca e especulação de sua vida passada, nada, nadica saiu sobre o seu ex-marido?
Ele também deu declarações, o que diz muito sobre o caráter de ambos – e olha que foram casados por vários longos anos...

Assim, na hora em que começou a lhe doer o calo, ela preferiu cortar o mal pela raiz: fez a cabeça do amado, e se mandou.

Essa conversa é para dizer que, enquanto todo mundo se espanta com o príncipe que casou com a plebeia, ninguém ainda se deu conta de que, plebeia ou não, é ela, a mulher da casa, que está salvando o príncipe de seu destino chatíssimo.

Também não observam que a outra mulher da casa, Elizabeth II, com mais de 90 anos, é quem deu o ok real, sem o qual ele não poderia se afastar de fato (pelo menos não poderia de uma forma elegante para todos).

Não é a coroa britânica que evoluiu, mas o mundo: em meio a tantas opressões do dia a dia mundo afora, as mulheres resistem e, de repente, aparece uma, nascida na contramão de toda essa realeza, e emerge com um exemplo de vida e resiliência que dá gosto de assistir! E isso não é amor, é força mesmo!


 

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