Quase meio milhão de pessoas protestam na França neste sábado, diz organizadores
Protestos começaram com mobilizações de estudantes do ensino médio contra a queda da qualidade do ensino e a deterioração das escolas
Quase 500 mil pessoas participaram de manifestações neste sábado (31) em toda a França, incluindo 200 mil em Paris, segundo uma coalizão de organizações juvenis e sindicatos que representam estudantes do ensino médio e universitários.
O Ministério do Interior francês e a polícia local, por sua vez, estimaram o número em cerca de 320 mil pelo país, sendo 70 mil na capital francesa. As forças policiais prenderam mais de 290 pessoas, segundo o governo.
Os protestos começaram com mobilizações de estudantes do ensino médio contra a queda da qualidade do ensino e a deterioração das escolas, mas se ampliaram e passaram a refletir a insatisfação com a alta dos preços e a piora dos serviços públicos.
As manifestações deste sábado transcorreram, de modo geral, de forma pacífica, mas houve confrontos em várias cidades da França —como Toulouse (sudoeste), Marselha (sudeste) e até mesmo em Paris, ao final da marcha—, conforme constataram vários jornalistas da agência AFP.
Segundo o Ministério do Interior, os protestos "ocorreram, em grande parte, dentro do escopo das manifestações declaradas", mas "elementos radicais" tentaram, em várias cidades (Bordeaux, Toulouse, Rennes, Lille, Nantes, Marselha, Lyon, por exemplo), ao final da manifestação, entrar nos centros urbanos para "cometer atos de vandalismo e saques".
O governo francês já havia mobilizado 70 mil militares para este sábado, uma vez que, segundo as autoridades, as manifestações teriam alto risco diante da possibilidade de episódios de violência e saques. Houve preocupação também com o uso de máscaras para ocultar a identidade de envolvidos em distúrbios, algo registrado nos protestos deste sábado, ainda que não pela maioria das pessoas.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, chegou a afirmar, antes dos protestos, que o país teria um "dispositivo de segurança excepcional" e alertou para chances "muito elevadas de perturbações da ordem pública". Segundo ele, autoridades identificaram nas redes sociais diversos chamados para atos violentos, que são atribuídos a grupos da esquerda radical e ao movimento dos Coletes Amarelos, símbolo da revolta contra as políticas do governo.
Após os atos, Nuñez afirmou que as passeatas transcorreram bem, apesar da violência de grupos de vândalos, que classificou como sem precedentes.
Ainda no início deste sábado, duas organizações estudantis convocaram os estudantes a bloquear escolas de ensino médio e universidades na terça e na quinta-feira, exigindo que o governo reforme o sistema educacional e melhore as condições de aprendizado.
"Bloquearemos nossas universidades e escolas de ensino médio, antes de nos juntarmos à manifestação de 5 de novembro, convocada por trabalhadores e sindicatos", disse Sabrine Kharbach, porta-voz da Union Étudiante.
Os protestos ocorrem em um momento de dificuldades econômicas para a França. O Produto Interno Bruto do país recuou 0,1% no terceiro trimestre, contrariando a expectativa de crescimento de 0,1% de analistas consultados pela agência Reuters.
Em paralelo aos atos franceses, dezenas de milhares de pessoas participaram de protestos em toda a Alemanha, integrando um movimento liderado por jovens que foi às ruas para exigir uma educação melhor e um custo de vida mais baixo.
Os protestos em ambos os países fazem parte de uma onda de manifestações lideradas pela geração Z por toda a Europa este ano. Na Sérvia, o ativismo liderado por estudantes ajudou a tirar do poder, por meio das urnas, o líder que governava o país há muito tempo; na França, por outro lado, os protestos resultaram em distúrbios e saques.
As manifestações na Alemanha, organizadas pelo grupo "Gen Z regelt" (Geração Z assume o comando, em tradução livre), foram planejadas em 34 cidades, incluindo Berlim, Frankfurt e Munique. O grupo afirma ser contra o serviço militar obrigatório e defende um maior investimento na educação, em um momento em que muitos jovens alemães enfrentam dificuldades devido ao aumento do custo de vida.
Dados oficiais divulgados na tarde de sábado indicaram que o número de participantes ficou abaixo dos 182 mil esperados inicialmente pelos organizadores. A polícia de Frankfurt, Munique e Berlim estimou a presença de cerca de 18 mil manifestantes —metade dos aproximadamente 36 mil mencionados no site dos organizadores.
As autoridades alemãs informaram que as manifestações de sábado —que coincidiram com as festividades de Halloween— transcorreram, em sua maior parte, de forma pacífica, mas alertaram para tentativas de grupos extremistas de explorar o movimento.
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