Promessa de Trump custaria mais de US$ 1 trilhão e exigiria aprovação do Congresso
Trump prometeu US$ 5 mil a cada adulto se os republicanos vencerem, em proposta de mais de US$ 1 trilhão que exige aprovação do Congresso.
A promessa do presidente dos EUA Donald Trump de pagar US$ 5 mil a cada adulto americano caso o partido Republicano obtenha maioria nas eleições de meio de mandato custaria mais de US$ 1 trilhão aos cofres públicos americanos e agravaria ainda mais o déficit orçamentário anual do país, que se aproxima da marca de US$ 1,8 trilhão.
A contrapartida para reverter a queda na popularidade do partido foi anunciada pelo mandatário na noite de quarta-feira, dia 9, durante a convenção republicana. O pagamento exigiria aprovação do Congresso e acentuaria as preocupações com a inflação.
"Se os republicanos vencerem, vocês vencem também e recebem US$ 5 mil", disse. Trump comparou os pagamentos às distribuições de uma empresa aos acionistas, citando "nossa tremenda força e sucesso econômico".
Menos de uma hora depois, o vice-presidente JD Vance pareceu tentar amenizar a proposta de Trump - pelo menos em parte -, sugerindo que os pagamentos de dividendos não seriam destinados aos ricos. Vance sugeriu que o pagamento poderia ser custeado pelas receitas das tarifas dos EUA, embora o valor sugerido seja muito superior ao que os EUA arrecadaram por meio das medidas protecionistas.
A Casa Branca não respondeu a uma mensagem solicitando mais detalhes.
O Congresso precisaria aprovar ou, de alguma forma, consentir com o pagamento. O valor excederia em muito as receitas tarifárias dos EUA, mesmo antes de a Suprema Corte ter anulado grande parte do programa tarifário do presidente no ano passado.
No mês passado, a dívida nacional dos EUA ultrapassou US$ 40 trilhões pela primeira vez.
Trump tem frequentemente lamentado que, na era moderna, o partido do presidente quase sempre perde cadeiras no Congresso nas eleições de meio de mandato, e tem buscado maneiras pouco ortodoxas de contrariar essa tendência, incluindo a convenção desta semana.
"Vamos mudar isso", disse Trump. "Não há motivo para isso."
Marc Goldwein, diretor sênior de políticas do Comitê para um Orçamento Federal Responsável, um centro de estudos em Washington, disse que Trump não tem autoridade para enviar dinheiro aos americanos sem a aprovação do Congresso.
Goldwein acrescentou que dividendos são algo que as empresas pagam quando há superávit, mas os EUA estão registrando déficits anuais de US$ 2 trilhões e têm uma dívida de US$ 40 trilhões.
"A ideia de que tivemos sucesso fiscal é equivocada e beira o ridículo", disse ele. "Não temos superávits para distribuir."
A iniciativa lembrou os esforços do bilionário Elon Musk para comprar votos na disputa pelo Supremo Tribunal estadual de Wisconsin no ano passado, quando ele distribuiu cheques de um milhão de dólares aos eleitores para tentar impulsionar um candidato que acabou perdendo.
Trump já havia discutido essa possibilidade antes, mas nunca a vinculou ao desempenho eleitoral de seu partido. No início deste ano, ele propôs um dividendo de US$ 2.000 e disse que não achava necessário obter a aprovação do Congresso.
No ano passado, Trump entregou aos membros das Forças Armadas um cheque de US$ 1.776 que chamou de "dividendo do guerreiro".
"Vou preparar um projeto de lei para que possamos aprovar o Dividendo Trump imediatamente após a eleição de 3 de novembro", escreveu o senador republicano Bernie Moreno, de Ohio, no X na noite de quarta-feira. "Porque os republicanos (e os Estados Unidos) vão vencer!"
Um cheque de US$ 5.000 daria a cada americano mais dinheiro do que receberam em pagamentos diretos do governo por meio das medidas de auxílio contra a Covid-19 durante o primeiro mandato de Trump.
A proposta de Trump seria legal porque o pagamento seria destinado a todos, independentemente de como votaram ou se votaram ou não, disse o advogado John Day, do Novo México.
"Esta é uma promessa de campanha", disse Day. "Não se trata de um pagamento a indivíduos para tentar fazê-los votar de uma determinada maneira."
Os republicanos estão na defensiva, enquanto tentam proteger sua estreita maioria na Câmara diante de fortes ventos contrários. Trump é impopular, e os americanos se opõem de forma esmagadora à guerra no Irã. Até mesmo o Senado, que os republicanos antes estavam bem posicionados para manter, está em jogo.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários