Irã diz que pode suspender ataques a países vizinhos, mas mantém retaliação
Em seu discurso transmitido na TV estatal, Pezeshkian havia afirmado também que seu país não se renderia aos EUA nem a Israel.
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O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou neste sábado (7) que o conselho de liderança provisório criado após a morte de Ali Khamenei suspendeu ataques a países do Golfo, mas recuou enquanto bombardeios continuavam sendo registrados na região.
"Peço desculpas pessoalmente aos países vizinhos que foram afetados pelas ações do Irã", disse em um primeiro momento o político, em referência à retaliação de Teerã contra nações que abrigam bases americanas após os ataques conjuntos de Israel e Estados Unidos.
Ao longo do dia, porém, ele foi contrariado por diversos atores políticos de seu país. O Exército iraniano, por exemplo, afirmou que continuará atacando alvos militares dos EUA e de Israel em toda a região -a Guarda Revolucionária, aliás, disse ter feito neste sábado um ataque com drones contra a base aérea de Al Dhafra, nos Emirados Árabes Unidos.
"Após as declarações do presidente, as Forças Armadas declaram mais uma vez que respeitam a soberania nacional dos países vizinhos e que não realizaram nenhuma agressão contra eles", afirmou o comunicado. Mas, "caso as ações hostis anteriores continuem, todas as bases e interesses militares" dos EUA e de Israel "em terra, mar e ar" em toda a região serão os "alvos principais", continua.
Já um membro do Conselho de Liderança do Irã afirmou que há evidências do Exército que mostram que alguns países da região foram usados secretamente em ataques contra o Irã, segundo a imprensa estatal.
Por fim, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou na rede social X que "enquanto a presença de bases americanas na região persistir, os países não desfrutarão de paz". "Autoridades e povo iranianos estão unidos em torno desse princípio", concluiu.
Em seu discurso transmitido na TV estatal, Pezeshkian havia afirmado também que seu país não se renderia aos EUA nem a Israel. "Os inimigos levarão para o túmulo o desejo de que o povo iraniano se renda", disse.
O presidente dos EUA, Donald Trump comentou as declarações em sua plataforma, a Truth Social, antes das repercussões. "Essa promessa só foi feita por causa do implacável ataque dos EUA e de Israel. Eles buscavam dominar e governar o Oriente Médio", afirmou.
Na véspera, o republicano havia exigido a "rendição incondicional" do país persa e negou qualquer possibilidade de acordo.
Em sua declaração neste sábado, o presidente americano afirmou que o Irã será atingido com "muita força". "Estão sob séria consideração para destruição completa e morte certa, por causa do mau comportamento do Irã, áreas e grupos de pessoas que não eram considerados como alvos até este momento", disse Trump em sua plataforma, a Truth Social.
De acordo com o republicano, 42 navios iranianos foram destruídos em três dias, e o ministro das Relações Exteriores do país persa, Abbas Araqchi, acusou Washington de atacar uma usina de dessalinização na ilha de Qeshm, no sul do Irã.
"O abastecimento de água em 30 localidades foi afetado. Atacar a infraestrutura do Irã é uma ação perigosa, com graves consequências. Os Estados Unidos estabeleceram o precedente, não o Irã."
Os comentários de Pezeshkian não parecem ser um indicativo de que o Irã decidiu reduzir os ataques em nome da futura relação com os vizinhos do Golfo.
O próprio presidente iraniano negou posteriormente, em uma publicação na rede social X, que tenha atacado "países amigos e vizinhos", mas "bases, instalações e estruturas militares americanas na região". "As operações defensivas do Irã são direcionadas exclusivamente contra alvos e instalações que são a fonte e a origem de ações agressivas contra a nação iraniana, e os consideramos nossos alvos legítimos", afirmou.
De acordo com a mídia iraniana, a Guarda Revolucionária atingiu também um petroleiro com bandeira das Ilhas Marshall no estreito de Hormuz neste sábado. Por outro lado, a onda de ataques israelenses antes do amanhecer deste sábado foi uma das mais intensas desde o início da guerra.
Os alvos incluíram uma academia militar, um centro de comando subterrâneo, um depósito de mísseis e o Aeroporto Internacional de Mehrabad, um dos dois terminais aéreos de Teerã. Tel Aviv afirma ter atacado 16 aeronaves da Guarda Revolucionária no local.
Simultaneamente, o Estado judeu bombardeou diversos alvos do Hezbollah no sul e leste do Líbano. A milícia pró-Irã afirmou ter repelido uma incursão israelense perto da fronteira com a Síria, e o Ministério da Saúde de Beirute relatou ao menos 41 mortes em 24 horas.
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