Hamas anuncia saída do governo de Gaza após quase 20 anos
Anúncio parece ter como objetivo demonstrar que o grupo está disposto a entregar a administração de Gaza ao Comitê Nacional
O Hamas anunciou na manhã desta segunda-feira (6) a dissolução do órgão que governou a Faixa de Gaza durante quase duas décadas.
A saída do grupo extremista do poder abre caminho para a criação de um comitê encarregado da implementação do governo civil. Em nota publicada nas redes sociais, o Conselho da Paz, presidido por Donald Trump, afirma que avaliará os acontecimentos em Gaza "por meio de ações, não de promessas", após o Hamas anunciar a dissolução de sua administração.
Nota do Conselho de Paz também afirma que aguarda com expectativa a conclusão bem-sucedida das discussões. "Incluindo os mecanismos de implementação necessários para permitir que o NCAG (Comitê Nacional para a Administração de Gaza) assuma a autoridade governamental plena". Ali Shaath, chefe do NCAG, disse que o comitê está totalmente preparado para cumprir suas responsabilidades nacionais assim que os meios e as condições necessárias para o seu trabalho forem disponibilizados.
Medida do Hamas é em grande parte simbólica. O anúncio parece ter como objetivo demonstrar que o grupo está disposto a entregar a administração de Gaza ao Comitê Nacional, em consonância com o plano de 20 pontos do presidente dos EUA.
O Hamas governa Gaza desde que os seus combatentes tomaram o controle do movimento palestiniano rival Fatah, em 2007. Desde que entrou em vigor o cessar-fogo em Gaza, em outubro passado, entre o Hamas e Israel, o grupo tem afirmado repetidamente que está disposto a se afastar da gestão da faixa, mas a questão do seu desarmamento ainda segue em aberto.
O NCAG foi criado pelo Conselho da Paz para supervisionar o funcionamento diário da administração pública em Gaza após a guerra. Ele é nomeado pelo Conselho de Paz de Gaza. "O Hamas deu um novo passo ao deixar de estar no comando da Faixa de Gaza, com o objetivo de eliminar quaisquer pretextos para a ocupação, que continua a sua agressão e guerra de extermínio", afirmou o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, à AFP.
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