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Biden: ataque dos EUA no Afeganistão mata principal líder da Al Qaeda

Zawahiri assumiu o comando da organização terrorista a partir da morte de Osama bin Laden, em 2011

Agência Folhapress | 02/08/2022 08:31 h

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden |  Foto: ALEX BRANDON/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
 

Uma operação militar dos Estados Unidos realizada no fim de semana no Afeganistão matou o principal líder da Al Qaeda, Ayman al-Zawahiri, de 71 anos, segundo o presidente do país, Joe Biden.

Descrito pelo democrata nesta segunda-feira (1º) como o "cérebro de ataques contra americanos", Zawahiri era o número dois da organização terrorista nos atentados de 11 de Setembro, abaixo apenas de Osama bin Laden, e era procurado pelos americanos há mais de duas décadas.

O ataque em Cabul foi feito com um drone na noite de sábado (30) e é, até onde se sabe, a primeira ação militar de Washington no país da Ásia Central desde a retirada das tropas há pouco menos de um ano, em agosto do ano passado, após 20 anos de ocupação. "A justiça foi feita", afirmou o presidente americano.

Segundo autoridades americanas, Zawahiri estava em um abrigo e foi atingido com dois mísseis Hellfire. Biden, que está com Covid-19, falou, à distância do grupo limitado de jornalistas que pôde acompanhar o discurso, que autorizou "um ataque preciso que iria tirá-lo do campo de batalha, de uma vez por todas."

Mais cedo, uma autoridade americana afirmou à imprensa que, "ao longo do fim de semana, os Estados Unidos conduziram uma operação de contraterrorismo contra um alvo importante da Al Qaeda no Afeganistão", disse, antes que o ataque fosse confirmado pelo presidente americano. "A operação foi bem-sucedida e não houve mortes de civis".

Zawahiri, 71, assumiu o comando da organização terrorista a partir da morte de Osama bin Laden, em 2011. Ele já fazia parte do grupo desde os anos 1990 e, à época do atentado do 11 de Setembro, era considerado um dos principais líderes da organização.

Desde então era procurado pelo governo americano, que chegou a oferecer US$ 25 milhões de dólares como recompensa a informações que levassem a sua prisão, e seu paradeiro era desconhecido.

Além do 11 de Setembro, Zawahiri também é tido como responsável por outros ataques a tropas e instituições americanas entre os anos 1990 e 2000. Segundo o governo americano, ele ajudou a planejar, ao lado de outros oficiais da Al Qaeda, um ataque no Iêmen que matou 17 oficiais da Marinha americana e feriu outras 30.

Ele foi indiciado nos Estados Unidos também por participar dos bombardeios a embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia em agosto de 1998, em episódios que mataram 224 pessoas e deixaram mais de 5.000 feridas.

Um porta-voz do Talibã, grupo que controla o Afeganistão desde agosto do ano passado, confirmou que um ataque de drone ocorreu em Cabul neste domingo (31) e afirmou que o episódio "é uma clara violação dos princípios internacionais e do Acordo de Doha [que estabeleceu em 2020 a retirada de tropas americanas do país]".

Segundo o grupo, o ataque ocorreu a uma área residencial -o que, segundo analistas, sinaliza o conforto que líderes da Al Qaeda encontraram sob o domínio do Talibã no Afeganistão.

"A natureza do incidente não foi revelada a princípio. As agências de segurança e inteligência do Emirado Islâmico investigaram o incidente e descobriram que o ataque foi realizado por drones americanos", disse o Talibã. "Tais ações são uma repetição das experiências fracassadas dos últimos 20 anos".

As autoridades americanas se apressaram para dizer que não houve mortes de civis neste fim de semana devido à pressão sobre o último episódio de repercussão com um equipamento do tipo, à época da retirada das tropas americanas.

Na ocasião, Washington mirava células locais do Estado Islâmico e afirmou que o ataque "eliminava ameaça iminente". "Estamos confiantes que atingimos o alvo com sucesso. Explosões secundárias significativas do veículo indicaram a presença de quantidade substancial de material explosivo", disse o porta-voz do Comando Central da região.

Quase um mês depois, no entanto, sob pressão após investigações independentes questionarem o sucesso do ataque, que terminou com a morte de 10 civis, incluindo crianças, o governo americano assumiu que foi "um erro trágico".

Egípcio nascido em Gizé, Zawahiri vem de família abastada: seu avô havia sido imã (sacerdote) na Universidade al-Azhar, no Cairo, e seu tio-avô, primeiro-secretário da Liga Árabe. Zawahiri entrou para a Irmandade Muçulmana, organização islâmica radical com base no Egito, ainda na adolescência e fundou o grupo terrorista Jihad Islâmica em 1979.

Foi preso por planejar um atentado ao então presidente egípcio, Anuar Sadat, antes de unir-se à Al Qaeda nos anos 1990. Sob seu mando, a Al Qaeda perdeu espaço na última década para o Estado Islâmico, uma organização terrorista que chegou a controlar partes da Síria e do Iraque.

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