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Alemanha congela certificação de gasoduto russo após avanço de Putin na Ucrânia

O anúncio vem na esteira do reconhecimento pelo presidente da Rússia de duas autoproclamadas repúblicas russas étnicas

Agência Folhapress | 22/02/2022 11:15 h

O primeiro-ministro da Alemanha, Olaf Scholz e o presidente Vladimir Putin |
O primeiro-ministro da Alemanha, Olaf Scholz e o presidente Vladimir Putin | |  Foto: Reprodução/Twitter | Valter Campanato/Agência Brasil
 

O primeiro-ministro da Alemanha, Olaf Scholz, suspendeu nesta terça-feira (22) a certificação do gasoduto Nord Stream 2, que liga a Rússia ao país europeu e está pronto, mas sem poder operar devido à crise na Ucrânia.

O anúncio vem na esteira do reconhecimento pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, de duas autoproclamadas repúblicas russas étnicas e o envio de tropas para a região.

O Nord Stream 2 é o segundo ramal de um megaprojeto iniciado nos anos 2000. Duplica a capacidade de transporte de gás natural pelo mar Báltico, possibilitando à Rússia desviar o fornecimento que hoje é majoritariamente feito por meio justamente da Ucrânia e da turbulenta aliada Belarus.

Atualmente, e pelo menos até o fim de 2024, Moscou paga cerca de US$ 1,5 bilhão (R$ 7,8 bi) por ano a Kiev pelo trânsito do gás em seu território, e a entrada em operação do novo gasoduto atingiria a rival Ucrânia e atrapalharia interesses dos Estados Unidos. As obras foram concluídas em setembro do ano passado, mas sua operação foi bloqueada pela Alemanha em novembro.

"Tendo em vista os mais recentes desdobramentos, precisamos reavaliar a situação do Nord Stream 2", afirmou Scholz em uma entrevista coletiva, acrescentando que o Ministério da Economia iria reavaliar o processo de certificação em luz das ações russas.

O premiê pediu ainda para a pasta agir para garantir que a essa certificação não possa ocorrer neste momento. "Os respectivos departamentos do Ministério da Economia vão fazer novas avaliações da segurança do nosso fornecimento."

Pouco tempo depois, a agência reguladora da Alemanha anunciou que não poderá dar prosseguimento no processo. "A certificação demanda uma avaliação positiva do Ministério da Economia alemão que a segurança do fornecimento não está em risco. Isso não está mais disponível", diz o comunicado.

Após o anúncio de Schzol, os governos britânicos e ucranianos disseram apreciar a decisão. A Rússia, por sua vez, minimizou seu impacto. O vice-chanceler Andrei Rudenko disse que Moscou não há nada a temer e que "não acredita em lágrimas", segundo divulgou a agência de notícias Tass.

O governo alemão há tempo defende que o Nord Stream 2, herança da era Merkel, era primordialmente um projeto comercial que diversifica o fornecimento de energia para a Europa -a Alemanha, maior economia do continente, depende da Rússia para garantir cerca de metade de sua necessidade energética.

Apesar da suspensão, a decisão não irá afetar o fornecimento de energia, segundo a Comissão Europeia, uma vez que o gasoduto não estava operante. O ministro da Economia alemão, Robert Habeck, também disse que o abastecimento está garantido, mas que pode haver um aumento no preço no curto prazo.

A medida imposta Alemanha deve ser a mais dura a ser adotada pela Europa nesse momento. A União Europeia decide na tarde desta terça que sanções irá adotar. O xadrez é decidir quais medidas seriam adotadas, pois há membros do bloco mais próximos a Moscou que preferem algo mais limitado. Outros querem ver uma resposta ampla e dura, com base no que foi discutido nas últimas semanas.

A Itália, por exemplo, que depende do gás russo, defende que as sanções não impactem a importação de energia -Putin disse que manterá o fornecimento para mercados mundiais–, enquanto a Lituânia argumenta que elas não podem ser simbólicas.

A iniciativa de Scholz em meio à crise ucraniana vem após uma reação considerada interna e externamente, como excessivamente retraída -reforçando, de certa forma, a imagem de tecnocrata previsível que o político tinha na campanha.

Ante a postura dúbia, no começo do mês a Alemanha foi chamada de "hipócrita" pela Letônia, Scholz, de "invisível'' pela imprensa, e sua aprovação caiu 17 pontos percentuais, para 43%.

Depois de virar hashtag com a pergunta "Onde está Scholz?", o premiê inaugurou uma conta oficial no Twitter no último dia 13 (além da pessoal), como parte de uma tentativa de virada em seu estilo. Depois de ter visitado Joe Biden, em Washington, ele foi a Kiev e Moscou em dias consecutivos, repetindo os passos que o francês Emmanuel Macron dera dias antes e dando início a uma maior atuação nessa frente.

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