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Filho de brasileiros envolvido no ataque ao Congresso dos EUA é preso

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Internacional

Filho de brasileiros envolvido no ataque ao Congresso dos EUA é preso


Filho de brasileiros, Samuel Camargo de 26 anos foi preso pela polícia dos Estados Unidos nesta quarta-feira (20). O rapaz é acusado de participar da invasão ao prédio do Congresso americano no último dia 6. As informações são do G1.

Na ocasião, cinco pessoas morreram após um grupo de apoiadores do ex-presidente Donald Trump tentar impedir a confirmação da vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais em 2020. Além disso, o relatório emitido pelas autoridades americanas afirma que ele admitiu ter participado dos protestos e depois ter retornado para Flórida.

Entre outras acusações, Camargo foi preso por tentar impedir um policial de exercer seus deveres durante a confusão e por desordem civil, ao entrar sem autorização em um prédio com acesso restrito. 

O jovem nasceu em Boston, no estado de Massachusetts e hoje mora em Fort Myers, na Flórida. Já os pais são de Sabinópolis, em Minas gerais.

Entenda o caso

Segundo pessoas próximas ouvidas pela reportagem, Samuel é um apoiador do líder republicano e participou dos comícios em Washington e dos atos contra o Capitólio para "defender aquilo em que acredita".

De acordo com uma pessoa que preferiu não ser identificada, ele não é um terrorista, não tem armas nem arriscaria sujar sua ficha criminal. No entendimento do FBI, entretanto, Camargo cometeu ao menos quatro crimes durante os protestos.

Segundo a denúncia da agência federal, Camargo responderá por obstruir o trabalho de agentes das forças de segurança; por entrar em local restrito sem autoridade para fazê-lo; por envolver-se conscientemente em ato de violência física contra pessoas ou propriedades em locais restritos; e por usar conduta desordenada ou perturbadora para interromper uma sessão do Congresso - no caso, a certificação da vitória do presidente eleito dos EUA, Joe Biden.

Autoridades pedem que pessoas denunciem quem participou de invasão ao Congresso dos EUA no dia 6 (Foto: John Minchillo/ AP)
Autoridades pedem que pessoas denunciem quem participou de invasão ao Congresso dos EUA no dia 6 (Foto: John Minchillo/ AP)

A forma como as autoridades conseguiram identificar Camargo como um dos invasores do Capitólio ilustra uma das principais estratégias de investigação do FBI para responsabilizar criminalmente os envolvidos no ataque ao Congresso: denúncias por meio de imagens publicadas na imprensa e nas redes sociais.

"Se você testemunhou ações violentas ilegais ou conhece alguém que participou dessas ações ilegais, recomendamos que envie quaisquer informações, fotos ou vídeos que possam ser relevantes", diz a agência federal em uma página criada exclusivamente para a investigação dos atos em Washington.

Mais de 140 mil pessoas enviaram informações ao FBI para identificar os participantes do ataque ao Congresso e, segundo o Departamento de Justiça dos EUA, a maior parte das denúncias foi feita por amigos e familiares dos invasores. Ao menos 200 pessoas foram presas e, de acordo com um levantamento da Universidade George Washington, 80 estão sendo indiciadas por crimes federais.

No caso de Camargo, a primeira denúncia foi feita no mesmo dia da invasão. Uma testemunha enviou ao FBI uma publicação em que ele mostrava, por meio da ferramenta de "stories" em seu perfil no Instagram, um "pedaço de metal de uma estrutura desconhecida do prédio do Capitólio" -segundo Camargo, um objeto que ele mesmo pegou para levar de recordação.

No dia seguinte, outras publicações de Camargo foram enviadas aos agentes federais. Nas imagens, ele aparece em vários comícios ao longo do dia em Washington. Depois, os vídeos o mostram subindo a escadaria do Capitólio ao lado de uma multidão. Por fim, Camargo aparece com outras pessoas tentando forçar a entrada no edifício pela porta que estava sendo protegida pelos agentes de segurança.

Pedido de Desculpas

A denúncia do FBI apresenta ainda a reprodução de uma publicação no Facebook em que Camargo pede desculpas ao seus familiares, amigos e a todo o povo dos EUA por suas "ações no Capitólio" horas depois da invasão.

"Estive envolvido nos eventos que ocorreram hoje cedo. Eu vou sair das redes sociais em um futuro próximo e vou cooperar com todas as investigações que possam surgir de meu envolvimento. Me desculpo com todas as pessoas que decepcionei, pois isso não é quem eu sou nem o que defendo", escreveu ele.

Nos bastidores, porém, Camargo não está arrependido do que fez, segundo o que a reportagem apurou. Uma pessoa próxima ouvida pela reportagem disse que ele ter publicado tudo nas redes sociais foi uma bobagem e que, ainda que ele seja preso, vai manter a ideia de que lutou por aquilo em que acreditava.

O agente especial do FBI Michael Attard, que assina a denúncia, diz no documento que falou com Camargo por telefone. Segundo Attard, o jovem não se mostrou disposto a cooperar com as investigações, disse ao agente que não tinha informações a fornecer e ainda questionou sua lealdade à Constituição dos EUA.

Horas depois, Camargo fez uma nova publicação no Facebook. "Acabei de falar com um agente do FBI. Acredito que fui inocentado", escreveu ele, demonstrando uma percepção equivocada do próprio caso.

A reportagem entrou em contato com Camargo, mas não obteve respostas até a conclusão desta reportagem.

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