Os segredos de França e Espanha para ostentarem as melhores defesas da Copa 2026
Seleções com as melhores defesas do torneio se enfrentam em Arlington; ataque francês de Mbappé desafia posse e regularidade espanhola
França e Espanha se reencontram em uma semifinal pouco mais de um ano após um duelo nesta fase da Liga das Nações da Uefa. O jogo que terminou em 5 a 4 agora tem uma reedição com outro cenário: são as duas melhores defesas da Copa do Mundo de 2026.
Os espanhóis só foram vazados uma vez, nas quartas de final contra a Bélgica (vitória por 2 a 1). Os franceses sofreram dois gols, nas vitórias sobre Senegal (3 a 1) e Noruega (4 a 1), ambas ainda na fase de grupos.
Do lado da França, o ataque é melhor, com 16 gols marcados, sendo oito de Kylian Mbappé. Na Espanha, são 11, dos quais quatro são de Mikel Oyarzabal. As duas equipes ainda se destacam por ter a posse de bola. Os jogos em que espanhóis e franceses menos tiveram o controle foram, respectivamente, as vitórias sobre Portugal (55%) e Marrocos (52%).
QUEM TEM A BOLA NÃO LEVA
Entre as duas equipes, a Espanha demonstrou mais domínio contra seus adversários. A média de posse do time é de 65%, contra 59% dos franceses. Engana-se quem pensa que isso basta.
Há também regularidade defensiva. Os jogadores 'intocáveis' na nominata de Luis de la Fuente são a fortaleza da equipe. O goleiro Unai Simón, o zagueiro Pau Cubarsí e o lateral-esquerdo Marc Cucurella são os únicos que atuaram em todo o tempo de todas as partidas até aqui.
Aymeric Laporte, que forma a dupla com o garoto Cubarsí (19 anos), só não jogou por um minuto contra a Áustria. Rodri é outro regular, com apenas três dos 540 minutos de jogo fora.
Com um tiki-taka menos monótono, a Espanha se defende também... no ataque. O time não se limita a trocas de passes ou cruzamentos 'inúteis'. "Consideramos todos os cenários que podemos controlar. Nossa essência é atacar o adversário pelas laterais e, se precisarmos de finalizações, não cruzamos por cruzar. Veja o que aconteceu contra Cabo Verde. Era impossível cruzar a bola. Temos de criar oportunidades antes de cruzar, porque, contra uma equipe bem organizada, é muito difícil", explicou de la Fuente em entrevista à Cadena SER.
A fragilidade da Espanha para este duelo será a linha defensiva, que costuma estar adiantada. Os espaços tendem a ser convidativos para Kylian Mbappé, Michael Olise e Ousmane Dembelé
No seu próprio ataque, os espanhóis terão Lamine Yamal, que progride neste Mundial, após chegar em recuperação de uma lesão muscular, e Nico Williams. O atacante do Athletic de Bilbao correu o risco de perder o restante do Mundial após uma entrada de Nicolás De La Cruz, mas já voltou a atuar.
ABRIR MÃO DE DOMINAR PARA SER FATAL QUANDO PRECISAR
A força defensiva da França é diferente da Espanha. O time de Didier Deschamps costuma ter o bloco mais baixo, aguentando ser atacado com jogadores fortes na última linha, como os zagueiros Dayot Upamecano, William Saliba e o lateral-direito Jules Koundé
O time francês pode contar também com a agilidade dos defensores para buscar o quarteto ofensivo em contra-ataques. Aí está a grande força da seleção. Mbappé, Olise e Dembelé são os donos da Copa ofensivamente.
O atacante do Real Madrid tem 11 participações em gols, marcando oito. O atual Bola de Ouro, sete, sendo cinco gols. Já o jogador do Bayern de Munique é o maior garçom do Mundial, com cinco assistências.
Não quer dizer que Deschamps não pode fazer alterações pensando na Espanha. Há uma dúvida sobre 'o quarto mosqueteiro' do ataque francês. As opções são os companheiros de PSG Désiré Doué e Bradley Barcola. Cada um iniciou três jogos neste Mundial.
Barcola é um ponta mais tradicional, velocista e ataca os espaços. Doué é o favorito para iniciar no time titular por ser mais técnico, ter jogo mais cadenciado e ter boa capacidade de recuperar a bola - são 20 desarmes em 320 minutos jogados até aqui.
Outra dúvida é no meio. Depois de perder as quartas de final por lesão muscular, Aurélien Tchouaméni tende a voltar, mas pode acabar preservado.
CLIMA DE CLÁSSICO E BASTIDOR FERVENDO
Lamine Yamal disse que a Espanha foi à América do Norte "para vencer". "Eles deveriam nos temer, já os vencemos duas vezes. Nós não temos medo deles."
Ibrahima Konaté rebateu: "Ele pode dizer o que quiser. Não, não temos medo, não devemos ter medo de ninguém. Mas, sim, permanecer humildes e não cair nessa armadilha, especialmente nesta fase da competição."
Jules Koundé, que joga com Yamal no Barcelona, minimizou. "Em nenhum momento sentimos falta de respeito. Conheço Lamine bem e sei como ele é. É uma amostra de confiança e ele faz isso também no Barcelona. Ele confia em suas virtudes e na equipe."
Será o 38º duelo entre França e Espanha, o segundo em uma Copa do Mundo. O histórico de confrontos diretos favorece os espanhóis, com 18 vitórias contra 13 da França, enquanto sete partidas terminaram empatadas.
Fora de campo, o presidente da Federação Francesa de Futebol, Philippe Diallo, criticou as declarações do ex-primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy, que afirmou que a França não tem jogadores franceses. Diallo classificou os comentários como racistas.
FICHA TÉCNICA
FRANÇA X ESPANHA
FRANÇA - Mike Maigan; Jules Koundé, Dayot Upamecano, William Saliba e Lucas Digne; Aurélien Tchouaméni (Manu Koné) e Adrien Rabiot; Ousmane Dembélé, Michael Olise, Désiré Doué e Kylian Mbappé. Técnico: Didier Deschamps.
ESPANHA - Unai Simón; Pedro Porro, Aymeric Laporte, Pau Cubarsí e Marc Cucurella; Rodri, Pedri e Dani Olmo; Lamine Yamal, Mikel Oyarzabal e Álex Baena. Técnico: Luis de la Fuente.
ÁRBITRO - Ivan Arcides Barton Cisneros (El Salvador).
HORÁRIO - 16h (de Brasília).
LOCAL - AT&T Stadium, em Arlington (EUA).
ONDE ASSISTIR - CazéTV.
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