Grupo C: desafios no caminho do Brasil rumo ao hexa
Seleção brasileira é a favorita em chave interessante e estreia será contra adversário mais perigoso. Escócia pode complicar na 3ª rodada
A caminhada da Seleção Brasileira em busca do hexacampeonato mundial começa no Grupo C da Copa do Mundo de 2026, chave que também reúne Marrocos, Escócia e Haiti. Os dois primeiros podem ser pedras no caminho brasileiro.
Com jogos disputados nos Estados Unidos, México e Canadá entre 11 de junho e 19 de julho, o Brasil chega como amplo favorito para avançar na liderança, mas terá pela frente adversários capazes de tornar a disputa mais equilibrada do que parece à primeira vista.
O ciclo até o Mundial foi turbulento para a Seleção. Desde a eliminação para a Croácia em 2022, o Brasil passou pelos comandos de Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior e, por fim, Carlo Ancelotti. Além disso, viu Neymar perder protagonismo em razão de sucessivas lesões.
Embora convocado, o atacante do Santos já não concentra sozinho as expectativas da torcida, que agora se voltam principalmente para Vinicius Júnior, principal referência ofensiva da equipe. Raphinha e Endrick também aparecem como peças capazes de decidir jogos.
Ancelotti deve apostar em uma estrutura mais equilibrada, com linha defensiva de pouca projeção e um quarteto ofensivo móvel, explorando velocidade, trocas de posição e talento individual. Mesmo sem apresentar o domínio de outras gerações, o Brasil segue entre os candidatos ao título graças à qualidade técnica espalhada por todos os setores.
A estreia será justamente diante do adversário mais perigoso da chave. Quarto colocado na Copa de 2022 e atual campeão africano, o Marrocos vive o melhor momento de sua história. A equipe comandada por Mohamed Ouahbi tem em Achraf Hakimi e Yassine Bounou suas principais referências e chega embalada após derrotar o Brasil por 2 a 1 em amistoso disputado em 2023. Em Copas, porém, os brasileiros levam vantagem, com vitória por 3 a 0 no encontro realizado em 1998.
O segundo compromisso será contra o Haiti, seleção que retorna ao Mundial após mais de meio século. Atual 84ª colocada do ranking da Fifa, a equipe caribenha aposta na velocidade dos contra-ataques. Apesar do crescimento recente, aparece como a seleção mais fraca do grupo.
Fechando a participação na primeira fase, o Brasil encara a Escócia, adversária tradicional em Copas. Os europeus nunca avançaram ao mata-mata do torneio, mas chegam motivados pelo retorno após 28 anos de ausência. Liderada por Scott McTominay, a equipe de Steve Clarke aposta em organização defensiva e intensidade física para disputar com os marroquinos a segunda vaga.
O cenário aponta para um Brasil favorito à liderança, enquanto Marrocos e Escócia travam uma disputa direta pela classificação. Já o Haiti tenta transformar o papel de azarão em uma das histórias surpreendentes do Mundial.
Brasil: gigante em xeque
Pentacampeão e único país presente em todas as edições da Copa do Mundo, o Brasil chega ao torneio cercado por expectativa e algumas dúvidas. A seleção inicia a era de Ancelotti após um ciclo instável, marcado pela troca de treinadores e por uma campanha irregular nas Eliminatórias Sul-Americanas, concluídas apenas na quinta posição. Vinicius Júnior assume o protagonismo ofensivo da nova geração.
A equipe se destaca pela velocidade nas transições e pela qualidade técnica, mas ainda busca maior solidez defensiva. Favorito a liderar o Grupo C, o Brasil aposta na combinação entre experiência e juventude para encerrar o jejum de títulos mundiais que dura desde 2002.
Marrocos: sensação africana
Quarta colocada na Copa de 2022 e campeã da Copa Africana de Nações de 2025, Marrocos chega ao Mundial consolidada como uma das principais forças fora do eixo tradicional do futebol. Sob o comando de Mohamed Ouahbi, os Leões do Atlas mantêm a solidez defensiva e a intensidade que marcaram sua ascensão recente, sofrendo apenas dois gols nas Eliminatórias. Liderada por Achraf Hakimi, a equipe combina organização tática, velocidade e qualidade técnica, além de contar com nomes como Brahim Díaz e Mazraoui.
O principal desafio está na criação ofensiva contra adversários de alto nível. Favorito à segunda vaga do Grupo C, o Marrocos aparece como a maior ameaça ao Brasil na primeira fase e tem potencial para voltar a surpreender no mata-mata.
Haiti: zebra do grupo
O Haiti chega à Copa como a principal zebra do Grupo C e com a missão de aproveitar ao máximo seu retorno ao torneio após 52 anos de ausência. Atual 83º colocado do ranking da Fifa, os Grenadiers garantiram a vaga ao superar as Eliminatórias da Concacaf e voltam ao cenário mundial sem a pressão dos favoritos. Sob o comando de Sebastien Migné, a equipe aposta na velocidade dos contra-ataques, na versatilidade tática e em jogadores como Jean-Ricner Bellegarde, Wilson Isidor e o experiente Duckens Nazon.
Apesar de possuir nomes interessantes e capacidade para surpreender em jogos isolados, o Haiti sofre com fragilidades defensivas e pouca experiência em competições deste nível. Por isso, aparece como candidato mais provável à última colocação da chave, embora sonhe em incomodar adversários mais tradicionais.
Escócia: geração experiente
De volta à Copa do Mundo após 28 anos, a Escócia chega embalada por uma geração experiente e organizada, que aposta mais na força coletiva do que no brilho individual. Sob o comando de Steve Clarke, a seleção construiu sua classificação com disciplina tática, intensidade física e uma defesa sólida, terminando à frente de Noruega e Grécia nas Eliminatórias. Liderada por nomes como Scott McTominay, Andy Robertson, John McGinn e Billy Gilmour, a equipe costuma dificultar a vida dos adversários em jogos truncados e de muita disputa.
A principal limitação está no setor ofensivo, que carece de um atacante de elite e marcou apenas 13 gols na fase classificatória. Ainda assim, aparece como forte candidata a disputar com Marrocos uma vaga no mata-mata do Grupo C.
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