Cirurgia por vídeo trata hérnia de disco com menos dor
Técnica endoscópica reduz risco de infecção e acelera recuperação. Bloqueios e rizotomia também controlam dor crônica na coluna sem cirurgia
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A cirurgia por vídeo na coluna, também chamada de técnica endoscópica, tem transformado o tratamento da hérnia de disco lombar, ao permitir um procedimento menos invasivo, com menor dor, menor risco de infecção e recuperação mais rápida. Realizada por meio de uma incisão de cerca de um centímetro, a técnica também pode ser indicada para tratar estenose do canal vertebral em idosos. Para casos de dor crônica, bloqueios e rizotomia oferecem alternativas sem cirurgia.
Incisão de 1 cm e alta precoce
A hérnia de disco é uma das principais causas de dor nas costas e ocorre quando o disco intervertebral se rompe e comprime estruturas nervosas. O quadro pode provocar dor intensa na região lombar, irradiação para as pernas, formigamento, dormência e perda de força.
"Embora a maioria dos casos seja tratada de forma conservadora, com medicamentos e fisioterapia, há situações em que a cirurgia se torna necessária. A indicação cirúrgica acontece principalmente quando há dor incapacitante, perda de força ou piora neurológica progressiva", explica o ortopedista Jefferson Coelho de Leo.
A cirurgia endoscópica tem se destacado em relação à técnica tradicional. "Enquanto a cirurgia aberta exige uma incisão maior e maior manipulação dos tecidos, a abordagem por vídeo preserva mais a musculatura e reduz o trauma cirúrgico", afirma o médico.
Entre os principais benefícios estão menor dor no pós-operatório, menor perda de sangue, redução do risco de infecção e recuperação mais rápida. Em muitos casos, o paciente recebe alta precoce e pode retomar atividades leves em poucos dias. As taxas de sucesso variam entre 85% e 95%.
Técnica minimamente invasiva para estenose em idosos
Com o avançar da idade, dores na coluna e dificuldade para caminhar passam a fazer parte da rotina de muitos idosos. Em boa parte dos casos, o problema está ligado ao estreitamento do canal por onde passam os nervos, a chamada estenose do canal vertebral.
"A principal indicação acontece quando o paciente perde a capacidade de andar bem ou passa a ter dor intensa, mesmo com tratamento clínico", explica Jefferson.
A cirurgia por vídeo permite ampliar o espaço do canal da coluna, aliviando a compressão dos nervos. Entre as vantagens estão menor dor no pós-operatório, menos sangramento, recuperação mais rápida e menor tempo de internação. Em muitos casos, o paciente já consegue se levantar no mesmo dia ou no dia seguinte.
"O que define a escolha é a condição clínica do paciente. Por ser menos invasiva, essa técnica pode ser especialmente útil para idosos, quando bem indicada", afirma o médico.
Bloqueios e rizotomia controlam dor crônica sem cirurgia
A dor crônica na coluna, aquela que persiste por mais de três meses, pode afetar o sono, o humor e a rotina. Pacientes com dor contínua podem recorrer a procedimentos minimamente invasivos que ajudam a controlar o problema, sem necessidade de cirurgia tradicional.
"Os bloqueios consistem na aplicação de anestésico, com ou sem corticoide, em pontos específicos da coluna ou próximos aos nervos. Além de aliviarem a dor, eles ajudam a identificar a origem dela. O efeito pode durar de semanas a meses", destaca Jefferson.
Já a rizotomia atua de forma mais duradoura, utilizando radiofrequência para reduzir a capacidade dos nervos de transmitir a dor. "Ambos os procedimentos são feitos com anestesia local e sedação, geralmente em regime ambulatorial, com alta no mesmo dia. O risco é considerado baixo", comenta.
"Quando há compressão importante de nervos ou alterações estruturais mais graves, a abordagem cirúrgica pode ser necessária. Ainda assim, para muitos pacientes, essas técnicas representam uma alternativa eficaz para reduzir a dor e retomar as atividades do dia a dia", afirma Jefferson.
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