Crianças e jovens aprendem valores do cooperativismo
Programas do Sicoob e do Sicredi incentivam criação de cooperativas formadas por jovens estudantes no ambiente escolar
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No Espírito Santo, onde a educação pulsa como força transformadora, dois projetos de cooperativas de crédito vêm semeando cidadania, protagonismo e cooperação desde cedo: as cooperativas mirins, do Sicoob, e as cooperativas escolares, do Sicredi.
Mais do que iniciativas pedagógicas, essas ações são verdadeiros laboratórios de vida, preparando crianças e adolescentes para a fase adulta e incentivando-os a construir um futuro mais justo e sustentável.
Apesar de adotarem metodologias próprias, os dois programas compartilham objetivos convergentes: formar estudantes pautados em valores como cooperativismo, empreendedorismo, liderança, comunicação e educação financeira.
Juntas, as iniciativas já impactaram – e continuam impactando – a vida de milhares de estudantes da rede pública de ensino e de cooperativas educacionais.
Em resumo, as cooperativas mirins e escolares são formadas por alunos que se unem voluntariamente para constituir uma cooperativa e desenvolver, com o apoio de um professor orientador, atividades pedagógicas. Além disso, os estudantes colocam em prática tarefas e atribuições típicas de um negócio cooperativista, simulando o funcionamento de cooperativas geridas por adultos.
“As cooperativas juvenis têm um papel fundamental na garantia da perenidade e da longevidade do modelo de negócio. As novas gerações representam o futuro. Saber que elas estão integradas à cultura cooperativista nos enche de esperança para a construção de um mundo mais cooperativo”, é o que afirma o diretor-executivo do Sistema OCB/ES, Carlos André Santos de Oliveira.
Cooperativas escolares dão mais chances de aprender
O Programa Cooperativas Escolares chegou ao Espírito Santo com a criação de duas cooperativas em Aracruz: a Voluntários Estudantis do Ezequiel (Vol-Esteze) e a União Cooperativa de Santa Cruz (Unicoop-STC).
Com 34 sócios-fundadores, a Vol-Esteze, formada por alunos da EMEF Ezequiel Fraga Rocha, foi a pioneira em solo capixaba.
A metodologia das cooperativas escolares, desenvolvida pela Fundação Sicredi, prevê uma experiência formativa baseada no Jogo Cooperlândia, estruturado em quatro fases, com sete missões e uma missão bônus em cada. Inspirada na gamificação, ela valoriza itens como narrativa, progressão, conquistas individuais e coletivas, indicando os passos para a constituição da cooperativa.
Após a fundação da cooperativa, os alunos seguem imersos em um universo gamificado, guiado pelos valores cooperativistas.
Para Jailson Badiani, analista de Relacionamento do Sicredi Interestados RS/ES, o programa “amplia as oportunidades de aprendizado de crianças e adolescentes, voltadas ao desenvolvimento de competências como liderança, conhecimento, criatividade e cidadania”.
No total, mais de 1,1 mil crianças e adolescentes já foram impactadas pela ação no Espírito Santo. E há previsão de expansão, com novas cooperativas em Aracruz e Linhares ainda neste ano, além de outra prevista para 2026, em São Mateus.
Liderança, responsabilidade e protagonismo desde cedo
Em 2018, exatamente no dia 2 de outubro, foi fundada em Santa Maria de Jetibá, na região serrana do Espírito Santo, a primeira cooperativa mirim do Espírito Santo: a Cooperjetibá, formada por alunos da Escola Cooperação. A criação dessa e de outras duas cooperativas, a Coop-União e a Coopemcel, marcou o início do Programa Cooperativa Mirim.
Desenvolvido pelo Sicoob ES, em parceria com o Sistema OCB/ES e com metodologia do Instituto Sicoob, o projeto aproxima crianças e adolescentes dos princípios cooperativistas, ensina trabalhos artesanais e também introduz esse público no empreendedorismo.
Cada cooperativa tem um objeto de aprendizagem, um item feito a mão que simula o “produto” dela. O valor arrecadado com a comercialização desses objetos é administrado pelos próprios alunos, com orientação de um professor, e destinado à manutenção das atividades e ações voltadas aos cooperados mirins, à escola e ao município.
A professora Elisângela Lemke, orientadora da Cooperjetibá, destaca que as cooperativas mirins colocam os alunos como personagens centrais.
“Os cooperados mirins assumem papéis de liderança e responsabilidade, fortalecendo a cultura de participação e engajamento, enriquecendo a formação dos estudantes tornando-os mais protagonistas”, avalia.
Atualmente, mais de 450 estudantes participam do programa em 10 escolas capixabas, sendo cinco delas públicas e as outras cinco cooperativas educacionais.
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