Movimento Libertas: projeto cria rede de apoio para mulheres vítimas de violência
Movimento Libertas, criado no auge da pandemia da covid-19, oferece suporte psicológico, jurídico e financeiro
Siga o Tribuna Online no Google
Após se libertar de um ciclo de violência doméstica que durou 14 anos, Jucileia Santos Ribeiro decidiu que seria rede de apoio para outras mulheres em situações semelhantes. Foi a partir dessa experiência que surgiu o projeto Movimento Libertas.
A ideia surgiu em 2020, no auge da pandemia de covid-19, quando Jucileia percebeu que o isolamento social aumentou os casos de violência doméstica na região de Terra Vermelha, em Vila Velha, especialmente entre mulheres em situação de vulnerabilidade.
“Como elas ficaram sem trabalhar, passavam mais tempo dentro de casa com os agressores. A gente viu um aumento muito grande da violência no território, o que me deixou muito triste e me fez ter vontade de agir”.
Para conseguir se aproximar dessas mulheres, o grupo encontrou uma estratégia: oferecer ajuda básica e, ao mesmo tempo, conscientizar sobre a violência.
“A gente oferecia cesta básica e, junto com isso, conversava sobre a violência que elas estavam vivendo e não percebiam”.
Hoje, o Movimento Libertas atua como uma rede de apoio, oferecendo suporte psicológico, jurídico e financeiro, além de ajudar mulheres a deixarem o ambiente de violência.
“Muitas não têm para onde ir e dependem do agressor para comer. Nosso papel é suprir essas necessidades e ajudar a reconstruir a vida delas longe da violência”.
O projeto foi premiado em primeiro lugar na categoria Enfrentamento à Violência contra as Mulheres do Prêmio Elas. Para Jucileia, o reconhecimento comprova a importância do trabalho.
“A importância desse prêmio é reconhecer que a vida da mulher ainda tem valor. Quando vemos que os casos diminuíram no território, isso mostra que o trabalho está fazendo diferença”.
O Prêmio Elas é promovido pela Secretaria Estadual das Mulheres (SESM) e conta com a parceria da Rede Tribuna. O objetivo é reconhecer projetos que geram renda, inclusão e oportunidades para mulheres, fortalecendo o protagonismo feminino no Espírito Santo.
Tais iniciativas agora inspiram a série de reportagens “Elas: Histórias que Inspiram”, da Rede Tribuna, para o Mês da Mulher.
Para a diretora comercial da Rede Tribuna, Lenise Loureiro, dar visibilidade a essas iniciativas é uma forma de reconhecer e incentivar o protagonismo feminino.
“Mulheres que inspiram estão ao nosso lado, todos os dias, trabalhando incansavelmente por melhores oportunidades femininas”.
Artesanato para acolher mulheres
Unindo o artesanato e a conscientização, o projeto Empoderar para Transformar, liderado por Graziele Malta, também atua no fortalecimento do protagonismo feminino.
A iniciativa faz parte do coletivo Mudecin, de Marataízes, inicialmente com ações culturais. Com o tempo, o grupo passou a incorporar discussões sobre desigualdade, violência e participação das mulheres em espaços de poder.
Segundo Graziele, a proposta é ampliar o acesso à informação de forma simples e acessível.
“A gente trabalha com mulheres de diferentes realidades, desde aquelas que não tiveram acesso à alfabetização até as que estão na universidade. Por isso, é importante usar uma linguagem que alcance todas”.
Entre as atividades promovidas, estão oficinas de artesanato, cursos de formação e iniciativas voltadas à autonomia financeira.
“Mais do que ensinar uma técnica, a gente busca ouvir, acolher e provocar reflexões sobre a realidade dessas mulheres”.
A participante Andrea Farias de Faria, que integra o projeto, é um exemplo desse impacto.
Graziele diz que, ao longo dos anos de atuação, entendeu que o trabalho é mais complexo do que aparenta ser.
“Às vezes parece só um curso de artesanato, mas ali existe escuta, acolhimento e esperança. É algo que transforma”.
O projeto conquistou o terceiro lugar na última edição do Prêmio Elas na categoria Empreendedorismo Feminino. Para Graziele, o reconhecimento reforça a importância do trabalho em rede.
“É uma caminhada construída ao longo dos anos. A gente começa com pouco, mas vai somando forças e multiplicando as ações”.
Fique por dentro
Prêmio Elas
O que é?
É uma iniciativa que premia Organizações da Sociedade Civil (OSCs), assim como instituições, movimentos e coletivos sem CNPJ que se destacam em iniciativas relacionadas ao empreendedorismo feminino, inclusão produtiva, enfrentamento à violência contra as mulheres e promoção da igualdade de gênero.
Edições
A primeira edição foi realizada no ano de 2023.
Já a segunda edição foi promovida no ano passado. Todas contaram com o apoio da Rede Tribuna.
Premiações
Foram premiadas 12 iniciativas em cada edição.
Três organizações da sociedade civil (uma por categoria) receberam R$ 10 mil cada, e nove iniciativas sem CNPJ foram contempladas com R$ 5 mil cada.
Todos os vencedores receberam troféus de reconhecimento público.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários