Romantismo suingado e delicioso no primeiro álbum de Brunu Chico
Em 'D de Delícia', instrumentista mistura black music, ritmos brasileiros e romantismo para afirmar sua identidade e origem na periferia de Vitória
Suingado, romântico e delicioso! Essas são as percepções causadas aos que topam provar “D de Delícia”, 1º álbum do multi-instrumentista capixaba Brunu Chico.
O título, aliás, veio já com o trabalho finalizado, quando a produtora Rayane Loyola, do selo musical Megalomania, ouviu o resultado e definiu o trabalho como “uma delícia”, fazendo referência ao verso da faixa “Vitamina D”.
O projeto é, sobretudo, um disco de identidade. As canções passeiam por um enorme leque de referências da black music, além de incorporar elementos da música brasileira e de ritmos regionais.
A regionalidade aparece em “Que Cheiro Doce”, composta com Xavier Lucas e que possui uma levada de carimbó, tendo por inspiração a cantora paraense Dona Onete. O artista também mergulha no city pop, na soul music e no gospel, de onde vêm, entre instrumentos de sopro e muitas vozes.
“A Rua Mais Linda da América do Sul” é a música foco do álbum. “Ela revela meu orgulho de ser cria da periferia de Vitória. Além disso, a letra exalta a nossa identidade latino-americana”, conta ao AT2.
Outras três faixas serão trabalhadas: as já citadas “Vitamina D” e “Que Cheiro Doce”, além de “Beleléu das Ideia”, que narra uma história inusitada vivida por ele.
“Perdi o celular no meio do Carnaval e, ao mesmo tempo, vivi um romance, um encontro singular, que resultou nesta linda declaração. Minha intenção era mostrar como a vida traz, simultaneamente, desafios e acalantos”.
Confira a entrevista de Brunu Chico ao jornal A Tribuna
AT2: Todas as faixas foram escritas e produzidas por você?
Brunu Chico: Apenas a faixa “Que Cheiro Doce” eu compus em parceria com Xavier Lucas. As demais músicas foram produzidas e compostas por mim, com direção estratégica da Megalomania. Comecei as composições do álbum em 2020. Mas foi em 2023, após lançar meu o EP “BPM 87”, com apenas três faixas, com incentivo público da Secult-ES/Funcultura, que senti a necessidade de lançar um álbum, pois eu tinha muitos tesouros para revelar para meu público.
Por que atuar em 3 frentes: composição, produção e interpretação? Teve algum auxílio durante esse processo ou foi uma atuação bem solitária?
Produzi, arranjei, mixei e masterizei minhas músicas junto ao selo musical Megalomania, o núcleo criativo de produção musical localizado no Território do Bem, no bairro da Penha. Ter o apoio de uma equipe especializada em lançamentos musicais fez toda diferença, pois eles organizaram minha produção independente, criando cronograma de produção e estratégias de divulgação. Também pude contar com o auxílio de outros parceiros. O Estúdio 3 mixou e masterizou três faixas do disco: “Vitamina D”, “Respirar” e “Tipo Sol”. Já a faixa “Beleléu das Ideia” foi mixada por Uncle Wender, um grande produtor amigo meu.
Três anos separam “D De Delícia” e o EP “BPM 87”. O que esses trabalhos trazem de diferente um do outro?
Eu sempre conecto o trabalho recente aos meus trabalhos anteriores, mantendo a minha identidade musical, que é o enorme leque da Black Music. Do “BPM 87” para o álbum “D de Delícia” há uma mudança de fase da vida, sobretudo, na forma como passei a lidar com as questões cotidianas. Eu amadureci, me permiti vivenciar novas experiências profissionais, sabendo dosar a intensidade.
O que queria mostrar com esse seu primeiro álbum?
Este disco me permitiu produzir como eu sempre quis, com liberdade e confiança no que faço. Produzimos um álbum com a nossa cara: dançante e cheio de sonoridade. Quero aproveitar e convidar todo mundo a ouvir o disco nas plataformas de áudio.
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