Música de Giu Lenda critica sociedade anestesiada
Músico capixaba aprofunda fase solo com “Cocum” e “Recordista Mundial…”, ampliando sua estética distópica e ácida
Peça importante na construção sonora dos primeiros discos do Dead Fish, o capixaba Giu Lenda foi integrante da banda de Silva em turnês grandiosas e teve sua primeira experiência nos vocais há 15 anos, quando fez parte da Fundamental Zero.
Agora, ele aprofunda sua identidade artística solo com um retorno aos holofotes marcado pelo lançamento de dois singles: “Recordista Mundial se O Doping Fosse Esporte” e o novo “Cocum”, que amplia o universo distópico e cheio de acidez construído pelo artista.
“Faz uns 30 anos que componho, gravo e acumulo músicas. Tudo aquilo que não lancei em outros projetos foi ficando em uma pasta. Tenho uma relação quase obsessiva com esse material”, revela ao AT2.
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A nova canção transforma o apocalipse em uma sátira grotesca por meio de timbres saturados e uma atmosfera sombria. A ideia é retratar uma humanidade anestesiada diante do próprio colapso.
“Tem referência à degradação ambiental, ao fanatismo religioso, à violência cotidiana, à alienação coletiva e à nossa capacidade de normalizar o absurdo. Apesar do tom apocalíptico, ela também questiona como escolhemos viver”, explica.
Morando há 4 anos em Barcelona, na Espanha, ele reflete sobre a influência do país em sua arte. “As vivências que me acompanham há anos continuam na base do que faço, mas sempre tive uma inquietude sonora, e ela encontrou terreno fértil aqui. Barcelona me expõe a novos estímulos, o que me leva a pesquisar, experimentar e procurar novas formas de construir música”.
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