Marvvila: “Encorajar mulheres a cantar pagode é um combustível”
A cantora conversou com o jornal A Tribuna sobre sua trajetória na música. Ouça a entrevista no Estúdio Tribuna Online
Dona de uma potente voz, a revelação da música carioca Marvvila, conhecida como “princesinha do pagode”, explodiu nas plataformas digitais e nas rádios, provando que o pagode é, sim, um ritmo para as mulheres.
A cantora conversou com o jornal A Tribuna sobre sua trajetória na música e sobre a honra de abrir espaço para que outras mulheres possam seguir carreira nesse estilo musical. Hoje, dia 5 de novembro, ela desembarca em Vitória para apresentar seu repertório, e sobe ao mesmo palco que Zeca Pagodinho.
A Tribuna - O que te inspirou a seguir carreira no pagode? Como é a história da sua relação com a música?
“Eu comecei a cantar criança. Comecei a cantar na igreja, então só sabia música gospel. Até que, na adolescência, comecei a escutar pagode nas aulas de música da escola e comecei a me apaixonar, mas nem pensava em seguir uma carreira, porque achava que isso seria impossível para uma mulher.
Depois dos 18 anos, quando comecei a sair, de fato, decidi que ia me encontrar e, de cara, já caí em um pagode. Comecei a ir para os pagodes da noite e me apaixonei. Vi que era aquilo que eu queria seguir para a vida.”
A Tribuna - “A Pagodeira” se tornou um dos maiores hits recentes no pagode. O que mudou em sua vida, desde então? Hoje, em quais projetos você está trabalhando?
"'A Pagodeira’ é uma mistura de ‘pagofunk’. Tem o Pk e o (MC) Don Juan na música, e eu quis trazê-los enaltecendo a mulher. Eles falam que é um perigo se envolver com pagodeira, trazendo esse empoderamento feminino. Graças a Deus, a galera curtiu e a mulherada se identificou com a letra.”
A Tribuna - O pagode me parece, de forma geral, um ambiente predominantemente masculino. Ao pensar em sua carreira, você acredita que ocupar espaço no gênero é um ato político? Você deseja abrir caminho para outras novas vozes femininas no pagode?
“O pagode ainda é um ambiente muito dominado por homens, mas, Graças a Deus, a galera está abrindo os olhos para a mulherada que vem chegando. Eu já tive muito medo de seguir no pagode justamente por isso, por ver que nossa geração é dominada por homens. Depois que eu perdi o medo e vi que a galera estava gostando, que eu fui encorajando outras mulheres, foi um combustível. Só de saber que posso esperar outras mulheres seguindo esse caminho, já é o suficiente.”
A Tribuna - Quais são suas referências musicais e como elas inspiram seu trabalho?
“Eu tenho muitas inspirações. Tenho o belo, o péricles, muitos grupos que eu sou fã, como Sorriso Maroto, o Suel e o Ferrugem. No samba, amo a Alcione, a voz forte e as letras empoderadas que ela sempre trouxe. Sempre me inspirei muito nisso.”
A Tribuna - Muitos já atribuem alguns títulos a você, como “princesinha do pagode”. Como você lida com essas atribuições? Elas te deixam em uma posição de sentir mais “pressão” sobre o trabalho?
“Fico muito honrada e muito feliz quando vejo a galera me dando títulos. Isso quer dizer que eu estou sendo relevante na vida delas (pessoas), que estou fazendo diferença, e que essas pessoas já estão me vendo como uma referência no segmento. A pressão sempre vai ter porque queremos entregar o melhor, mas só de saber que a galera tá aprovando, tá curtindo e comprando o barulho, já me deixa muito feliz.”
A Tribuna - É a primeira vez que toca no Espírito Santo? O que está preparando para o público capixaba?
“É a segunda vez que toco no Espírito Santo! Estou muito feliz de poder voltar. Já vim outras vezes no Estado, mas não a trabalho. Minha família paterna é toda do Espírito Santo! Fico muito feliz de, hoje, poder levar meu som e ver que a galera aprova e está curtindo. Me deixa feliz e realizada.”
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