Isa Deps aposta em pílulas políticas e mistura de ritmos
Single une reggae, rap, funk e eletrônica para tratar de neoliberalismo e saúde mental, em diálogo com obras acadêmicas
Inspirada por obras sobre neoliberalismo e saúde mental, a cantora Isa Deps inaugura uma fase mais política em sua carreira com a recém-lançada “Pílulas”.
Apostando na combinação de reggae, rap, funk e música eletrônica, ela aparece mais ousada do que na intimista “Todos Iguais” (2024). Desta vez, a capixaba de Alegre transforma reflexões acadêmicas em uma narrativa musical potente e contemporânea.
Por meio da nova canção, questões políticas e sociais passam a ocupar o centro de sua criação, sem abrir mão da pesquisa sonora e da liberdade estética.
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Dois livros foram fundamentais nesse processo: “Abalar a cidade: Música e capitalismo, espaço e tempo”, de Alexander Billet, e “Neoliberalismo como gestão do sofrimento psíquico”.
Esse último reúne ensaios de Vladimir Safatle, Nelson da Silva Junior, Christian Dunker e outros autores para discutir como o neoliberalismo não atua apenas na economia, mas também molda a forma como as pessoas vivem, trabalham, sentem e interpretam seu sofrimento.
“Quando alguém enfrenta ansiedade, depressão ou esgotamento, tende a entender isso como falha individual, em vez de também relacionar essas questões a condições sociais e econômicas mais amplas”, explica Isa ao AT2.
Mesmo com essa nova direção, a cantora evita definir um caminho definitivo para os próximos trabalhos. “Não tenho pressa. O tempo para ir se descobrindo é essencial para um bom fazer musical”.
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