MC Don Juan: “Funk é oportunidade, sonho e realidade”
Aos 21 anos, o cantor paulista fala sobre a importância que o funk teve em sua vida e do show no “Baile da Favorita”
Seja no Rio de Janeiro, em São Paulo ou em qualquer outro estado do Brasil, o funk tem o poder de transformar vidas. E não foi diferente com MC Don Juan.
Desde os 12 anos, o artista, que na verdade se chama Matheus Wallace da Cruz, já fazia suas próprias composições, cantava e se apresentava na comunidade da Cheba, em Interlagos, zona sul da capital paulista, onde cresceu.
Mas foi aos 16 que o cantor foi descoberto pela gravadora GR6, uma das maiores produtoras de funk no País, e começou a emplacar uma sequência de hits. Entre eles, “Oh Novinha”, “Te Prometo”, “Liberdade” e “Bipolar”.
Agora, aos 21 anos, após longo período sem shows por conta da pandemia, ele reconhece a importância que o pancadão teve em sua vida e comemora a mistura das várias vertentes do ritmo na festa “Baile da Favorita”.
O cantor é uma das atrações do evento que acontece nesta sexta-feira (14), no P12 Parador Internacional, em Meaípe, ao lado de nomes como Kekel, G15, MC Poze do Rodo, PK e TH. E ainda tem espaço para o pop, com a cantora Luísa Sonza.
“É muito importante essa diversidade de estilos, o funk é oportunidade, sonho e realidade. Estamos todos ansiosos nesse retorno, desde equipe até nós, artistas, porque foram aproximadamente dois anos longe dos palcos e do público”, afirma Don Juan, ao AT2.
Mas nem tudo são flores na trajetória do artista, que chegou a colocar sua música em uma novela da Globo. Apesar do enorme sucesso, ele já passou por diversas situações de preconceito por cantar funk.
“Quando comecei, só queria ter a oportunidade de cantar minhas músicas, ser conhecido no meu bairro. Viver de funk ainda não era uma grande realidade como nos dias de hoje. Mas nunca foi fácil, até nos dias de hoje não é. Recebo alguns 'nãos', mas consegui construir uma carreira bem sólida”, orgulha-se.
Novidades
Além dos sucessos que o tornaram conhecido em todo o Brasil, o paulista chega a Guarapari com muitas novidades no repertório. É que, em dezembro, ele divulgou o DVD “Don Juan Summer”.
O recém-lançado projeto traz “Passar de Foguetão”, com participação de MC Ryan SP e MC Hariel, e “Não Vou Te Bloquear”, gravada com Tarcísio do Acordeon, DG e Batidão Stronda.
"Sempre busquei quebrar barreiras"
AT2 - Festas como o “Baile da Favorita” são importantes para o fortalecimento do funk?
MC Don Juan - Sim. Música é uma linguagem universal, independente do estilo da batida. Ela conecta as pessoas, pode ser dançante ou consciente, e como, tenho dito, o funk é uma realidade e cada vez mais estamos dispostos a quebrar as barreiras. Eventos como esse só reafirmam essa realidade.
Foi olhando por essa perspectiva de fortalecer o estilo que lançou o álbum “Dois Lados da Mesma Moeda (Duas Vertentes)”, com Hariel?
“Dois Lados da Mesma Moeda” simboliza duas vertentes do funk paulista, o consciente do Hari e um funk mais dançante, o meu. Continuamos acreditando que podemos fazer muito pelo nosso movimento. Funk é união, estamos crescendo e abrindo novas portas e oportunidades.
Ao lançar “Don Juan Summer”, projeto focado no verão, esperava que essa estação seria, de fato, o retorno do ramo do entretenimento?
Estava confiante com a retomada dos eventos, mas fiz um projeto pensando em trazer um clima mais de verão de final de ano, mais festivo, com músicas animadas e dançantes com participações mais do que especiais. Juntei artistas que admiro.
Traz participações como Xamã, Psirico e Tarcísio do Acordeon. Queria mostrar a possibilidade de mesclagem do funk com outros estilos?
Em toda minha carreira, sempre busquei quebrar barreiras, e me identifico com outros estilos musicais. Cada vez mais me sinto à vontade para me arriscar, agora que já me estabilizei.
Hoje, mesmo com a mistura do funk a outros ritmos, ainda existe muita diferença entre o funk carioca e o paulista?
Os dois funks se diferenciam mais por ambientes e vivências dos artistas. O nosso movimento se constrói nos entornos das cidades e no que acontece neles. Acho que a maior diferença são as referências e o ambiente em que os artistas e produtores se encontram.
Há espaço para disputas?
Não vejo como disputa. Acredito, principalmente, que o funk, que sofre tanta dificuldade e preconceito como um todo, deve sempre estar e se manter unido.
SERVIÇO
- Atrações: Luísa Sonza (RS), MC Don Juan (SP), Kekel (SP), G15 (RJ), MC Poze do Rodo (RJ), PK (RJ), MC TH (RJ), MD Chefe (RJ), Felipe Mar (RJ) e Andrezinho Shock (RJ)
- Quando: Nesta sexta-feira (14), 20h
- Onde: No P12 Parador Internacional. Rod. do Sol, Km26, Praia de Porto Grande, Meaípe, Guarapari
- Ing.: R$ 120 (5º lote/meia)
- Venda: lebillet.com.br
- Clas.: 16 anos
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