“Uma Infância Alemã”: horror da guerra pelo olhar de um garoto
Diretor de origem turca adapta memórias de Hark Bohm e acompanha a jornada de um garoto em Amrum durante a Segunda Guerra
Quando Fatih Akin aceitou dirigir “Uma Infância Alemã”, filme sobre um menino de família nazista baseado na infância do ator alemão Hark Bohm, seu amigo, ele não se sentia muito conectado à história.
Essa herança não pertencia a ele, pensava o diretor de origem turca, mas ele mudou de ideia após as filmagens. “Sou responsável por tudo que os humanos fazem com outros humanos. Isso é o que aprendi”, afirma.
“Todos os meus filmes falam de 'outsiders', de refugiados, de pessoas que deixam seu país para começar em outro lugar”, diz Akin. Em comum, suas histórias investigam como essas pessoas redefinem a própria identidade quando já não pertencem ao lugar de partida ou destino.
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Em seu novo filme, talvez a resposta seja mais complexa. É que Nanning, menino de 10 anos que é protagonista de “Uma Infância Alemã”, não está partindo para lugar algum - pelo contrário, ele vive isolado na pacata e rural ilha de Amrum, no extremo norte da Alemanha, nos anos 1940.
Seu pai, um oficial nazista, está no continente, e a mãe, também politicamente fervorosa, adoece e delira quando ouve na rádio que os alemães vão perder a guerra. Só um pedaço de pão branco com manteiga e mel, ela diz ao garoto, poderia melhorar o seu humor.
Ele faz do comentário uma missão, e parte pela ilha em busca dos ingredientes para saciar a mãe. O problema é que, com a derrota iminente, o país vivia uma grave escassez de alimentos, piorada pelo decreto de racionamento do governo nazista.
Em sua jornada, Nanning recebe ajuda de alguns habitantes de Amrum, e a ira de outros pela conexão de sua família ao regime. Inocente, não entende por que há quem odeie Adolf Hitler, venerado em sua casa. Aos poucos, porém, ele é introduzido à realidade violenta, em cenas com um quê de grotesco, estilo que virou marca de Akin.
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