Encontro de gerações com Rosamaria Murtinho em novo filme
Entre tropeços iniciais, filme aposta no encontro de gerações para emocionar e refletir sobre afeto, memória e recomeços
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Os primeiros segundos de “É Tempo de Amoras” preocupam. Trilha de piano usada de modo preguiçoso, imagens parcialmente desfocadas, escolhas de ângulos muito estranhas, para dizer o mínimo. Esse começo parece um comercial de agência de seguros ou de banco. Felizmente, não demora muito para as coisas melhorarem.
Numa casa de repouso está a professora Pasqualina, 91 anos, vivida por Rosamaria Murtinho. Ela pega um gato do jardim e o coloca em sua bolsa. Ao se encaminhar para a entrada da casa, um garotinho está no alto da varanda.
“Eu vi”, diz ele. “Você não viu nada”, responde a senhora. É um diálogo simples e engraçado pelo modo como o menino interage com a atriz veterana.
Cansada de ficar ali trancada, Pasqualina faz como o gato que havia capturado. Foge para o mundo do risco, o mundo fora da casa de idosos. Fala em procurar Mauro, um amor de juventude, personagem de Antônio Pitanga.
Em paralelo, vemos uma menina, Petrolina, vivida pela graciosa Analu, fazendo uma de suas “poções especiais”. Numa atividade em sala de aula, os alunos precisam falar de suas avós.
Petrolina fica triste, e percebemos por quê. Ela não tem avó. Logo entendemos que sua vida estará conectada à de Pasqualina, e em algum momento elas irão se encontrar.
Antes, Pasqualina reencontra Mauro. Ele estava cuidando do jardim e, com algum esforço de memória, a reconhece. Convida-a para entrar. Lá dentro, Pasqualina conhece a esposa de Mauro, Diná, papel de Zezé Motta.
Há alguma beleza nesse encontro de gerações, assim como há certa dose de chantagem na colocação de uma grande atriz idosa para contracenar com crianças, pois idosos e crianças costumam gerar simpatia automática no público.
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