“Mudança é sinal de vida”, diz Vandré Silveira
O ator encara as transformações de forma positiva e comenta a fama de “galã maduro”
No ar como o sedutor Edson em “Quem Ama Cuida”, destaque em “Dona Beja” na pele de Moacir, capitão apaixonado por uma mulher trans, e em turnê com o espetáculo “A Hora do Boi”, o ator Vandré Silveira, de 45 anos, comemora em grande estilo seus 25 anos de carreira e avisa: não tem medo de mudar.
“Como diz Lulu Santos: ‘Tudo muda o tempo todo no mundo’. E que bom, né?! Mudança é sinal de vida. Procuro encarar as transformações no mercado e na minha vida de uma forma positiva”, confidenciou ao AT2.
“Em 25 anos, o modo de fazer e pensar TV mudou. Tivemos uma revolução digital. Penso que sempre podemos compreender a mudança como uma forma de aprendizado e crescimento”, completou.
As transformações que chegam com a idade também são bem-vindas pelo ator, e pela mulherada!
Após aparecer em suas redes sociais sem camisa – ostentando um “tanquinho” de respeito – choveram elogios e ele acabou ganhando o apelido de “galã maduro”. Segundo Vandré, a maturidade trouxe segurança e autenticidade.
“A maturidade traz a beleza de se apropriar de si mesmo, de ser quem você é. Estou feliz com quem sou e como estou. Não preciso parecer mais jovem para estar bem. Gosto mais do que vejo hoje no espelho do que há 20 anos”, comentou.
E, se na vida real ele está chamando a atenção, na novela o personagem Edson seduziu e deu um golpe em Carmita (Deborah Evelyn).
“Edson é esse homem de caráter duvidoso. Gosto de desafios, de personagens que me ajudam a aprofundar meu entendimento sobre o humano”.
“Sinto frio na barriga ao entrar em cena”
AT2 — Você disse que ama fazer novelas. Tem algum tipo de personagem que ainda não apareceu no seu caminho e que você vive fazendo campanha para interpretar?
Vandré Silveira — Há muitos bons personagens e histórias para contar. Fico na torcida para que surjam novas oportunidades onde eu possa aprofundar a criação desses personagens.
Aos 45 anos, você diz gostar mais do homem que vê no espelho hoje. O segredo é maturidade, filtro ou boa iluminação? (risos)
Não uso filtro. Apenas o solar! (Risos) Luz é fundamental para tudo na vida, não só numa fotografia. O que gosto em mim, hoje aos 45 anos, é uma maior autoaceitação que vem sendo conquistada a duras penas. Uma apropriação de mim mesmo. Um encaixe em mim. O autorreconhecimento da beleza da minha singularidade que não precisa se comparar ou agradar ao outro. Isso sim é libertador.
Você virou oficialmente um galã maduro. Esse título pesa mais do que ajuda?
Onde está esse ofício? (Risos) Fico lisonjeado com o carinho que tenho recebido do público nas ruas e nas redes sociais, fruto do reconhecimento do meu trabalho.
Você transita entre novela, teatro, cinema e streaming. Existe alguma mídia que ainda dá aquele frio na barriga antes de entrar em cena?
Sempre sinto frio na barriga ao entrar em cena. Uma emoção gostosa de sentir. Entrar em cena, para mim, é disponibilizar meu aparato físico, mental, emocional e espiritual para que outra subjetividade se ancore. Encaro esse lugar com muita responsabilidade e por isso sinto esse frio na barriga.
Depois de 25 anos de carreira, ainda existe um papel dos sonhos?
Estou só começando! (Risos) O papel dos sonhos é sempre o que me possibilita estar em cena em comunhão com o público. Que venham bons convites e boas realizações!
Se pudesse dar um conselho ao Vandré que estava começando a carreira, qual seria?
Diria para ter paciência. Provavelmente, ele não ouviria. Sou ansioso e impulsivo. Já melhorei um pouco. (Risos). Também diria para confiar no tempo. Ele é senhor!
Seu personagem em “Dona Beja” levantava discussões importantes sobre preconceito ao se relacionar com uma mulher trans. Você sente que a dramaturgia ainda consegue provocar mudanças de comportamento?
A dramaturgia pode sim gerar diálogos importantes e mudanças de comportamento em nossa sociedade. Em “Dona Beja”, pudemos perceber como o machismo e o preconceito tão presentes na sociedade do século XIX ainda perduram nos tempos atuais. Moacir foi um dos personagens mais complexos da novela.
O que mais desafiou você na construção desse homem dividido entre o desejo e as convenções da época?
A trama de Moacir e Severina foi um apontamento de um desejo proibido. O desafio foi equilibrar esses sentimentos: o afeto que ele nutria por ela e a vergonha em se relacionar com alguém fora dos padrões da época. Algo que mexia com sua masculinidade e escancarava sua hipocrisia.
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