Casos e acasos na vida de Sérgio Reis
Cantor fala de quando Whitney Houston o ajudou a comprar bermudas, da amizade com Gerson Camata e de “festa dos pelados”
Entre clássicos como “O Menino da Porteira”, “Panela Velha” e “Pinga Ni Mim”, o cantor Sérgio Reis carrega um repertório paralelo de histórias que parecem saídas de um filme.
Nas memórias desse artista de 86 anos recém-completados estão um encontro inesperado com Whitney Houston em um shopping de Los Angeles (Estados Unidos) e até uma apresentação para uma plateia completamente nua no interior paulista. E ele também teve que ficar do jeitinho que veio ao mundo!
“Não sou tímido. Para eu tirar a roupa é 2 minutos! O show foi em uma casa em Bauru, para umas 20 pessoas e todos tinham que ficar nus. Lembro que tinha um conjunto de meia-idade que não queria tirar a roupa, mas acabou tocando seminu. Foi uma farra danada!”, lembra, aos risos, ao AT2.
Entre no nosso canal e receba notícias em seu WhatsApp
Já a história com a cantora Whitney Houston aconteceu em 2001, em meio aos ataques terroristas contra o World Trade Center. Ele estava no país para participar do Grammy Latino com Jair Rodrigues (1939-2014).
Com a tragédia em Nova Iorque, a premiação foi cancelada e ambos ficaram vários dias impedidos de retornar ao Brasil devido ao fechamento do espaço aéreo americano.
Enquanto escolhia algumas bermudas em um shopping, Sérgio ouviu uma voz feminina opinando que a peça escolhida “não era boa”. Ao se virar, deparou-se com a cantora, que morreu em 2012.
“Ela me ajudou a comprar três bermudas que tenho até hoje. Conversamos sobre música e agradeci muito a atenção dela. Quando ela morreu, fiquei triste. Eu não quero partir tão cedo, abandonar meu público, então faço de tudo para me manter na ativa”.
Com show marcado em Vitória, no próximo sábado, dia 4, ele ainda recorda sua relação com o Espírito Santo. Sérgio era amigo do ex-governador Gerson Camata (1941-2018), que marcou a história da infraestrutura no Estado ao impulsionar a pavimentação de diversas rodovias estaduais e federais.
“Eu estive na inauguração de quase todas essas obras. Pedra Azul é um lugar maravilhoso, conheci toda essa região com serras lindas e que nunca vi nada igual. Sinto falta dele. Também fui amigo do Hercílio Pirão, dono do restaurante Pirão. Ia lá direto comer”.
“Eu queria nascer de novo”
AT2 — Seu projeto mais recente foi a versão deluxe do álbum “Brasileiro Sim Senhor”, de 2024. O título se apresenta como uma autoafirmação sobre sua origem. A ideia era essa?
Sérgio Reis — É uma autoafirmação. Canto o sertão do Brasil, a nossa realidade, que é uma fortuna. Nós somos os maiores produtores de soja do mundo, temos uma agricultura pulsante, tem as microempresas, a agricultura familiar... o interior é maravilhoso!
Não sente falta de voltar ao estúdio?
Meu filho Marco Bavini tem estúdio perto da minha casa e é ele quem me produz. Se aparece alguma música, a gente grava e deixa quieto. Tem muita música produzida aguardando para ser lançada.
Completou 86 anos de vida na última terça-feira. O que pediu ao assoprar as velas?
Eu queria nascer de novo para viver mais 86 anos. Uma pena que não vai ser possível. (Risos) Peço só que Deus nos abençoe. Sou muito católico e peço que o país mude, para que as pessoas tenham mais assistência, acesso à saúde.
Qual é a sua rotina hoje?
Levo uma vida bem rural. Eu moro no meio da Serra da Cantareira. Aqui tem onça, papagaio, tucano e sagui, que vem comer na minha mão. Tenho várias árvores no quintal. É uma coisa que muitas pessoas não têm ideia do que é.
Qual é o segredo para continuar tendo tanta disposição?
Ângela, minha segunda esposa e com quem estou há 23 anos, cuida muito de mim. Desde a minha saúde até as contas, eu não mexo em mais nada. Inclusive, ela vai para o show comigo aí em Vitória, é minha backvocal.
É o brasileiro com mais de indicações ao Grammy Latino. Qual dessas indicações mais te marcou?
“Amizade Sincera” com Renato Teixeira foi um projeto gostoso e é um trabalho que não acaba, porque ele é muito criativo. Estamos querendo voltar para fazer um show com Almir Sater.
Tem bons amigos na música, né?
Sim. O Guilherme Arantes, por exemplo, sempre vai na nossa chácara, toma umas “pinga ni mim” e dorme. (Risos)
E tem histórias com fãs?
Algumas... Um dia, em Piumhi (Minas Gerais), cheguei de viagem, tomei banho, deitei na cama e dormi. Acordei com uma baita mulher bonita em cima de mim! Era uma versão da Lúcia Veríssimo moça, de tão bonita.
Me assustei, vi que ela não estava bem. Acredito que botaram algo na bebida dela e falaram para ela ir no hotel onde eu estava. Pedi ajuda e demos um banho nela. Disse que ninguém mexeria com ela.
Depois de uns 4 anos, encontrei com ela e o noivo dela me agradeceu pelo carinho e respeito que tive. Respeitei porque era o justo.
Faria algo diferente nesses 86 anos de vida?
Não. Sempre sou coerente naquilo que faço e penso duas vezes antes de fazer.
Já teve medo de não voltar a cantar?
Tive um AVC hemorrágico em 2002. Fiquei 13 dias internado na UTI, mas, graças a Deus, não tive sequelas. Fiz uma cirurgia e, dias depois, estava fazendo show com 70 grampos na cabeça. Mas foi um momento muito delicado.
Hoje, tem medo de algo?
Não. Sou sereno. E não sou apegado a nada também!
Já cantou com Ana Castela. O sertanejo está em boas mãos?
Ela veio da cultura do sertão. É uma brasileira, sim, senhor. (Risos) É uma graça de pessoa, impossível não se apaixonar. Cantamos juntos em Barretos. Nesse dia, ela foi com o avô dela, falei pra ele: “Vamos bater a barriga”. (Risos)
Mas o sertanejo está em boas mãos. Ele não para. Não tem quem consiga parar o sertanejo porque os artistas são bons.
Serviço
Sérgio Reis
- O quê: O cantor apresenta show da turnê “Cantando Seus Grandes Sucessos”.
- Quando: Próximo sábado (4/7), às 21 horas. Abertura dos portões às 20 horas.
- Onde: Espaço Patrick Ribeiro, em Goiabeiras.
- Ingresso: A partir de R$ 125 (Cadeira Prata/meia).
- Venda: Site blueticket.com.br.
- Classificação: 18 anos. Menores devem estar acompanhados dos pais ou responsável.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários