Atriz e sua relação com o sobrenatural: “Tenho costume de consultar os oráculos”
Em entrevista ao AT2, a atriz baiana Cristiane Amorim defende que existem muitos fenômenos que os olhos não conseguem ver
Como já dizia o grande Shakespeare na peça “Hamlet”, em uma das suas frases mais conhecidas, “há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia”.
Para a atriz Cristiane Amorim, a frase traduz exatamente o que ela pensa. “Sim, com certeza acredito no sobrenatural. É muita ingenuidade a gente achar que só tem a gente aqui no planeta, ou até mesmo nesta galáxia. É muita ingenuidade achar que somos únicos. É muita pretensão também a gente achar que só existe o que os nossos olhos conseguem ver e alcançar”, destacou em entrevista ao AT2.
Atualmente no ar como a cigana vidente Carmem, em “Êta Mundo Melhor!”, que aplica pequenos golpes, ela destacou ainda: “Mistérios, fenômenos, com certeza, existem. E eu acho que é uma questão muito ampla. Tem o sobrenatural espiritual, que são as almas, os espíritos; tem o místico, o mitológico”.
Nascida no interior da Bahia, em Amargosa, Cristiane fez faculdade de Teatro em Salvador e depois se mudou para o Rio de Janeiro, onde vive desde 2004.
Ela conta que percebeu o preconceito com seu sotaque no meio artístico. “Vi colegas neutralizando o sotaque para abrir frente de trabalho, mas eu preferi batalhar pelo meu sotaque. Há preconceito com os sotaques do Nordeste”, disse em entrevista recente.
Seu sonho, aliás, é interpretar uma protagonista nordestina. “Eu gostaria muito de fazer a Maria Quitéria, grande heroína baiana, que lutou na guerra, na independência pela Bahia, em 1822”.
Cristiane Amorim atriz
“Eu tenho costume de consultar os oráculos”
AT2 — Acredita em videntes? Já se consultou com uma?
Cristiane Amorim — Acredito sim. Já me consultei. Gosto muito, inclusive. Eu acredito que tem pessoas que possuem essa mediunidade, essa sensibilidade de acessar outros tempos, outros planos, outras dimensões. E sempre que eu estou passando por uma situação difícil ou alguma situação de dúvida, de conflito, eu gosto de fazer umas consultas para clarear a minha cabeça, para fazer boas escolhas. Eu tenho costume de consultar os oráculos.
Teria coragem de ser nômade, como os ciganos?
Essa pergunta é muito interessante, porque, antes de fazer a novela, eu pesquisei, vi documentários, eu me interessei por esse povo cigano, pela cultura deles. E eu entendi que eles não são nômades por uma escolha. Eles viraram nômades pela discriminação e pelo preconceito. Eles sempre eram expulsos dos lugares. E eu não teria um talento para essa vida nômade. Eu prefiro uma rotina previsível, porque a vida artística já é uma vida louca. A gente está sempre recomeçando. Já é muito instável. Então, eu já passo por isso na vida artística.
É sempre chamada para fazer comédia...
Realmente, na TV, no cinema, no audiovisual, eu sou bem vista como uma atriz comediante. Mas nem sempre foi assim. No início da minha carreira, em Salvador, em toda a minha trajetória de teatro lá, minha primeira peça foi “A Falecida”, de Nelson Rodrigues. Fiz Nelson Rodrigues, fiz Shakespeare, fiz “Macbeth”, fiz drama, fiz um musical.
Seu currículo no teatro é gigante. O que o palco representa para você?
É tudo. Eu tenho 33 anos de profissão e eu vivo, vivi, dedicada à minha carreira. E eu iniciei no teatro. Então, o teatro, para mim, é a minha casa, é o meu tempo, é a minha religião, é a minha vida. É onde eu comecei, onde eu me descobri.
Vale tudo por um personagem? O que você não faria?
Essa resposta mudou muito ao longo dos meus 33 anos de carreira. No início, eu diria sim. Mas hoje eu respondo diferente. Não, não vale tudo, não. Por exemplo, eu não arriscaria minha vida, não faria nada que, para mim, seria perigoso, como, por exemplo, andar a cavalo.
Cabelo, posso cortar, posso pintar; posso engordar, posso emagrecer. Eu me entrego completamente, mas, algo que tivesse algum risco para mim, eu hoje já faria diferente. Não acho que vale tudo não, acho que as propostas têm que ser bem analisadas sim.
Se não fosse atriz, seria…
Eu seria uma pessoa frustrada, triste. Porque ser artista não é uma questão de escolha. Acho que você já vem com esse destino, essa sensibilidade, essa vocação. E não precisa só de talento, de vocação.
É difícil conseguir trabalho fora do eixo Rio-São Paulo?
Sim. É ainda muito difícil. As coisas foram mudando, mas eu posso fazer uma comparação, um paralelo com a minha própria história. Na década de 90, lá em Salvador, tinha uma efervescência muito grande do teatro baiano, surgindo pessoas, talentos, produtoras, grandes espetáculos.
Foi nessa época que surgiram esses grandes atores que hoje estão aí e até mesmo fora do Brasil, como Wagner Moura, Vladimir Brichta e Lázaro Ramos. Todos são crias do teatro baiano dessa época. Hoje em dia, o teatro na Bahia morreu, praticamente.
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