“A música faz coisas que até Deus duvida”, diz Ivan Lins
Ivan Lins fala ao AT2 sobre o poder da música e promete um show leve, cheio de esperança e positividade no próximo sábado em Vitória
Ao atingir a maioridade, Ivan Lins adotou o piano como instrumento e compôs um clássico atrás do outro. De “Madalena” a “Começar de Novo”, escreveu canções que refletiam sua personalidade pacifista, esperançosa e carioca.
E assim foi ao longo de seus 81 anos de vida, completados em junho, mesmo que, hoje em dia, os processos criativos tenham pedido mais tempo. A inspiração? O público e sua paixão pela arte que une ritmo, melodia e harmonia.
“A música é um bichinho que, quando você é mordido, não consegue largar mais. Ela te envolve, cura, relaxa, salva. Faz coisas que até Deus duvida. E dá prazer, nosso espírito se alegra. Além de fazer com que a gente cresça como pessoa, porque nos leva a pensar”, diz Ivan ao AT2.
No próximo sábado (10), o cantor desembarca em Vitória para show em que comemora suas oito décadas de história. O show foi montado com o filho Claudio Lins, 53, fruto do relacionamento com a atriz Lucinha Lins, 73. Durante 1h30 de apresentação, ele transmite sentimentos positivos porque quer ver o público feliz.
“A escolha de repertório foi bem nessa direção, falando de amor, do País, e sempre com esperança, que é mesmo a última que morre. O que o brasileiro quer é ter uma vida melhor. Ainda mais neste momento de eleições, é bacana que as pessoas se sintam positivas. Quero que o público saia de cabeça leve e cheio de esperança”.
Ivan Lins cantor e compositor
“Celebrar 80 anos tinha que ser no palco”
AT2 — Como é a sua relação com o Espírito Santo?
Ivan Lins — Sempre foi muito bonita. Desde os anos 70, quando as cidades ainda não tinham essa grandeza da modernidade, sempre gostei muito de Vitória. E fiz muitos amigos aí, como o Edu Henning, do Clube Big Beatles, com quem já me apresentei em Liverpool. Foi uma experiência maravilhosa, já que sou beatlemaníaco. Tem também a Elisa Lucinda, já musiquei um poema dela.
O que significa celebrar esses 80 anos de vida no palco?
Celebrar 80 anos tinha que ser no palco. É muita música, muita história, muita vida, né? E eu acho que isso tem que ser contado no palco. Tanto que esse show tem uma abertura muito bonita, com um depoimento meu.
Através da minha música, você me conhece como pessoa. E, no palco, tem essa mágica de você poder compartilhar seus sentimentos e o seu pensamento com o público. O que o artista sempre procura é exatamente ter essa conexão.
E é ao vivo, né? Não tem correção, acontece tudo na hora. Não faço paraquedismo, alpinismo... Minhas aventuras são no palco. É nele que eu corro riscos e eu estou dividindo eles com o público. Gravar disco é bacana, mas estar no palco com o público é fascinante.
Flertou com diversos gêneros ao longo da carreira, mas, em julho, lançou o álbum “Sambadouro”, em que celebra sua relação com o samba. Por quê?
Sou nascido e criado na Muda, na Tijuca, e frequentei muito o Salgueiro, que ficava perto da minha casa. O samba sempre esteve dentro de mim, como está dentro de qualquer carioca da gema.
No meu repertório, sempre tem sambas, mas, evidentemente, pela minha formação musical mais moderna, eles sempre tiveram arranjos mais modernos. Por isso, fiz um projeto para ter meus sambas gravados de uma maneira mais tradicional. Era um sonho que eu consegui realizar.
Existe alguma música de sua carreira que tenha um significado especialmente pessoal?
Algumas. Para começar, “Madalena”, que teve a gravação de Elis Regina e foi o meu primeiro sucesso. Até hoje canto “Madalena” e com o maior prazer, né?
Tem “Abre Alas”, que deu início à minha parceria com o Vitor Martins, com quem escrevi 70% da minha obra. E “Vieste”, que eu fiz para o meu casamento com a Valéria, a minha alma gêmea.
Tem ainda “Bandeira do Divino”, um hino pacifista, e eu, como humanista, canto essa música sempre, porque ela me traz uma paz incrível e me dá coragem para enfrentar esse mundo maluco que nós vivemos. Era a canção favorita do meu falecido pai. Essa música realmente representa a minha personalidade como brasileiro.
Sua música foi regravada por artistas até internacionais. Qual interpretação mais te emociona?
A gravação ao vivo de Ella Fitzgerald para “Madalena”, em 1972. Foi minha primeira gravação internacional. E logo com quem?! Isso me deu muita autoconfiança.
Como tem sido seu processo de composição?
Meu processo criativo, evidentemente, não é o mesmo de quando eu era jovem. Agora, faço uma música de dois em dois meses, ou às vezes um. Apesar da idade, ainda tenho muito o que fazer, né? Tenho muita música nova. Vou compondo e guardando. Tem coisas maravilhosas vindo por aí!
Quando olha para sua trajetória, o que mais lhe dá orgulho?
Vejo que a minha trajetória me levou a ser uma pessoa do bem. Minha música me ajudou muito a me tornar o homem que eu sou hoje. Não sou radical, considero que o humanismo fica acima das ideologias, porque, na verdade, o humanista é aquele que tem como prioridade o bem-estar do próximo. E isso é fundamental.
Serviço
“Ivan Lins - 80 anos”
- O quê: Show em que o cantor e compositor revisita clássicos da carreira.
- Quando: No próximo sábado (10), às 21 horas. Abertura dos portões às 20 horas.
- Onde: No Espaço Patrick Ribeiro, Goiabeiras, Vitória
- Ingressos: A partir de R$ 110 (Cadeira Prata/2º lote/meia).
- Venda: Site blueticket.com.br.
- Classificação: Livre. Menores de 16 anos acompanhados dos pais ou responsáveis legais.
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