“A morte do meu irmão foi um engano horroroso”, diz atriz Maria Carol Rebello
A atriz Maria Carol Rebello conta, ao AT2, como a arte a ajudou a enfrentar o assassinato do irmão e a morte do tio e da avó
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A arte costuma salvar e reconstruir vidas, dizem os artistas. A atriz Maria Carol Rebello pode provar que é verdade. Após a perda do tio, o consagrado diretor Jorge Fernando, em 2019; da avó, a atriz Hilda Rebello, também em 2019; e do irmão, o ex-ator mirim e DJ João Rebello, em 2024, ela encontrou, justamente na arte, o caminho da superação.
Toda a dor, especialmente a de ter perdido o irmão, assassinado por engano em Trancoso, na Bahia, foi o que a moveu para escrever o roteiro do documentário “Fôlego – Até depois do fim”, dirigido por Candé Salles, um projeto que revisita a trajetória de sua família de artistas.
“A morte do meu irmão é algo que eu nunca vou assimilar pela forma que aconteceu. Foi um engano horroroso que não faz nem um pouco parte do nosso contexto de vida”, destacou em entrevista para o AT2.
No ano passado, ela enfrentou o luto também interpretando a personagem Olga em “Êta Mundo Melhor!”. Foi após receber o convite para atuar na novela que seu irmão foi assassinado. “Não deu tempo de contar pra ele sobre o convite”.
Apesar da tragédia, ela destacou que parar de trabalhar nunca foi uma opção. “Quero continuar meus projetos no teatro como diretora, remontar ‘O Menino do Olho Azul’ (homenagem a Jorge Fernando), levar meu documentário para os festivais de cinema e vou amar fazer logo outra novela”.
“É minha busca para me manter viva”
AT2 — Você nasceu numa família de artistas. Tinha como fugir desse destino?
Maria Carol Rebello — Eu fui criada nessa família de artistas maravilhosos, com a mente aberta, e sempre com o lema que poderia ser o que eu quisesse ser. Ser artista também foi natural e espontâneo. Eu cheguei a cursar uns períodos da faculdade de Nutrição, mas o palco era sempre presente na minha vida.
Quem é a sua grande inspiração na carreira?
Minha avó é minha grande inspiração, na carreira e na vida. Uma mulher nascida no final dos anos 20 que não pôde, na época, seguir o sonho dela de ser atriz por ser uma profissão malvista, imagina?! E realizou esse sonho aos 68 anos, batendo recorde e entrando para o Guiness Book como atriz que começou a fazer teatro com mais idade no Brasil, em 1992. Minha avó encarava a profissão de atriz com muita seriedade, profissionalismo e alegria. Ela dizia que somos funcionários da arte, ela era demais!
Ter um tio como Jorge Fernando te abriu portas ou dificultou sua vida?
Os dois. Claro que tive e aproveitei as oportunidades dadas por ele. Não só as oportunidades, mas os ensinamentos dele.
Ouviu muita comparação?
Comparações não, mas cobrança. Acho que isso é inevitável quando se carrega um sobrenome em qualquer profissão.
Como foi receber a notícia do assassinato do seu irmão? Teve a sensação de revolta?
A morte do meu irmão é algo que eu nunca vou assimilar pela forma que aconteceu. Foi um engano horroroso que não faz nem um pouco parte do nosso contexto de vida. Muito pelo contrário, meu irmão era um cara muito espiritualizado, legal pra caramba. Mais que revolta é a incompreensão, os porquês que ficam diante dos mistérios da vida.
Todos os suspeitos do crime foram presos. Isso, de certa forma, te conforta?
É uma longa história. A Justiça não é tão simples e nem tão eficaz no nosso País. Não estão todos presos não, o processo ainda está rolando.
Por que fazer o documentário “Fôlego – Até depois do fim”?
Eu precisei mergulhar fundo nas minhas memórias, na busca afobada de me reencontrar com eles e buscar sentido na magnitude da vida. “Fôlego”, meu doc confessional, é minha busca para me manter viva. O Candé Salles, meu diretor, sempre foi um dos melhores amigos do meu irmão e, vendo tudo que eu estava escrevendo, me deu as mãos e fizemos o documentário.
Você disse que não deu tempo de contar a seu irmão sobre convite para atuar em “Êta Mundo Melhor!”. Pensou em não aceitar após a morte dele?
Não seguir, não trabalhar e não buscar esse fôlego nunca foram uma opção ou uma ideia. O que desespera, no caso da morte do meu irmão, é a forma estúpida e inacreditável que ocorreu.
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