Orquestra de cantores cegos estreia espetáculo em Vitória
A nova apresentação reúne cantos de trabalho de populações rurais e tradicionais, povos indígenas e quilombolas
O palco do Theatro Carlos Gomes, no centro de Vitória, recebe entre quarta-feira (9) e sexta-feira (11) a estreia do quarto repertório da Orquestra Brasileira de Cantores Cegos.
Reconhecido nacionalmente, o projeto conta com uma proposta inovadora de valorização da cultura brasileira por meio da música, acessibilidade e inclusão.
O novo espetáculo cênico-musical reúne cantos de trabalho de populações rurais e tradicionais, povos indígenas e comunidades quilombolas. A proposta é levar o público a uma viagem por diferentes territórios do País, com canções que atravessaram gerações e carregam histórias de trabalho, memória, resistência e vida em comunidade. As apresentações são gratuitas e contam com audiodescrição e intérpretes de Libras.
Idealizadora do projeto e diretora artística, Rejane Arruda explica que a presença dos cantores cegos também influencia diretamente a construção da cena.
Em vez de esconder a condição dos artistas, a montagem a transforma em elemento estético e performático.
“Eu sempre brinco com eles que eles têm um a mais, e não um a menos, porque esse 'não ver' implica numa performatividade, numa tematização do olhar, da existência e da percepção do mundo”, afirma.
Um dos recursos explorados é a bengala. Em determinado momento, os 17 cantores fecham os equipamentos simultaneamente em meio ao silêncio. Em outro, entram juntos no palco, fazendo com que o movimento das bengalas ganhe destaque na cena. Os deslocamentos também são usados para criar uma sensação de multidão e errância.
O repertório segue essa ideia de movimento. Segundo Rejane, as canções “são como pássaros, que vão para territórios diferentes, elas voam”. Muitas foram transmitidas oralmente e também acompanharam os deslocamentos das populações por diferentes regiões brasileiras.
O Espírito Santo também está representado com as canções de congo “Quebra Gabiroba” e “Adeus Meu Pessoal”, tradicionalmente transmitidas pela Banda de Congo Panela de Barro de Goiabeiras.
A montagem combina canto coral, teatro e dança contemporânea. No palco, um olho d’água, folhas e bonecas integram a cenografia, enquanto os artistas da Cia Poéticas da Cena Contemporânea auxiliam nos deslocamentos dos cantores.
Saiba Mais
Orquestra Brasileira de Cantores Cegos - 4º repertório
- Quando: De quarta-feira (9) a sexta-feira (11).
- Onde: Theatro Carlos Gomes. Rua Barão de Itapemirim, 232, Praça Costa Pereira, Centro, Vitória.
- Ingressos Gratuitos: https://lnk.bio/obrcc. Pessoas com deficiência podem fazer reserva e combinar condições de acolhimento pelo WhatsApp da Soca Brasil, no (27) 99609-8181.
Programação
- Quarta-feira: Sessão única de estreia às 20 horas.
- Quinta-feira: 1ª sessão às 15 horas e 2ª sessão às 20 horas.
- Sexta-feira: 1ª sessão às 15 horas e 2ª sessão às 20 horas.
Espetáculo
- O espetáculo reúne cantos de trabalho de populações rurais e tradicionais, povos indígenas e comunidades quilombolas de diferentes regiões do Brasil.
- A montagem explora a presença dos 17 cantores cegos em cena, utilizando bengalas, deslocamentos e movimentos coletivos como elementos estéticos e performáticos.
- O repertório aborda temas como memória, resistência, identidade, saudade, comunidade e deslocamento por meio de canções transmitidas entre gerações.
- O Espírito Santo está representado pelas canções de congo “Quebra Gabiroba” e “Adeus Meu Pessoal”, da Banda de Congo Panela de Barro de Goiabeiras.
- A apresentação combina canto coral, teatro e dança contemporânea, com cenografia que inclui um olho d’água, folhas e bonecas.
- O espetáculo conta com audiodescrição, intérpretes de Libras e estrutura acessível no Theatro Carlos Gomes.
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