Exposição que vai além da imaginação em Vila Velha
Com entrada gratuita, mostra subverte o uso de objetos do cotidiano e convida o público a interagir com a arte
Um fogão que vira karaokê, uma saia feita de talheres e cores que têm sabor. Na exposição IMAGINALIVRE!, em cartaz no Parque Cultural Casa do Governador, em Vila Velha, tudo isso é possível.
A proposta é desafiar a imaginação e convidar o público a deixar de ser apenas espectador para tocar, experimentar e até fazer parte das obras. Com entrada gratuita, a mostra reúne trabalhos do coletivo carioca OPAVIVARÁ!, que está completando 20 anos, e segue no local até 1º de novembro.
A diretora do Museu Vale, Claudia Afonso, explica que as obras foram pensadas justamente para depender da presença e da participação dos visitantes.
“São obras que não funcionam se as pessoas não estiverem presentes, se não tocarem ou não vivenciarem a experiência que foi proposta. É uma outra forma de estar em contato com a arte”.
De acordo com ela, a exposição também surge como um contraponto a uma rotina marcada pelas telas e pelas redes sociais.
“É muito importante trazer, neste momento em que vivemos conectados em telas e redes sociais, uma exposição que traga as pessoas um pouco mais para o coletivo, para o convívio entre pessoas, proporcionando trocas”.
A partir do dia 8 de outubro, a exposição IMAGINALIVRE! vai se expandir e ocupar ainda o Parque Botânico Vale e o Parque Costeiro Vale, ambos em Vitória.
Nos novos locais, as obras passam a dialogar ainda mais com a paisagem, onde seguem disponíveis para visitação até o dia 13 de dezembro.
“A gente acredita que essas obras fazem muito sentido em parques, onde as pessoas estão livres, onde o andar, o criar, o fabular e o convívio fazem bastante sentido”, adiciona Claudia.
Obras
Entre os destaques da exposição estão Karaokente, em que um fogão de quatro bocas é transformado em um karaokê; a Fonte de Refrescos, onde é possível provar sabores; e a Saia Como, uma instalação feita com talheres na peça de roupa.
Para Claudia, uma das características marcantes do coletivo é transformar objetos comuns em experiências inesperadas.
“Eles pegam objetos muito familiares e subvertem o uso deles. Você reconhece aquele objeto, porque ele está no seu cotidiano, mas passa a usá-lo de uma forma completamente diferente. Isso quebra a lógica do cotidiano”.
“Coisas ganhando novo significado”
A estudante Juliana Azevedo, de 22 anos, visitou a exposição com o amigo Samuel Melo Miranda, de 23 anos. Para ela, o mais interessante foi a possibilidade de interagir com as obras.
“Eu sou muito curiosa, gosto de mexer nas coisas. Então, é muito legal estar em uma exposição de arte e poder tocar nas obras”.
Ela diz ainda que a experiência a transportou de volta à infância. “Foi um momento para descontrair e brincar com as possibilidades”.
Já Samuel gostou de ver como a exposição transforma objetos comuns em outras experiências.
“Eu achei muito interessante como as coisas que usamos no dia a dia ganharam novos significados. O fogão virar karaokê me surpreendeu”.
Experiência
A obra que mais chamou a atenção da professora Tatiane Ribeiro, de 42 anos, foi a Fonte de Refrescos.
“Como é uma água com cor, você toma imaginando algum sabor. Mas ela não tem gosto. Achei interessante essa brincadeira”.
Ela visitou a exposição acompanhada da filha Wizzy Ribeiro, de 16 anos, e do marido, o motorista Adelar Linde, de 42.“
Não temos muito o costume de visitar exposições, mas foi uma experiência legal, porque essa é muito diferente. A gente se divertiu bastante hoje”.
CENAS
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