Espetáculo "A Última Sessão de Freud" segue até domingo na Ufes
Espetáculo com Odilon Wagner e Marcello Airoldi narra um encontro fictício entre o pai da psicanálise e o escritor C.S. Lewis
Um dos maiores sucessos do teatro brasileiro, o espetáculo “A Última Sessão de Freud” ganha nova temporada em Vitória, no Teatro da Ufes, nesta sexta-feira (30), sábado (31) e domingo (1º).
Em cartaz há quatro anos, assistido por mais de 180 mil pessoas e depois de três turnês nacionais seguidas, o espetáculo dirigido por Elias Andreato e estrelado por Odilon Wagner (indicado aos prêmios Shell, APCA e Bibi Ferreira pelo trabalho) e Marcello Airoldi volta para mais uma temporada.
A peça, originalmente escrita pelo premiado autor norte-americano Mark St. Germain, narra um encontro fictício entre o pai da psicanálise e o escritor, poeta e crítico literário C.S. Lewis.
Durante esse diálogo, Sigmund Freud (interpretado por Odilon Wagner), crítico implacável da crença religiosa, e Lewis (interpretado por Marcello Airoldi), renomado professor de Oxford, ex-ateu e defensor da fé baseada na razão, debatem, de forma apaixonada, o dilema entre ateísmo e crença em Deus.
“A ideia do autor foi muito feliz, colocar dois homens brilhantes, se encontrando em 1939, no início da Segunda Guerra Mundial, debatendo um dos maiores dilemas da humanidade, que é a existência de Deus”, comentou Odilon em visita à Rede Tribuna.
O ator afirmou que a ideia é fazer o público sair do teatro com “várias pulgas atrás da orelha”.
“É uma conversa divertida e filosófica entre dois pensadores que se admiram. Os personagens têm bom humor, ironia, bons argumentos e falam em uma linguagem acessível, sem palavras rebuscadas e acadêmicas”, destacou.
“A Última Sessão de Freud” já cumpriu mais de 420 apresentações e nunca parou de renovar temporadas desde a estreia, que aconteceu há quatro anos.
A peça tem duração de 90 minutos e o teatro tem acessibilidade para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.
Odilon Wagner ator
“Estou no auge da minha carreira”
A Tribuna — Como você se sente interpretando Freud, que influenciou o pensamento ocidental moderno?
Odilon Wagner — Eu tenho 56 anos de carreira e nunca interpretei um personagem tão potente como esse. É impressionante chegar aos 73 anos de idade e, agora, sentir que estou no auge da minha carreira. O Freud é um dos poucos pensadores do século XX que influenciam o mundo até os dias de hoje, e isso é sensacional.
Você sente que aprendeu algo enquanto se preparava para o espetáculo?
Muito, principalmente sobre o personagem. Eu descobri que Freud é pop. Ele tem uma legião de fãs, tem gente que até o tatuou no braço, frases dele.
É um cara que falava de sexualidade em 1905. Nem hoje estamos preparados para esse debate, imagina na época.
Quais são as questões levantadas durante a peça?
Os dois personagens se perguntam se Deus existe mesmo, qual o sentido da vida, o que estamos fazendo aqui. O tema central da peça é a religião, essa necessidade da humanidade de ter uma crença.
A ideia não é transformar ninguém em ateu ou crente. É ouvir dois lados e sair do teatro com várias pulgas atrás da orelha.
O público deve esperar apenas um diálogo filosófico ou também um debate divertido?
Os dois. É uma conversa divertidamente filosófica, um elogio ao diálogo, e que vem em um momento em que os brasileiros estão, mais do que nunca, polarizados.
São duas pessoas com ideias completamente opostas e que conseguem dialogar sem se agredir. Cada um segue com o que acha certo, sem precisar recorrer à violência. É um convite para refletirmos a nossa falta de equilíbrio.
A peça terá alguma surpresa?
Sim, mas somente hoje. Após o final do espetáculo, vamos chamar a psicanalista Cláudia Murta e o pastor Kenner Terra para subirem ao palco comigo e o Marcelo para debaterem os temas suscitados durante a peça.
E abrimos a conversa para as pessoas, todo mundo pode fazer perguntas e contribuições.
É muito bacana. Fazemos isso toda sexta-feira em que nos apresentamos, chamamos um psicanalista e um religioso, de qualquer crença.
Por vezes a conversa dura o mesmo tempo da peça. Algumas vezes eu já tive que encerrar o bate-papo porque precisávamos liberar o lugar (risos).
Serviço
“A Última Sessão de Freud”
- O quê: Peça teatral adaptada do texto original de Mark St. Germain.
- Quando: Hoje e amanhã, às 17h, e domingo, às 20h.
- Onde: Teatro Universitário da Ufes, em Goiabeiras, Vitória.
- Ingresso: R$ 90 (Meia).
- Venda: www.freud.art.br.
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