Cais das Artes recebe evento que debate arquitetura e memória
Evento vai discutir movimentos que vêm transformando a maneira de pensar, projetar e experimentar a arquitetura
O que faz um prédio, uma praça ou uma casa deixar de ser apenas uma construção e se transformar em um lugar de memória? Essa é uma das discussões que vão movimentar o Cais das Artes, em Vitória, nesta quarta-feira (02) e quinta-feira (03), durante a segunda edição do ARQ.ID.
O evento é aberto ao público e reúne profissionais para falar sobre tendências e os espaços que ajudam a construir a identidade das cidades. As inscrições devem ser feitas pelo site do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Espírito Santo (CAU-ES).
André Lima, um dos organizadores e membro do CAU-ES, explica que um dos objetivos do ARQ.ID é discutir movimentos que vêm transformando a maneira de pensar, projetar e experimentar a arquitetura, como a valorização da memória nos ambientes.
“Produzir arquitetura atualmente não significa apagar o que existia antes. Pelo contrário: cresce a importância de compreender as heranças do lugar, reconhecer referências culturais e estabelecer relações mais cuidadosas entre o novo e a história dos espaços”, explica.
Compreender que inovação e memória não são ideias opostas na arquitetura também é uma das premissas do evento, de acordo com André Lima.
“Quando observamos uma cidade, conseguimos reconhecer diferentes períodos históricos, modos de viver, materiais, técnicas construtivas, relações sociais e valores de uma sociedade por meio de sua arquitetura”, conta.
A conselheira do CAU-ES, Luiza Brunelli, destaca que, para as pessoas que buscam trazer essa arquitetura de memória dentro de suas casas, uma das principais dicas é apostar a reutilização e conservação de imóveis antigos.
“A arquitetura pode trazer uma grande carga afetiva para as pessoas. Preservar peças históricas é uma das coisas que proporcionam um maior acolhimento para o ambiente, já que pode nos remeter a momentos e pessoas especiais”, pontua.
“A arquitetura é muito sobre costumes e sonhos”
Um dos palestrantes do ARQ. ID 2026 será o arquiteto e designer Ale Brunato. No evento, ele fará uma reflexão sobre a importância das memórias e vivências inseridos nos projetos arquitetônicos.
Ele defende que um espaço não deve ser pensado apenas a partir da estética ou da função para qual ele foi projetado.
Para Ale, cada ambiente carrega possibilidades de experiências, afetos e lembranças que podem transformar a maneira como as pessoas se relacionam com ele.
A Tribuna — Por que é necessário olhar a arquitetura sob a perspectiva das memórias e como fazer isso?
Ale Brunato — Relacionar a arquitetura à memória pode nos ajudar a ler melhor o momento e entender os propósitos de um projeto. A arquitetura é muito sobre os costumes e sobre os sonhos, mas deve haver, junto a isso, uma formação técnica.
Você defende que os espaços podem ter “vocações”. O que é isso?
É a junção da arquitetura, o uso que as pessoas fazem dela e o conhecimento da história daquele lugar. Isso nos ajuda a poder perceber as vocações dos espaços, isto é, quais as funções eles desempenham.
Podemos falar que os espaços têm vocações assim como as pessoas?
Sim, é isso. E talvez aí resida um dos nossos grandes desafios atuais na arquitetura: conseguir silenciar para poder perceber essa vocação, já que ela nem sempre é tão evidente.
Para você, a memória é a nova tendência da arquitetura?
Tendência é um movimento em direção a algum lugar. É mais uma rota, uma possibilidade, do que uma certeza. Ela, muitas vezes, é engolida pela indústria. Mas não podemos perder as referências daquilo que a arquitetura deve se lembrar sempre: as pessoas e, consequentemente, as memórias que elas produzem.
Impacto na sociedade
Cultura e estudos
“A arquitetura não é algo que você compra e, amanhã, consegue substituir tão facilmente. Os projetos precisam ter peso, cultura e grandes estudos antes de serem executados. Na maioria das vezes, as obras não são feitas para uma pessoa só. Elas têm impactos na sociedade e nas cidades. É preciso entender que aquele simples edifício terá grandes influências visuais nas vias”.
Programação
Quarta-feira - 02/09
A programação começa às 9 horas, com visitas técnicas em diferentes espaços da Grande Vitória. Às 14 horas, visita à Uniq Decor e o tour pelo Centro Histórico da Prainha. Às 16 horas, visita guiada à Casacor.
Quinta-feira - 03/09
A agenda será no Cais das Artes. Às 18h30, palestra com o arquiteto e designer Alexandre Brunato e, às 20 horas, palestra com o arquiteto e urbanista Martin Corullon.
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