Empresário preso em operação policial é inocente, diz defesa
"Ele não tem envolvimento nenhum com lavagem de dinheiro", essa foi a fala de Rogério Feitosa, advogado de defesa de um dos empresário presos em esquema criminoso investigado no Estado, que resultou na realização da Operação Piànju nesta terça-feira (15).
De acordo com as investigações, a célula da quadrilha que atuava no Espírito Santo era liderada por dois grandes empresários capixabas, que agiam como "prestadores de serviços" de lavagem de dinheiro para outras organizações criminosas, tendo movimentado mais de R$ 800 milhões. Ainda segundo as apurações, o grupo criminoso tem ligação com investigados na Operação Lava Jato.
Segundo o delegado João Paulo Pinto, titular da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV), os estabelecimentos dos empresários presos são a Sandes Náutica Marine, em Vitória, e a Akira Suzuki, em Vila Velha, em Vila Velha.
Outros dois empresários foram presos durante a operação no Estado, mas a polícia não divulgou mais detalhes.
Em entrevista à reportagem de A Tribuna, Rogério Feitosa afirmou que seu cliente é inocente e que vai entrar, nesta terça (15) ou na quarta (16), com um pedido para que ele responda ao processo em liberdade.
"Por enquanto estamos na fase de reconhecimento das provas para tomar uma decisão ainda. Mas posso afirmar que ele atende os requisitos para responder em liberdade", disse o advogado.
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Operação Piànju
Policiais Civis cumpriram, nesta terça-feira (15), mandados de prisão e de busca e apreensão contra membros de uma quadrilha especializada em lavagem de dinheiro com atuação internacional e com sede no Espírito Santo. A 'Operação Piànju' tem alvos em Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica e aconteceu simultaneamente em São Paulo, Alagoas e Ceará.
De acordo com as investigações, a célula da quadrilha que atuava no Espírito Santo era liderada por dois grandes empresários capixabas que agiam como "prestadores de serviços" de lavagem de dinheiro para outras organizações criminosas, tendo movimentado mais de R$ 800 milhões. Ainda segundo as apurações, o grupo criminoso tem ligação com investigados na Operação Lava Jato.
Além de lavagem de dinheiro, a quadrilha é acusada de crimes como falsificação de documentos públicos e particulares, inserção de dados falsos em sistemas informatizados, falsidade ideológica, estelionato e falsa comunicação de crime.
Foram expedidos 126 mandados judiciais, sendo 18 mandados de prisão preventiva, 5 de prisão temporária, 30 mandados de busca e apreensão, 23 sequestros de embarcações, 43 ordens judiciais de bloqueio de contas bancárias e 2 ordens judiciais de suspensão de atividades econômicas.
Entre as ordens de busca e apreensão encontram-se canetas Mont Blanc avaliadas em cerca de R$ 300 mil, 12 imóveis, 3 veículos de luxo (Porsche Panamera, Maserati Granturismo S e Mercedes Benz GLA200FF), 12 motos aquáticas e 11 embarcações.
Dois anos de investigação
A Operação Piànju foi deflagrada pela PCES, por meio da Divisão Especializada de Furtos e Roubos de Veículos - DFRV/DEIC, tem participação do Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e conta com o apoio do Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar e da Capitania dos Portos.
Confira na íntegra as notas enviadas pelo Ministério Público do Estado e pela Polícia Civil
Ministério Público:
Durante 2 anos de investigação, a Divisão Especializada de Furtos e Roubos de Veículos comprovou que a célula da organização criminosa investigada, que atuava no Estado do Espírito Santo, composta por dois grandes empresários capixabas, além de diversos outros membros, agia como “prestadora de serviços” de lavagem de capitais para outras organizações criminosas. Possuía, inclusive, ligação com empresas e pessoas investigadas e denunciadas no âmbito de diversas fases da OPERAÇÃO LAVA JATO, da Polícia Federal, Ministério Público Federal e Justiça Federal, entre elas, a Operação CHORUME, Operação DESCARTE, bem como empresas que já foram investigadas por atuarem com os doleiros Alberto Youssef E Nelma Kodama, todos no âmbito da Força Tarefa da Operação Lava Jato, além de uma empresa investigada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), por desvios de mais de R$ 98.000.000,00 em ICMS. A organização criminosa sediada no Estado do Espírito Santo movimentou mais de R$ 800.000.000,00 (oitocentos milhões de reais – valor global).
Polícia Civil:
Foram dados cumprimentos aos mandados de prisão expedidos dos membros responsáveis pelo esquema de lavagem de capitais, que era realizado por meio de empresas de fachada e fictícias, criadas valendo-se de identidades falsas, expedidas pelo Setor de Identificação da própria Policia Civil do Estado do Espírito Santo, onde a organização criminosa se valia da precariedade do sistema atual de emissão de identidades civis e os beneficiários da lavagem, ou seja, os “clientes”, que tinham os valores remetidos para contas de empresas na China e EUA.
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