Psicóloga: “Escolha de profissão não deve se basear só no mercado”
Escolha profissional deve unir mercado e autoconhecimento, dizem especialistas
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Profissões em alta, áreas que podem crescer mesmo diante do avanço da tecnologia. São diversas questões que podem influenciar na escolha de um curso de graduação. Mas ainda que o mercado possa ser um bom termômetro, ele não deve ser o único fator de escolha, segundo especialistas.
A psicóloga Renata Perry Brandão, especialista em Psicologia do Trabalho e Psicologia Escolar, com prática em Orientação Vocacional e Profissional, aponta que o mercado sempre será um norteador para as escolhas profissionais.
“Inevitavelmente o mercado dita regras, cria tendências, gera expectativas, tendo um impacto direto no dia a dia e na trajetória de cada um. No entanto, a escolha não deve se basear apenas no mercado, mas deve iniciar por um olhar para si mesmo, em um processo de autoconhecimento, no qual o jovem se utiliza de sua bússola interna para reconhecer seus interesses, desejos, talentos e propósitos”, ressalta.
A partir daí, segundo a especialista, é possível sondar o mercado de forma crítica e consciente, fazendo uma escolha autêntica, alinhada com a sua identidade.
O que se deve evitar, de acordo com Gisélia Freitas, psicóloga especialista em Pessoas e Carreiras, é os pais projetarem nos filhos os próprios sonhos ou frustrações e transformar a escolha profissional em uma decisão definitiva e urgente.
“Outra falha frequente é associar sucesso apenas a algumas profissões tradicionais. O mercado mudou muito, e hoje existem muitos caminhos possíveis de realização profissional”.
Testes
Quando há muitas dúvidas do que se fazer, as famílias podem recorrer aos testes vocacionais, que auxiliam no mapeamento dos interesses profissionais dos adolescentes.
Porém, Renata Perry salienta que um processo de orientação vocacional e profissional não se baseia apenas em testes vocacionais, mas também em entrevistas psicológicas, exercícios dirigidos, momentos de pesquisas sobre cursos, profissões e mercado e, principalmente, muita conversa com o adolescente para que possa refletir e organizar suas ideias.
“Vale ressaltar que os testes devem ser validados pelo Conselho Federal de Psicologia e aplicados por psicólogos especializados na área”.
Para Kleber Pereira Alves, coordenador da Câmara de Recursos Humanos do Conselho Regional de Administração do Estado (CRA-ES), os “testes vocacionais podem ser úteis como ferramenta de reflexão, mas não devem ser vistos como uma resposta definitiva”.
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