Enem pode ter questões discursivas a partir de 2028
Presidente do Inep diz que a ideia é incluir exercícios de síntese e alinhar o exame aos itinerários formativos do ensino médio
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) poderá ter também questões discursivas a partir de 2028, segundo o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Manuel Palácios.
A informação foi confirmada em entrevista durante o VI Seminário Internacional de Gestão Educacional do Instituto Unibanco. A convite da organização, a reportagem acompanhou a programação do evento que ocorreu em São Paulo na última quarta-feira.
“Não se trata de ter mais de uma redação dentro da prova. A ideia é manter a redação e adicionar questões que sejam discursivas. Uma proposta estudada é apresentar um texto e pedir que o aluno faça alguma síntese do que foi abordado”, explicou Palácios.
Na opinião do presidente do Inep, essa seria uma alternativa para ampliar as formas de avaliar o que o estudante consegue fazer a partir de um texto, incluindo habilidades como compreensão, interpretação e síntese, além das respostas objetivas já utilizadas atualmente.
Outra mudança em estudo pelo Inep é a possibilidade de a prova do Enem levar em consideração os itinerários formativos escolhidos pelos estudantes durante o ensino médio, como Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza ou Ciências Humanas.
“Nesse modelo, o exame teria uma parte comum a todos, relacionada às aprendizagens previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), e outra parte eletiva com questões voltadas à área de aprofundamento escolhida pelo aluno”, diz Palácios.
O presidente do Inep reforça, entretanto, que qualquer alteração no formato da prova será feita de maneira gradual e anunciada com antecedência: “Nós sabemos do tamanho e da importância que o Enem tem para os estudantes. Qualquer alteração será feita a partir de muito diálogo, estudos e com um anúncio prévio”.
Professores do Espírito Santo ouvidos por A Tribuna dizem que a mudança pode trazer resultados positivos para avaliar mais habilidades dos estudantes, mas defendem que é preciso definir bem como será o novo formato da prova.
Manuel Palácios presidente do Inep: “Ensino médio é o maior desafio”
A Tribuna A partir deste ano, o Enem passa a ser usado para avaliar os estudantes ao fim do ensino médio. Qual o motivo dessa mudança?
Manuel palácios Nós fizemos uma série de estudos que mostraram que o engajamento dos alunos no Enem é bem maior do que no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
Por isso, entendemos que os resultados sobre o nível de aprendizagem dos alunos serão mais fiéis. Além, é claro, de nos permitir avaliar as escolas particulares.
Há alguma estratégia para garantir que uma boa porcentagem dos alunos participe das provas?
Sim. Estamos trabalhando com ações de mobilização para isso. A medida de fazer a inscrição automática dos alunos das escolas públicas também deve nos ajudar a ter um número expressivo de participantes neste ano.
Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) foram divulgados recentemente. Qual a sua avaliação do cenário brasileiro?
Os números confirmam que o ensino médio é a etapa mais desafiadora da educação básica, apresentando um desenvolvimento mais lento do que as outras.
Mas vemos também que alguns estados evoluíram bastante nos últimos anos, incluindo alguns que não são potências econômicas. Isso mostra que políticas, esforço e investimento fazem diferença.
Propostas
Questões discursivas
O Enem poderá passar a ter questões de resposta aberta a partir de 2028. A proposta não é criar uma segunda redação, mas incluir itens em que o estudante precise desenvolver uma resposta própria, por exemplo, resumindo ou sintetizando as informações de um texto.
Itinerários formativos
Outra possibilidade em estudo é fazer com que parte da prova considere a área de aprofundamento escolhida pelo estudante no ensino médio.
Nesse modelo, todos continuariam fazendo uma parte comum, mas poderia haver também um bloco de questões eletivas relacionadas ao itinerário cursado.
Nova matriz de referência
O Inep trabalha em uma nova matriz para orientar o que será avaliado no Enem, com maior alinhamento à Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Essa mudança não deve provocar uma transformação brusca na prova. A nova matriz será incorporada gradualmente, com divulgação prévia para que escolas e estudantes possam se preparar.
Avaliação do ensino
O Enem passa a ter também a função de avaliar a qualidade do ensino médio, substituindo a prova do Saeb.
Com maior engajamento dos alunos e resultados anuais, o Inep espera que a mudança permita uma avaliação mais precisa.
Fonte: Inep.
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