Aposta é resolver provas anteriores: disputa é maior desde 2020
Inep confirma 5.055.818 inscrições e docentes reforçam que a concorrência exige foco, treino com provas antigas e planejamento de estudos
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 será o mais concorrido desde 2020. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 5.055.818 pessoas tiveram as inscrições confirmadas e estão aptas a realizar a prova em 2026. Em 2020 foram 5,7 milhões.
O crescimento no número de candidatos reforça a importância do Enem como uma das principais portas de entrada para o ensino superior no Brasil.
A professora de História da Escola Americana de Vitória, Larissa Heringer, avalia que o crescimento das inscrições é um avanço para a educação brasileira.
“Querendo ou não, esse é um instrumento de medição dos avanços que a gente tem colocado em prática na educação brasileira”, afirma.
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Apesar do aumento na concorrência, a professora destaca que o estudante não deve encarar o exame apenas como uma disputa contra outros candidatos. Segundo ela, o foco deve estar na própria preparação. “O aluno não está ali competindo contra outros candidatos, contra outras pessoas. Ele está mostrando a sua preparação, o resultado do caminho de estudos que foi traçado durante um ano e até durante uma vida escolar”, explica.
O professor de Interpretação do Darwin, Paulo de Tarso, conta que com mais candidatos, a preparação precisa ser ainda mais estratégica. “Não dá para ir na base do improviso. O aluno precisa ter muita referência cultural, conhecimento e também resistência para pensar em estratégias de resolução das questões, porque senão o tempo não fecha”, destaca.
Entre os milhares de estudantes que farão o exame está Mateus Casagrande, de 17 anos, aluno do 3º ano do ensino médio. Ele pretende utilizar a nota do Enem para tentar uma vaga no curso de Direito da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
Na reta final de preparação, o estudante mantém uma rotina de cerca de 10 horas de estudos por dia. “Eu tenho um planejamento de estudos que sigo a cada dia da semana”, afirma.
Uma das principais recomendações dos professores é transformar o conhecimento em prática. Para isso, resolver provas anteriores aparece como uma das estratégias mais indicadas pelos especialistas, já que permite ao estudante entender o estilo da avaliação, identificar os conteúdos mais cobrados e se familiarizar com a forma como as questões são apresentadas.
Segundo os professores, o Enem possui uma estrutura própria, com questões que exigem interpretação, análise de informações e aplicação dos conhecimentos.
O professor Paulo Victor Scherrer, de Biologia, destaca que conhecer o histórico do exame é fundamental neste momento. “Pegar as provas antigas e conhecer a proposta é o passo mais importante para o aluno agora”, afirma.
Segundo ele, a avaliação mantém uma lógica de cobrança ao longo dos anos, principalmente por meio das habilidades exigidas dos estudantes.
A professora de Português Erika Carraretto, do Colégio Salesiano Nossa Senhora da Vitória, reforça que o contato com questões anteriores ajuda o candidato a reconhecer padrões de cobrança.
“Se você faz as questões anteriores, isso vai te dar mais tranquilidade para poder fazer a do ano seguinte. Porque se a banca é a mesma, o modelo de questão também é muito parecido”, destaca.
A recomendação dos professores é que a prática seja estratégica, observando os erros, entendendo as respostas e reforçando conteúdos em que ainda há dúvidas.
Professores dão dicas de estudo
Filosofia
Filosofia antiga, pré-socráticos, moderna e política, com foco nos contratualistas (Hobbes, Locke e Rousseau, estudando temas como estado de natureza, contrato social e origem do Estado).
Sociologia
Clássicos da Sociologia, indústria cultural, cultura de massa, consumo, movimentos sociais, Estado e cidadania, direitos, movimentos ambientais, precarização e uberização do trabalho, fluxos migratórios e globalização.
Aprenda os conceitos-chave. Mantenha-se atualizado, acompanhando temas contemporâneos.
Amarildo Benezoli, professor de Filosofia e Sociologia do Centro Educacional Primeiro Mundo
Biologia
Desequilíbrios ambientais (poluição, desmatamento, efeito estufa, mudanças climáticas, impactos ambientais e conservação da biodiversidade).
Biotecnologia.
Evolução (seleção natural, teorias evolutivas, adaptação e especiação).
Genética (DNA, hereditariedade e transmissão de características em humano ou em outros seres vivos).
Saúde coletiva e individual (vacinação, doenças infecciosas, prevenção, saneamento básico e saúde pública).
Ecologia (em menor escala com as cadeias alimentares, relações ecológicas, ciclos biogeoquímicos e fluxo de energia).
Paulo Victor Scherrer, professor de Biologia
Química
Soluções (formas de calcular concentrações e diluição de misturas).
Estequiometria (cálculos químicos).
Termoquímica (estudo de calor, entalpia e reações exotérmicas ou endotérmicas).
Equilíbrio químico (escala de pH, pOH e deslocamento de equilíbrios).
Química Ambiental (poluição, efeito estufa, chuva ácida e tratamento da água. Esse é um dos temas mais recorrentes na prova e frequentemente relacionado a questões do cotidiano).
Química Orgânica (funções orgânicas, propriedades dos compostos e reações orgânicas).
Ronny Santana, professor de Química da Escola Americana
Física
Eletrodinâmica (corrente elétrica, potência, resistência, circuitos e consumo de energia).
Termologia (calor, temperatura, trocas de calor e mudanças de estado físico).
Ondulatória (som, luz, propagação de ondas, reflexão, refração e efeito Doppler).
Mecânica (movimentos, forças e energia).
Óptica (comportamento da luz, fenômenos ópticos e formação de imagens).
Hidrostática (pressão, densidade e empuxo).
Atenção especial para interpretação e as aplicação dos conceitos no cotidiano.
Tyrone Soares Quintela Júnior, professor de Física da Rede Estadual
Matemática
Funções e Álgebra: Função do 1º e 2º Grau (gráficos, raízes e pontos de máximo ou mínimo) e Progressões (aritmética e geométrica).
Geometria plana (áreas de polígonos, teorema de Pitágoras e semelhança de triângulos).
Geometria espacial (volume e área de prismas e cilindros).
Estatística (gráficos, tabelas, média, mediana, moda e probabilidade).
Razão e Proporção: escalas, velocidade média e densidade.
Porcentagem: aumentos, descontos e juros simples.
Matemática básica (regra de três, propriedades, potenciação, radiciação, equações e inequações).
Camila Souza, professora de Matemática do Colégio Crescer PHD
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