2.466 jovens professores dão aulas nas escolas do Espírito Santo
Este é o número de profissionais com idade máxima de 30 anos na rede estadual de ensino. Desse total, 310 têm até 24 anos
Seguindo o sonho da época em que ainda era estudante, Rayssa Morais Gomes, de 26 anos, decidiu ser professora. Há dois anos, ela ministra aulas de História, Geografia e Robótica na Escola Monteiro, em Vitória, e diz que não se vê em outra profissão.
“Confesso que o meu primeiro dia foi assustador. Mas com o passar do tempo, percebi que sempre quis estar na sala de aula, buscando fazer com que eles acreditem no potencial que têm”.
A professora faz parte de uma geração de jovens que escolheu a docência. De acordo com dados divulgados pelo Instituto Semesp, atualmente 12 mil profissionais com até 24 anos atuam no Brasil.
No Espírito Santo, a rede estadual de ensino conta com 2.466 professores de até 30 anos em exercício. Desse total, 310 têm até 24 anos, segundo a Secretaria de Estado da Educação (Sedu).
O diretor de Políticas Educacionais do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes), Marcelo Castro, diz que a chegada dos mais jovens traz inúmeros benefícios.
“Os jovens chegam trazendo as ideias mais atuais que estão disseminadas na sociedade. Há um rejuvenescimento do planejamento e da execução do trabalho”.
Apesar disso, a presença de profissionais jovens na docência vem diminuindo no País. Segundo o levantamento do Instituto Semesp, o número de professores com até 24 anos caiu 31,1% entre 2015 e 2025.
“Falta de valorização, aumento da violência nas escolas e piora da saúde mental são alguns dos motivos”, adiciona Marcelo.
Por isso, o presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Espírito Santo (Sinepe-ES), Moacir Lellis, defende uma maior valorização da carreira docente.
“É importante que as escolas e instituições busquem proteger, defender e valorizar esses profissionais. Se nada for feito, teremos uma grande perda na educação”.
Ainda assim, a professora Rayssa diz que o trabalho vale a pena. “Todos os dias ajudamos esses alunos a conquistarem seus sonhos”.
Sonhos de infância
“Criamos vínculos profundos”
Aos 23 anos, Luana Rodrigues vive um sonho de infância como professora da educação infantil no Centro Educacional Sonho Meu.
Entre as histórias de dois anos de sala de aula, ela lembra de um aluno que chorou ao saber que teria aula com Luana de novo. “Percebi que além de ensinar, nós criamos vínculos profundos com eles”.
Poder da educação
“Muito orgulho”
Aos 24 anos, Isadora de Alvarenga Monteiro é uma das professoras mais jovens da rede estadual, onde dá aulas de Língua Portuguesa, e diz acreditar no poder da educação.
“Tenho muito orgulho da escolha que fiz. Quero que eles percebam que podem alcançar os melhores lugares por meio da escrita, da fala e do pensamento”.
Raio X
Professores jovens
- No Espírito Santo são 2.466 professores de até 30 anos em exercício.
- Desse total, 310 têm até 24 anos.
- No Brasil 12 mil profissionais em atuação têm até 24 anos
Benefícios
- A chegada de novos profissionais contribui para a renovação das práticas dentro das escolas.
- Professores mais jovens costumam chegar mais próximos de novas tecnologias, tendências da sociedade e metodologias recentes de ensino. Presença também ajuda a renovar ideias, planejamentos e formas de executar atividades pedagógicas.
Troca de experiências
- A convivência entre professores mais jovens e profissionais experientes pode favorecer a troca de conhecimentos dentro das escolas.
Cenário atual
- Apesar da importância desses profissionais, a presença de docentes mais jovens vem caindo no País.
- O número de professores com até 24 anos diminuiu 31,1%, passando de cerca de 17 mil para 12 mil profissionais, segundo levantamento do Instituto Semesp.
- Na outra ponta, o número de docentes com 60 anos ou mais, mais que dobrou no período analisado. O total passou de aproximadamente 18 mil para 37 mil profissionais, um crescimento de 104,5%.
O que explica
- Entre os fatores apontados por representantes da categoria estão a falta de valorização profissional, as condições de trabalho, a violência no ambiente escolar e os impactos da rotina sobre a saúde mental.
- Também há preocupação com a permanência dos jovens que ingressam na carreira.
- Isso traz um desafio para o futuro, já que aumenta a preocupação com a renovação do quadro de professores.
O que pode ser feito
- Representantes da área defendem maior valorização da carreira docente para atrair e manter profissionais mais jovens nas escolas.
- Entre as medidas apontadas estão melhores salários, planos de carreira mais atrativos e condições adequadas de trabalho, além de ações de apoio à saúde mental.
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