Yuan digital abre nova rota para negócios do ES com a China
Brasil passou a integrar em junho as jurisdições alcançadas por pagamentos transfronteiriços em moeda digital chinesa, segundo a Pagsmile
O avanço internacional do yuan digital abre uma nova rota para negócios de empresas do Espírito Santo com a China. Segundo a Pagsmile, empresa de pagamentos internacionais, desde junho deste ano o Brasil está entre as jurisdições alcançadas por pagamentos transfronteiriços em e-CNY, a versão digital da moeda chinesa.
A expansão ocorre em um momento de crescimento de novas estruturas para pagamentos internacionais que buscam reduzir a quantidade de intermediários nas transações entre países. Entre elas está o mBridge, plataforma de blockchain criada em 2021 sob coordenação do Banco de Compensações Internacionais (BIS).
Segundo dados apresentados pela Pagsmile, o mBridge já liquidou US$ 55,5 bilhões em mais de 4.000 transações, com aproximadamente 95% do volume em yuan digital.
A plataforma foi desenvolvida a partir da colaboração entre o BIS Innovation Hub, o Banco da Tailândia, o Banco Central dos Emirados Árabes Unidos, o Instituto de Moeda Digital do Banco Popular da China e a Autoridade Monetária de Hong Kong. O Banco Central Saudita aderiu como participante pleno em 2024.
O mBridge utiliza uma estrutura própria, o mBridge Ledger, para processar pagamentos transfronteiriços e operações de câmbio em tempo real diretamente entre as partes. A proposta é reduzir uma cadeia que, segundo o material, normalmente envolve de três a cinco bancos intermediários, cada um com procedimentos próprios de verificação e compliance.
“O pagamento internacional ainda funciona com uma arquitetura desenhada há décadas, em que o dinheiro passa por vários intermediários até chegar ao destino. Cada elo adiciona custo, prazo e risco operacional. O que projetos como o mBridge testam é se dá para liquidar diretamente entre bancos centrais, com finalização imediata. Independentemente de qual plataforma prevalecer, essa é a direção técnica do setor”, afirma o CEO da Pagsmile, Marlon Tseng.
Brasil é observador
O Banco Central do Brasil consta na lista de membros observadores do mBridge divulgada pelo BIS, segundo a Pagsmile. Também estão nesse grupo o Banco Central Europeu, o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e o New York Innovation Center do Federal Reserve de Nova York.
A Pagsmile afirma ainda que, em junho deste ano, a expansão do centro internacional de operações do e-CNY, em Xangai, estendeu os pagamentos transfronteiriços em yuan digital a jurisdições que incluem Brasil, Singapura e Emirados Árabes Unidos.
A inclusão não significa que qualquer empresa do Espírito Santo possa automaticamente utilizar o yuan digital em suas operações. O movimento, porém, coloca o Brasil no alcance dessa nova infraestrutura em um momento de forte relação comercial com a China.
Segundo dados do Comex Stat citados no material, o comércio entre Brasil e China somou US$ 171 bilhões em 2025, mais que o dobro do fluxo com os Estados Unidos. A China respondeu ainda por 28,7% das exportações brasileiras.
Dólar segue dominante
Apesar da expansão dessas novas estruturas, os números apresentados pela Pagsmile mostram que o avanço do yuan ainda está distante de representar uma substituição do dólar.
No primeiro trimestre deste ano, o dólar respondia por 57,13% das reservas cambiais globais declaradas, enquanto o yuan representava 1,99%, segundo dados do FMI citados no material.
Nos pagamentos globais realizados pela rede Swift, a participação do yuan chegou a 4,74% em meados de 2024 e recuou para uma faixa entre 2,75% e 3,1% no início de 2026, conforme os dados apresentados pela Pagsmile.
Para Tseng, a transformação relevante está menos na disputa sobre qual moeda substituirá o dólar e mais na coexistência de diferentes estruturas para movimentar recursos internacionalmente.
“O que está acontecendo não é a substituição de um sistema por outro, é a coexistência de vários. Para quem opera pagamentos, isso significa que a interoperabilidade deixa de ser um detalhe técnico e passa a ser o problema central. A empresa que vende para três continentes vai precisar conviver com trilhos diferentes, regras diferentes e moedas diferentes na mesma operação”, afirma.
O mBridge deixou de ser coordenado pelo BIS em 2024. Desde então, segundo o material, passou a ser operado pelos bancos centrais e autoridades monetárias da China, Hong Kong, Tailândia, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.
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