Startup do ES transforma resíduos agrícolas em biomateriais e vence prêmio nacional
Acelerada pela Bbutton Ventures, empresa venceu na Naturaltech com esfoliante feito de casca de arroz e microcelulose da bananeira
Redação Multimídia
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Uma startup capixaba vem chamando atenção no setor de cosméticos sustentáveis ao transformar resíduos agrícolas em biomateriais de alta performance. Fundada pelas empreendedoras Karla Feu e Roberta Tristão Pinto, a B.Kemi conquistou a categoria Sustentabilidade do Clean Beauty Awards, premiação considerada uma das mais relevantes do segmento de cosméticos naturais e sustentáveis.
O reconhecimento foi anunciado durante a Naturaltech, feira de produtos naturais, orgânicos e de bem-estar apontada como a maior da América Latina. A B.Kemi venceu com um esfoliante 100% biodegradável desenvolvido a partir de casca de arroz e de microcelulose extraída da bananeira, tecnologia criada pela própria empresa.
Para a startup, o prêmio funciona como validação de uma proposta construída nos últimos anos: substituir ingredientes importados e insumos derivados do petróleo usados pela indústria por alternativas sustentáveis produzidas a partir de resíduos agrícolas brasileiros.
“O problema que enxergamos era muito claro. Grande parte das matérias-primas utilizadas pela indústria cosmética é derivada do petróleo e importada. Ao mesmo tempo, o Brasil é o país com a maior biodiversidade do planeta, mas ainda possui poucos produtores de matérias-primas sustentáveis. Queríamos criar uma alternativa feita aqui, utilizando recursos brasileiros e gerando impacto positivo”, afirma a fundadora da B.Kemi, Karla Feu.
Tecnologia própria e economia circular no centro do projeto
Segundo a empresa, a solução é baseada em química verde e economia circular, com uma metodologia que busca reduzir impactos ambientais em relação a processos convencionais. A tecnologia está em processo de patenteamento e tem como diferencial o reaproveitamento integral da bananeira, um dos cultivos mais presentes no país.
“Criamos um protocolo próprio de produção. Aproveitamos tudo o que sobra da bananeira e transformamos esse material em biomateriais de alto valor agregado. Nosso diferencial está justamente em unir inovação, sustentabilidade e aproveitamento integral dos resíduos agrícolas”, explica Karla.
Entre os pontos destacados pela startup, estão:
- reaproveitamento de resíduos agrícolas como insumo industrial
- foco em biomateriais para substituir matérias-primas fósseis e importadas
- desenvolvimento de tecnologia própria, com pedido de patente em andamento
Da aceleração no ES à vitrine nacional e novos mercados
Antes do reconhecimento nacional, a B.Kemi passou pelo Programa Habitats, iniciativa da Mobilização Capixaba pela Inovação (MCI) em parceria com Sebrae/ES e Fapes, com execução da Bbutton Ventures. De acordo com a empresa, o processo contribuiu para validação de mercado e estruturação do modelo de negócio.
“Somos clientes da Bbutton praticamente desde o início da nossa trajetória. Participar dos programas de aceleração foi um diferencial gigantesco para a empresa. Tivemos acesso a direcionamentos estratégicos que ajudaram a transformar uma tecnologia promissora em um negócio preparado para o mercado”, destaca a empreendedora.
Para Flávio Aguilar, sócio da BButton Ventures, a trajetória da startup representa um tipo de inovação alinhada às demandas atuais da indústria. “Estamos falando de uma tecnologia proprietária, desenvolvida no Espírito Santo, que resolve desafios reais da indústria utilizando resíduos agrícolas abundantes no Brasil. É uma solução alinhada às tendências globais de sustentabilidade, economia circular e substituição de matérias-primas fósseis. O reconhecimento nacional é consequência da qualidade da inovação que está sendo construída”, afirma.
Atualmente, a empresa atua em duas frentes:
- Green Silk: celulose microfibrilada voltada para a indústria cosmética
- Dust Less: solução natural para controle de poeira destinada ao setor de mineração
Ainda em fase inicial de operação comercial, a startup afirma que já mapeia oportunidades fora do Brasil. Durante a Naturaltech, a equipe relata ter conversado com potenciais clientes, investidores e parceiros estratégicos, com foco em expansão e exportação.
“Nossa matéria-prima foi muito bem recebida. Tivemos conversas com leads extremamente qualificados e parceiros estratégicos. Isso mostrou que existe mercado e interesse por soluções como a nossa”, afirma Karla. A B.Kemi também integra o Programa Tecnova III, voltado ao fomento de inovação, e segue acompanhada pela Bbutton Ventures em trilhas de estruturação gerencial e expansão comercial.
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