Vale faz proposta para criar 2 milhões de empregos no Brasil
Plano reúne 15 medidas para destravar a mineração e estima potencial de R$ 550 bilhões para o setor na próxima década
A Vale lançou uma proposta para acelerar o crescimento da mineração e posicionar o Brasil como protagonista global no setor até 2035. O documento estima um potencial adicional de crescimento de cerca de R$ 550 bilhões para o setor na próxima década, em comparação com a década passada, e prevê a criação de até 2,3 milhões de postos de trabalho no país.
Chamado de “Destravando o Potencial da Mineração no Brasil”, o relatório foi elaborado com a colaboração da Accenture e será entregue a todos os candidatos à Presidência em 2026. A proposta reúne 15 iniciativas estratégicas, organizadas em quatro agendas prioritárias.
Quatro agendas para destravar a mineração
As iniciativas apresentadas no plano se dividem em eixos considerados essenciais para ampliar investimentos e competitividade. Entre os temas centrais, estão:
- licenciamento ambiental;
- integração da cadeia da mineração;
- ambiente de negócios e segurança institucional;
- impacto sobre comunidades e territórios.
Para o consultor empresarial Durval Vieira de Freitas, da DVF Consultoria, a proposta pode representar aumento da produção da Vale e maior participação em minerais críticos, como cobre, níquel e terras raras.
"Para você ter uma ideia, a tendência é aumentar muito a produção de carro elétrico, não mais carro a combustível. E o carro elétrico consome o dobro de cobre do que um carro a gasolina. Então, eles devem mais que dobrar a produção de cobre e também de níquel e lítio, principalmente níquel para baterias"
Freitas acredita, por outro lado, que a produção de minério de ferro, principal produto ligado ao Espírito Santo, não deve ter investimento superior a 50%.
"A siderurgia eu não acredito que vá crescer na mesma proporção. O consumo de aço vem aumentando muito pouco nos últimos tempos, substituído por material plástico"
Relevância das operações no Espírito Santo
As operações no Espírito Santo já têm grande peso na estrutura da mineradora, avalia o especialista em negócios Jaques Paes. Em 2025, a Vale produziu 336 milhões de toneladas de minério de ferro, enquanto a ferrovia que chega ao Complexo de Tubarão movimentou 116,9 milhões de toneladas por ano.
"Quando colocamos esses números lado a lado, temos uma ordem de grandeza equivalente a aproximadamente 35% da produção anual de minério de ferro da companhia, o que ajuda a dimensionar a relevância do Estado"
Plano pode destravar projeto no Sul capixaba
No Estado, o principal investimento da Vale deve se concentrar nas plantas de briquete verde — o HBI, um aglomerado de minério de ferro prensado a frio que dispensa o uso de água, tornando o processo mais ambientalmente responsável e facilitando a comercialização, explica Durval Vieira de Freitas. A siderúrgica possui um projeto para Anchieta, no litoral Sul.
Para o período de dez anos, Freitas estima que podem ser construídas até quatro plantas, com capacidade total de cerca de 12 milhões de briquetes.
"E é um plano audacioso"
O vetor da descarbonização é apontado como o mais promissor na siderurgia, afirma o subsecretário de Estado de Desenvolvimento Regional, Celso Guerra.
"O Estado abriga a primeira usina de briquetes de minério de ferro do mundo e detém competência instalada em pelotização de minério de alta gradação, o que o posiciona como candidato natural a polo de metálicos de baixa emissão, com desdobramentos sobre gás natural, energia renovável e bens de capital"
Guerra destaca que a prioridade do governo estadual é elevar o percentual de compras e contratações locais e a densidade tecnológica dos fornecedores.
"Os R$ 26 bilhões já anunciados por Vale e Samarco para o Estado nesta década são a parcela visível dessa oportunidade. O que a converterá em desenvolvimento regional é a capacidade de ampliar compras locais, ordenar territorialmente a expansão logística e ao mesmo tempo avançar na agenda de sustentabilidade e meio ambiente"
A perspectiva, segundo o subsecretário, é que os Parklogs se tornem o principal instrumento da política estadual voltada a esse objetivo, somados à capacidade portuária e ferroviária já instalada.
"Isso permite que o crescimento do setor de mineração não se esgote no embarque de minério, mas se desdobre em diversificação econômica"
Entenda
Crescimento
- O documento estima que a produção mineral brasileira salte dos atuais R$ 300 bilhões para até R$ 535 bilhões anuais em 2035;
- A previsão é de uma arrecadação fiscal de até R$ 1,3 trilhão no ciclo entre 2026 e 2035, em comparação aos R$ 750 bilhões arrecadados na última década;
- Os R$ 1,3 trilhão previstos, em arrecadação fiscal, devem se converter na criação de 23,1 milhões de vagas em escola integral ou 17,2 milhões de vagas em creches, projeta;
- A projeção também equivale à construção de 870 mil leitos hospitalares ou à pavimentação de 478 mil quilômetros de vias.
Emprego e renda
- O impacto total sobre o mercado de trabalho pode expandir a cadeia de empregos diretos, indiretos e induzidos de 3 milhões para até 5,3 milhões até 2035;
- Segundo o CEO da Vale, Gustavo Pimenta, o objetivo é estruturar uma agenda propositiva que transforme a mineração em uma plataforma de crescimento econômico e distribuição de renda;
- Para Fernando Saliba, diretor-presidente do ES em Ação, a atividade de exportação da Vale é fundamental para a economia capixaba e para o equilíbrio das contas do Estado, especialmente diante dos impactos esperados da reforma tributária sobre a arrecadação estadual.
Desafios e sustentabilidade
- O levantamento aponta que apenas 28% do território brasileiro possui mapeamento geológico adequado para orientar decisões de investimento em pesquisa mineral;
- No pilar socioambiental, a produção de minerais essenciais para veículos elétricos, painéis solares e turbinas eólicas no Brasil pode evitar entre 1,6 e 2 gigatoneladas de CO2 equivalente por ano no mundo até 2050;
- A siderúrgica busca ser líder na descarbonização da siderurgia, com custos competitivos.
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