Soja abre nova fronteira para o agronegócio no Espírito Santo
Empresa investe no processamento do grão para produzir farelo e óleo e atender criadores de aves, suínos e bovinos no Espírito Santo
Quem percorre o Norte do Espírito Santo percebe rapidamente a força do agronegócio. O café conilon domina a paisagem, acompanhado por culturas tradicionais como mamão, pimenta-do-reino e feijão. Mas uma nova cultura vem ganhando espaço e abrindo oportunidades para produtores que buscam diversificação, rentabilidade e sustentabilidade econômica: a soja.
Embora ainda represente uma pequena parcela da agricultura capixaba, a soja possui enorme potencial de crescimento e começa a abrir uma nova fronteira agrícola no Estado.
“O próprio governo do Estado já reconhece a cultura como uma das novas fronteiras agrícolas do Espírito Santo, capaz de ampliar a renda das propriedades e diversificar a produção estadual”, destaca o empresário Arthur Orletti Sanders.
Foi enxergando esse cenário que a AgroSanders decidiu investir não apenas na produção de soja, mas em um passo ainda mais importante: a industrialização.
“Desde 1983, a empresa constrói sua história baseada em inovação, tecnologia e visão de longo prazo. Em mais de quatro décadas, ampliou suas atividades agrícolas e passou a investir em soluções que agregam valor dentro da própria fazenda, reduzindo a dependência da venda exclusiva de commodities. Hoje, esse investimento se materializa em uma moderna unidade de processamento de soja.”
A proposta vai além de beneficiar a produção da fazenda. Ao transformar o grão em farelo de soja e óleo vegetal, a empresa pretende manter no Espírito Santo parte da riqueza.
A expectativa é abastecer produtores de aves, suínos e bovinos com farelo produzido localmente.
O modelo também aposta na sustentabilidade como estratégia de competitividade. A empresa investe em tecnologia, mecanização e agricultura de precisão para elevar a produtividade nas áreas já consolidadas, aumentando a eficiência no uso de insumos e dos recursos naturais, sem necessidade de expandir a área cultivada.
Para ele, os impactos extrapolam os limites da fazenda. “Quando o agro cresce, movimenta toda a cidade. Transporte, oficinas, revendas de máquinas, comércio, prestadores de serviço e fornecedores de insumos também são beneficiados. Isso gera empregos, aumenta a arrecadação dos municípios e fortalece a economia regional.”
1,2 tonelada por hora em fábrica
Em novembro deste ano, a AgroSanders vai inaugurar a primeira fábrica de processamento de soja do Espírito Santo. A unidade foi instalada na Fazenda AgroSanders, em Pinheiros, uma das propriedades precursoras do cultivo de soja em território capixaba.
Enquanto boa parte da soja brasileira percorre centenas ou milhares de quilômetros até chegar às indústrias processadoras, a AgroSanders realizará esse trabalho dentro do próprio Espírito Santo.
A capacidade instalada da fábrica será de aproximadamente 1,2 tonelada de soja por hora — o equivalente a quase 30 toneladas por dia —, transformando o grão em dois produtos fundamentais para o agronegócio brasileiro: farelo de soja de alto valor nutricional para alimentação animal e óleo vegetal degomado destinado ao uso agrícola, ou seja, primeiro estágio de processamento do óleo de soja, antes de ele se tornar o conhecido óleo de cozinha.
Essa estratégia permite capturar maior valor sobre a produção, gerar empregos, movimentar a economia regional e oferecer produtos com rastreabilidade e controle de qualidade desde a lavoura até o cliente final.
Além disso, a empresa produzirá aproximadamente 160 toneladas de óleo vegetal degomado por ano, atendendo produtores rurais e parceiros comerciais que buscam qualidade, regularidade e confiabilidade.
“Poucos produtos são tão importantes para o agronegócio quanto o farelo de soja. Ele é a principal fonte de proteína utilizada na fabricação de rações para aves, suínos, bovinos de leite e corte, peixes e diversas outras cadeias produtivas. Produzir farelo dentro do Espírito Santo significa reduzir custos logísticos, aumentar a disponibilidade do produto e fortalecer toda a pecuária regional”, disse o empresário Arthur Orletti Sanders.
Cultura ganha força na região Norte do Espírito Santo
Com avanço da irrigação, áreas mecanizáveis e demanda crescente por proteína vegetal, a cultura de soja ganha força principalmente no Norte capixaba, onde municípios como Pinheiros, Montanha, Mucurici, Ponto Belo, Pedro Canário e São Mateus despontam como regiões com maior potencial de expansão.
Segundo o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, o cultivo tem importância estratégica não apenas pela produção do grão, mas pelo impacto em toda a cadeia do agronegócio.
A soja é matéria-prima para o farelo usado na alimentação animal, essencial para setores como avicultura, suinocultura e pecuária, além da produção de óleo e biodiesel.
“O potencial capixaba está diretamente ligado à forte demanda interna. O Espírito Santo possui uma das maiores cadeias avícolas do país, com destaque para Santa Maria de Jetibá, maior produtor de ovos do Brasil, além de uma pecuária que também depende do fornecimento de proteína para ração. Hoje, grande parte do farelo de soja utilizado no Estado vem de outras regiões”, cita o secretário.
Testes
Bergoli revela que produtores do Norte já realizam testes com diferentes variedades, buscando identificar as cultivares mais adequadas ao clima e às janelas de plantio.
A expectativa é que, com o avanço das pesquisas e a chegada de uma indústria de processamento no Estado, a cultura ganhe escala e agregue mais valor à produção capixaba.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários