Sócios da Apex Partners entram na Justiça contra ex-presidente da empresa
Objetivo é responsabilizar Fernando Antonio Kulnig Cinelli por gestão temerária e má-fé. Ação requer ainda o bloqueio de seus bens preventivamente
Sócios da Apex Partners vão acionar a Justiça contra o ex-presidente da plataforma de investimentos capixaba, Fernando Antonio Kulnig Cinelli, por suposta gestão temerária e má-fé. A ação de responsabilidade também pede o bloqueio preventivo dos bens do ex-executivo.
De acordo com a companhia, o afastamento de Cinelli ocorreu após apurações internas que identificaram inconsistências financeiras nas operações. A empresa afirma que adotou medidas para preservar a continuidade do negócio e aprofundar o esclarecimento dos fatos.
Inconsistências e afastamento da diretoria
O ex-presidente da Apex foi afastado do cargo após lideranças da empresa identificarem as inconsistências financeiras. Na mesma decisão, a diretoria financeira também foi alvo de medidas imediatas.
"As providências são resultado de um rigoroso processo de apuração interna conduzido pela própria Apex, que identificou inconsistências financeiras. Assim que foram constatadas, a companhia iniciou uma série de medidas para preservar suas operações e aprofundar o esclarecimento dos fatos. Uma das medidas adotadas foi o afastamento imediato dos executivos que ocupavam a Presidência e a Diretoria Financeira"
Após o afastamento de Cinelli, a presidência da Apex Partners passou a ser exercida interinamente por Marcelo Murad, sócio sênior da companhia.
Auditoria externa e próximos passos
A empresa informou que está em andamento a contratação de uma auditoria externa e independente. Segundo a Apex, o trabalho terá como objetivo dimensionar os impactos das inconsistências financeiras identificadas, aprofundar a apuração dos fatos e oferecer segurança para a condução dos compromissos da companhia com clientes, investidores, parceiros e demais stakeholders.
Em nota, a Apex Partners afirmou que seguirá conduzindo o processo com "transparência, responsabilidade e respeito a todos os envolvidos".
"A prioridade da companhia neste momento é esclarecer integralmente os fatos, preservar a continuidade de suas operações e proteger o presente e o futuro de um negócio que, ao longo de 13 anos, construiu uma trajetória relevante para o desenvolvimento econômico, a geração de empregos e a projeção do Espírito Santo"
Confira a nota na íntegra:
"A Apex Partners, em respeito e a seriedade que o caso requer, informa que ajuizará uma ação de responsabilidade em face de Fernando Antonio Kulnig Cinelli, ex-presidente da companhia, objetivando a sua responsabilização por gestão temerária e má-fe, requerendo também o bloqueio de seus bens preventivamente.
As providências são resultado de um rigoroso processo de apuração interna conduzido pela própria Apex, que identificou inconsistências financeiras. Assim que foram constatadas, a companhia iniciou uma série de medidas para preservar suas operações e aprofundar o esclarecimento dos fatos. Uma das medidas adotadas foi o afastamento imediato dos executivos que ocupavam a Presidência e a Diretoria Financeira.
Paralelamente, estão em andamento as providências para a contratação de uma auditoria externa e independente, que terá como objetivo dimensionar os impactos das inconsistências identificadas, aprofundar a apuração dos fatos e oferecer segurança para a condução dos compromissos da companhia com clientes, investidores, parceiros e demais stakeholders.
A Apex Partners seguirá conduzindo esse processo com transparência, responsabilidade e respeito a todos os envolvidos. A prioridade da companhia neste momento é esclarecer integralmente os fatos, preservar a continuidade de suas operações e proteger o presente e o futuro de um negócio que, ao longo de 13 anos, construiu uma trajetória relevante para o desenvolvimento econômico, a geração de empregos e a projeção do Espírito Santo."
Posicionamento da defesa
A defesa do empresário Fernando Antonio Kulnig Cinelli, fundador da Apex Partners, informou, por meio de nota, que ele "está dedicado e comprometido a contribuir da melhor forma para a preservação da companhia, seus investidores e acionistas".
"Com o gesto, ele demonstra sua disposição em esclarecer todas as questões levantadas com total transparência e idoneidade", informa a nota.
Justiça dá 30 dias para Apex pedir recuperação judicial
O grupo empresarial que compõe a Apex conseguiu na Justiça uma proteção temporária contra cobranças, bloqueios e penhoras de seus bens enquanto prepara um pedido de recuperação judicial. As empresas terão 30 dias corridos para apresentar formalmente o pedido de recuperação judicial, sob pena de perder a proteção.
A decisão foi tomada nesta sexta-feira (7) pelo juiz Marcos Pereira Sanches, da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória. Segundo o magistrado, o grupo possui um passivo líquido consolidado de aproximadamente R$ 975 milhões, cuja cobrança imediata poderia comprometer o fluxo de caixa e a continuidade das atividades.
Com a decisão, foram suspensas as ações de execução contra as empresas e o curso da prescrição de suas obrigações. Também ficaram proibidas medidas como arresto, penhora, sequestro, busca e apreensão e outras formas de constrição sobre os bens das devedoras.
A proteção, porém, possui exceções, como patrimônios de fundos de investimento, patrimônios separados sob regime fiduciário e patrimônios de afetação de determinadas SPEs de incorporação imobiliária.
O juiz também nomeou uma administradora judicial para analisar as condições de funcionamento e organização das empresas e apresentar um laudo em até 20 dias. Além disso, determinou que o processo, que tramitava sob sigilo, passe a ser público.
Sobre a decisão judicial, a Apex emitiu uma nota afirmando que a medida "tem caráter preventivo para garantir o patrimônio da empresa, a continuidade das suas atividades regulares, criando um ambiente de estabilidade, enquanto são concluídos os trabalhos da auditoria externa em fase de contratação".
Confira a nota na íntegra:
"Seguindo o compromisso de transparência com seus investidores, parceiros e colaboradores, a Apex Partners informa que, nesta sexta-feira (07), obteve o deferimento de uma liminar cautelar.
A medida tem caráter preventivo para garantir o patrimônio da empresa, a continuidade das suas atividades regulares, criando um ambiente de estabilidade, enquanto são concluídos os trabalhos da auditoria externa em fase de contratação.
Esclarecemos que a medida proposta não se trata de recuperação judicial. Trata-se de uma tutela cautelar para proteger as atividades da empresa até que a auditoria externa seja concluída. A companhia acredita fortemente nas atividades exercidas nas suas unidades de negócio. Nosso compromisso é dedicar todos os esforços para superar esse momento desafiador que a empresa vem enfrentando e garantir a continuidade e solidez dos trabalhos.
Essa decisão não alcança os patrimônios segregados dos fundos de investimento, os patrimônios fiduciários vinculados às emissões de certificados de recebíveis nem os patrimônios de afetação das sociedades de propósito específico (SPEs), preservando integralmente os recursos de terceiros e as competências regulatórias.
Importante esclarecer que os valores mencionados na referida ação não representam obrigações vencidas, nem obrigações imediatas - mas sim de longo prazo. O impacto da inconsistência financeira identificada em apuração interna ainda será validado em auditoria externa."
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