Paulo Grigorovski: IA vai ampliar capacidade e não substituir profissionais
Especialista afirmou que o principal ganho da tecnologia está na expansão de negócios e não na simples redução de custos
A Inteligência Artificial (IA) deve ser encarada pelas empresas como uma ferramenta para ampliar capacidades humanas, aumentar a produtividade e liberar profissionais de tarefas repetitivas, e não como um mecanismo de substituição de trabalhadores.
A avaliação foi feita na quarta-feira (10) pelo economista e especialista em inovação Paulo Grigorovski durante o Em Pratos Limpos 2026, promovido pela Rede Tribuna, em Vitória.
Realizado desde 2010, o evento teve como foco desta edição os impactos da IA sobre o mercado de trabalho e as oportunidades criadas pelas novas tecnologias.
Alguns dos convidados presentes foram o ex-governador Renato Casagrande; e os presidente da Federação do Comércio do Estado (Fecomércio-ES), Idalberto Moro, e da Federação das Indústrias do Estado (Findes), Paulo Baraona.
Grigorovski ministrou a palestra “A Virada: IA transformando o desafio da mão de obra em oportunidades”, na qual defendeu uma mudança de mentalidade sobre o uso da tecnologia nas organizações. Segundo ele, a principal oportunidade criada pela inteligência artificial não está na redução de custos, mas na ampliação da capacidade de crescimento das empresas.
Na avaliação do palestrante, a grande transformação ocorre quando empresas passam a utilizar a tecnologia para assumir atividades operacionais, permitindo que profissionais concentrem esforços em funções estratégicas.
Ele destacou que esse movimento pode atingir praticamente todas as áreas de uma organização, afirmando que a tecnologia não elimina a participação humana. “Todos vocês serão substituídos. Mas pela melhor versão de vocês mesmos, potencializada pela IA”, frisou.
Grigorovski também foi presença no painel Tribuna Talks, espaço dedicado à participação de empresas que discutiram desafios, soluções e experiências relacionados ao tema do encontro. Participaram o diretor de operações e marketing do LeCard, Rodrigo Rocha Teixeira; o gerente de Desenvolvimento e Inovação da Samarco, Bruno Pimentel; e a superintendente do Instituto Euvaldo Lodi (IEL-ES), Géssica Germana.
O Em Pratos Limpos 2026 foi realizado com patrocínio de Le Card, Samarco, Sicredi, Sistema OCB/ES e Unimed Vitória, e apoio do IEL.
“Desafio é perder o medo”
A Tribuna — Qual a importância de discutir inteligência artificial neste momento?
Paulo Grigorovski — Não estamos falando apenas de inteligência artificial ou de tecnologia. Estamos falando da transformação de pessoas, profissionais e empresas para se adaptarem a uma nova era de mudanças.
Como pessoas e empresas podem se adaptar a essa nova era?
Primeiro, é preciso entender que a tecnologia é apenas um meio. O que realmente precisa mudar é a cultura e a mentalidade das pessoas.
A primeira transformação acontece nas crenças e no mindset. A inteligência artificial não está aqui para substituir as pessoas, mas para amplificar sua capacidade de produzir e criar.
Quando a pessoa compreende isso, deixa de agir pelo medo e passa a ter vontade de aprender algo novo. Esse é o primeiro e mais importante passo da mudança. A partir daí, ela começa a desenvolver novas competências, aprender ferramentas e aplicar esse conhecimento na prática, tanto na vida pessoal quanto na profissional.
É somar, não rivalizar?
Exatamente. A questão não é “eu ou a IA”, mas como eu me exponencializo com ela. O ser humano continua no centro, elevado à potência da inteligência artificial. Você é o piloto, ela só é o copiloto que te eleva.
Qual a importância da Rede Tribuna em abordar esse tema?
É fantástico. O que tenho observado nos últimos dois anos é que os empresários sabem que precisam mudar, mas muitos ainda não sabem como começar. E a Rede Tribuna trazer esse tema para o empresariado capixaba é fundamental para mostrar o caminho das pedras, apresentar exemplos e demonstrar como essa transformação já está acontecendo no mundo.
Além disso, apresentar empresas capixabas que já estão passando por esse processo serve de inspiração para outras empresas capixabas. É um movimento importante para estimular a transformação do ambiente empresarial.
Quando falamos em faixa etária, o desafio de adaptação à inteligência artificial é maior para quem?
Gosto de lembrar uma frase de Joseph Pilates, fundador do pilates: “Velhice não é uma questão de idade, mas de flexibilidade”. Se você tiver flexibilidade mental para aprender e para adqurir novas capacidades e novos conhecimentos, você está dentro da nova era.
Então isso significa que se você for uma pessoa de 17 anos, mas fechada ao aprendizado, vai ter mais dificuldade do que uma pessoa de 60 anos sedenta por querer adquirir novos conhecimentos. O fator decisivo é o mindset. Quem está disposto a aprender consegue se adaptar à nova era.
Existe motivo para ter medo da inteligência artificial?
O principal desafio é justamente perder o medo. O medo paralisa, nos trava, fecha as portas para o aprendizado e dificulta a adaptação. Quando a pessoa se abre para o novo, ela desenvolve novas competências e cria sua melhor versão.
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