Novo tarifaço dos Estados Unidos pode reduzir lucro de empresas do capixabas
Busca por compradores em outros países pode exigir cortes de preços, elevar custos e dificultar a manutenção das exportações capixabas
Em um cenário de busca por novos mercados, as indústrias capixabas podem precisar revisar a margem de lucro para conseguir manter as vendas da produção para outros países. É o que avaliam economistas.
Embora seja possível que as negociações com outros parceiros comerciais mantenham valores compatíveis aos que os Estados Unidos pagavam, os custos logísticos e fatores concorrenciais podem encarecer o processo, explica o economista-chefe do Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças (Ibef-ES), Felipe Storch.
“O Espírito Santo tem empresas competitivas, boa base logística e pauta exportadora relevante. O problema é que substituir mercado não é automático. Envolve certificações, canais comerciais, adaptação de produto, negociação de preço, frete, câmbio e concorrência com fornecedores já estabelecidos”, diz Storch.
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O choque abrupto da medida também pode trazer certa letargia na adaptação, analisa o conselheiro do Conselho Regional de Economia (Corecon-ES), Vaner Corrêa.
“Trocar parceiros comerciais nesta dimensão e de uma hora para outra não é fácil. Você não vai conseguir remontar isso em pouco tempo e com as mesmas margens que você coloca como margem de comercialização, ou seja, o faturamento que o produtor brasileiro estava tendo ou vai deixar de ter”, comenta Corrêa.
A indústria de mármore e granito, que tem produtos que não estão na lista prévia de produtos isentos das novas tarifas — de 25% e 12,5% —, deve ser a mais prejudicada, comenta o economista e conselheiro do Tesouro Estadual Eduardo Araújo. “Mas é preciso analisar caso a caso”, alerta.
A lista americana, diz Araújo, menciona apenas uma classificação específica de pedras trabalhadas, o que não permite afirmar que todo o conjunto de granito, mármore, quartzito e produtos beneficiados esteja protegido.
Para ele, se a lista de produtos isentos nas medidas anteriores for respeitada nessa nova imposição dos EUA, não deve haver impactos relevantes para o Espírito Santo. Café, petróleo, minério de ferro e celulose , por exemplo, estão entre as exceções. “O risco não está apenas no percentual da tarifa, mas na classificação aduaneira de cada mercadoria”, complementa.
Pedidas exceções aos EUA
Representantes dos setores de arroz, gelatina, sementes, cera de carnaúba e agropecuária pediram para entrar na lista de exceções da tarifa, afirmando que elas elevariam custos para consumidores americanos, encareceriam alimentos, medicamentos e insumos agrícolas e desorganizariam cadeias produtivas dos próprios EUA.
A exposição foi feita no primeiro dos 14 painéis previstos na audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que iniciou ontem e será finalizada hoje.
Apesar dos pedidos de exceções à medida, algumas entidades americanas defenderam a manutenção ou a ampliação da sobretaxa sugerida à Casa Branca.
A audiência funciona como a última oportunidade para que empresas, associações, especialistas e representantes dos setores afetados tentem convencer o governo americano a alterar ou suavizar as medidas antes da decisão final.
Saiba mais
Mais de 4 mil produtos do Brasil afetados
Impacto bilionário
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alerta que novas taxações dos EUA, de 25% e 12,5%, podem impactar 4.187 produtos brasileiros.
Cerca de 14,9 bilhões de dólares em exportações, ou R$ 76,65 bilhões na cotação atual, pode ser a cifra do prejuízo gerado às indústrias do País.
Atualmente, esses produtos enfrentam uma tarifa temporária de 10% até 24 de julho.
A CNI salienta ainda que, entre os principais produtos que o Brasil exporta para os Estados Unidos que podem ser afetados pela tarifa acumulada de 37,5%, o Brasil atua como o principal fornecedor ao mercado norte-americano em 11.
Audiência
Cerca de 50 representantes brasileiros e americanos estão reunidos em Washington para discutir a aplicação das tarifas de 25% e 12,7% nos produtos brasileiros, em uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) ontem e hoje.
A audiência é para apresentação de argumentos sobre a taxação aos produtos brasileiros. Representantes de empresas brasileiras e entidades argumentam que, além de prejudicar negócios no Brasil, a taxação elevará custos para empresas e para o consumidor americano e reduzirá investimentos e empregos no País.
Agronegócio capixaba
Para o presidente da Federação da Agricultura do Espírito Santo (Faes), Júlio Rocha, caso as tarifas sejam aplicadas, o impacto para o Estado deve ser transitório.
Segundo o representante, é inevitável que os EUA recuem da medida e se não fizer, outros mercados vão aumentar significativamente o consumo dos produtos do País.
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