Novo tarifaço: busca por parceiros para evitar demissões no ES
Setor amplia ações no Oriente Médio, Europa, Ásia e África e pede medidas federais para evitar queda nas exportações e risco de demissões
A indústria de rochas ornamentais do Espírito Santo acelerou a busca por novos mercados internacionais para reduzir a dependência dos Estados Unidos e minimizar os impactos das tarifas impostas sobre o mármore e o granito brasileiros — cenário que, segundo o setor, pode incluir risco de demissões.
Ao mesmo tempo em que amplia a atuação em outros países, a cadeia produtiva cobra medidas do governo federal para preservar a competitividade das empresas e evitar reflexos sobre a produção e o emprego.
Segundo o presidente do Centrorochas, Tales Machado, um dos focos é o Oriente Médio, onde o Brasil responde por menos de 5% das importações de rochas naturais.
A entidade também intensificou ações comerciais na Europa, impulsionadas pelo acordo entre Mercosul e União Europeia, além de ampliar a presença em países asiáticos.
Diversificação mira Oriente Médio, Europa, Ásia, Austrália e África
Além dos esforços já em curso, a Austrália passou a integrar a estratégia do setor após restringir o uso de superfícies sintéticas, o que aumentou a demanda por materiais naturais.
O continente africano, especialmente o Egito, é outra aposta das empresas capixabas, que veem o país como porta de entrada para novos negócios na região. As ações são desenvolvidas em parceria com a ApexBrasil.
Apesar da diversificação, os Estados Unidos seguem como principal destino das exportações brasileiras. Segundo Machado, o mercado americano responde por cerca de 50% das vendas externas do setor. Embora o quartzito tenha ficado fora da nova taxação, o mármore e o granito continuam preocupando as empresas capixabas, principalmente as instaladas nos polos produtores do Norte e do Sul do Estado.
“O tarifaço do ano passado provocou uma queda de cerca de 50% nas exportações de mármore e granito. Existe uma preocupação muito grande porque isso pode gerar desemprego e atingir toda a cadeia produtiva”, afirma.
Tarifa pode atingir cadeia no ES e também a indústria dos EUA
Além das pedreiras, o impacto pode atingir empresas prestadoras de serviços às exportadoras, principalmente em Cachoeiro de Itapemirim. Machado lembra ainda que o Brasil é o principal fornecedor de rochas naturais para os Estados Unidos, com cerca de 25% das importações do país.
"Se perdermos esse mercado, outros concorrentes ocuparão esse espaço e a retomada será muito mais difícil", alerta.
As tarifas sobre o mármore e o granito brasileiros também podem provocar impactos na indústria dos Estados Unidos, que utiliza chapas produzidas no Brasil como matéria-prima para fabricar bancadas, pisos e revestimentos destinados à construção civil.
Segundo o presidente do Centrorochas, Tales Machado, o Brasil responde por cerca de 25% das importações de rochas naturais feitas pelos norte-americanos e é o principal fornecedor do país.
“Nós exportamos a chapa pronta e o beneficiamento final é realizado lá. Isso ajuda a manter a competitividade da indústria americana”, afirma.
De acordo com ele, essa relação levou representantes do Natural Stone Institute (NSI), principal entidade do setor nos Estados Unidos, a participarem presencialmente de uma audiência em Washington para defender a continuidade das importações brasileiras.
Machado ressalta que a substituição do Brasil por outros fornecedores pode elevar custos para o mercado americano e dificultar uma futura retomada das exportações capixabas. “Se perdermos esse espaço, outros países ocuparão esse mercado e reconquistá-lo será muito mais difícil”, alerta.
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