Montadora já valoriza imóveis e cria negócios no Norte do ES
Anúncio do projeto em Aracruz começou a movimentar economia do Norte do Espírito Santo, com investimentos e procura por imóveis
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A região Norte do Espírito Santo vai passar por uma transformação com a instalação da fábrica de veículos da GWM em Aracruz. A região já vivencia uma valorização imobiliária e o início da chegada de uma série de novos negócios.
O diretor da Recanto Construtora e membro do Conselho Fiscal do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado (Sinduscon-ES), Rafael Rigo, destaca que Aracruz tende a assumir uma posição de protagonismo na economia capixaba nos próximos anos.
Segundo Rigo, o número de moradores da cidade (e de outros municípios da região Norte) deve ser ampliado por conta da criação de oportunidades de trabalho na GWM e em outras empresas que devem se instalar na região.
Rigo explica que isso já está criando uma demanda por empreendimentos imobiliários, o que tem causado uma valorização em imóveis, que passam a ser cada vez mais procurados, e aumento no preço de aluguéis.
Pensando nisso, empresas já começam a construir imóveis para atender a nova demanda. A própria Recanto Construtora já está com dois projetos em construção – Recanto do Bosque e Recanto do Vale.
Outro exemplo é a CBL, que está com os projetos Villa Santi II e Park Verde da CBL, que terão mais de mil lotes e um valor geral de vendas (VGV) próximo a R$ 200 milhões.
Além disso, um estudo realizado pela CBL mostrou que o Alta Ville, um dos empreendimentos já lançados pela empresa em Aracruz, atingiu uma valorização de 159,72% em cinco anos.
Felipe Storch, economista-chefe do Ibef-ES, analisa que a chegada da GWM vai redefinir o mapa econômico do Espírito Santo. Segundo o economista, não se trata apenas de uma nova planta industrial, mas de um projeto com potencial de reorganizar as cadeias produtivas e atrair novos negócios.
Um exemplo disso é a chegada de uma fábrica da Adufértil à cidade. A pedra fundamental da obra foi lançada na última quinta-feira e a empresa, especialista na produção e comercialização de adubos e fertilizantes, deve iniciar suas atividades em abril do ano que vem.
“Na prática, o Norte do Estado passa a ter mais capacidade de atrair investimentos e reter atividade econômica, reduzindo a concentração histórica na Grande Vitória”, afirma Storch.
Expansão do comércio na região
O coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, destaca que o setor de comércio e serviços também deve ser favorecido por esse movimento da indústria na região.
Ele explica que, à medida que o mercado de trabalho aquece, o consumo acompanha, o que se traduz em uma maior demanda por alimentação, moradia, transporte e pelo varejo em geral.
“A região está se estruturando de uma forma impactante, o que terá consequências positivas não só para a indústria, mas também para o comércio e para serviços. Não será apenas um polo industrial, mas um eixo total de desenvolvimento econômico. Não se trata de algo automático, claro, depende de qualificação de mão de obra e infraestrutura urbana”.
Saiba Mais
A fábrica da GWM
A futura unidade terá capacidade produtiva de até 200 mil veículos por ano e ocupará uma área de aproximadamente 1,7 milhão de metros quadrados no Parque Industrial de Barra do Riacho, em Aracruz.
De acordo com o governo estadual, o projeto integra um plano de investimentos estimado em R$ 10 bilhões da fabricante chinesa para o Brasil.
Em plena operação, a expectativa divulgada é de geração de até 10 mil empregos diretos e indiretos. Durante a fase de implantação, a projeção varia entre 1.500 e 3.500 postos de trabalho, principalmente na construção civil.
Impacto imobiliário
Segundo Renato Ferreira, representante regional de Aracruz da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi), o projeto da GWM é “extremamente positivo para o desenvolvimento econômico do Espírito Santo” e deve gerar impactos diretos no mercado imobiliário local e regional.
A perspectiva é que a chegada de novos profissionais, fornecedores e famílias aqueça a procura por moradias, estimulando lançamentos e investimentos no segmento residencial.
“No setor logístico, a fábrica fortalece o município como polo estratégico, favorecido pela proximidade com portos, rodovias e áreas industriais. A tendência é de expansão na oferta de galpões, centros de distribuição e estruturas de apoio operacional, atendendo à cadeia produtiva que se forma em torno da indústria automobilística”, destacou Ferreira.
Já no mercado empresarial, a expectativa é de atração de empresas satélites e novos negócios, ampliando a busca por áreas corporativas e imóveis destinados a serviços e atividades produtivas.
Para a ADEMI, o anúncio aumenta a confiança dos investidores, projeta um horizonte de valorização e reforça a importância do planejamento urbano integrado, com diálogo entre o poder público e a iniciativa privada para um crescimento sustentável.
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