Montadora e portos vão criar polo de turismo de negócios na região Norte do ES
Previsão da indústria hoteleira é que projetos em Aracruz criarão demanda por serviços turísticos corporativos em toda a região
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A chegada da montadora de veículos da chinesa Great Wall Motors (GWM) e o desenvolvimento do porto da Imetame e ampliação do Portocel devem fomentar a criação de um novo polo de turismo de negócios no Norte do Espírito Santo.
É o que defende o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado (ABIH-ES), Fernando Otávio Campos.
A movimentação de profissionais e a criação de uma cadeia de fornecedores são atividades que devem fomentar a instalação de redes hoteleiras que sustentem a estadia prolongada e a participação dessas pessoas em feiras e eventos, por exemplo.
Apenas a GWM, que deve começar as obras da fábrica ainda neste ano — segundo o secretário de Estado de Desenvolvimento, Rogério Salume —, vai demandar 10 mil trabalhadores, ressalta Campos.
“Isso vai gerar investimento imobiliário e um grande número de pessoas que precisam ir e sair da região, vender produtos e movimentar negócios”, comenta.
Esse cenário, segundo ele, depende da concretização dos investimentos e também de um olhar do Estado, com facilitação de linhas de crédito, processos de captação, construção de melhores infraestruturas e melhoria da rodovia BR-101, com a conclusão da duplicação.
Até o momento, poucas redes hoteleiras estão instaladas na região Norte, esclarece o representante da indústria hoteleira.
“Colatina tem algumas estruturas por conta do polo industrial de confecções. Já Aracruz, por conta da Suzano, tem algumas estruturas hoteleiras, mas é uma demanda antiga e estabilizada. Agora, com esse novo polo e essa nova demanda, surge tanto a necessidade quanto a oportunidade de investir nesse segmento”, diz.
Para a gestão municipal de Aracruz, o turismo tende a crescer significativamente nos próximos anos, passando a ter uma importância econômica e social.
“Temos já uma boa estrutura para eventos, como o Sesc Praia Formosa e da Sede, além de hotéis, auditórios, pousadas, etc. Essa estrutura tende a melhorar bastante nos próximos anos com o crescimento da cidade”, diz a secretária de Gestão Estratégica, Jeesala Coutinho.
Necessidade de helipontos
A construção de helipontos para conectar a Grande Vitória à região Norte do Estado é uma das melhorias em infraestrutura defendidas como essenciais para fomentar o turismo de negócios, afirma o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Hotéis no Estado (ABIH-ES), Fernando Otávio Campos.
Para ele, a integração ágil vai permitir que empresários e trabalhadores consigam cumprir tarefas sem a necessidade de deslocamentos prolongados.
Atualmente, a ausência dessa infraestrutura faz com que os pontos de desembarque de helicópteros sejam campos de futebol, por exemplo, comenta Campos.
Aumentar o número de voos e de linhas aéreas no Aeroporto de Linhares também passa a ser importante para o desenvolvimento da região Norte.
“É necessário ampliar a conexão aérea, porque o turismo do Estado sofre hoje com limitação de voos. É uma boa perspectiva, mas depende desse conjunto de ações acontecer”, diz Campos.
Produção 4 vezes maior que a paulista
A produção de carros na fábrica da GWM em Aracruz, no Norte do Estado, vai ser quatro vezes maior do que em Iracemápolis, em São Paulo.
No parque fabril paulista, a capacidade de produção é de 50 mil veículos por ano, afirma a montadora. No Espírito Santo, serão 200 mil carros elétricos e híbridos produzidos anualmente.
“A visão da GWM sempre foi, desde o início, fazer as etapas produtivas no Brasil”, diz o diretor de Relações Institucionais da marca, Ricardo Bastos.
Saiba mais
Crescimento industrial
O crescimento do Norte do Espírito Santo, com a instalação de grandes indústrias, portos e cadeia de fornecedores, deve acelerar a criação de um polo de turismo de negócios, defendem especialistas.
GWM, Imetame, Portocel e Vports são algumas das indústrias que estão realizando investimentos na região e vão demandar trabalhadores e serviços, provocando uma movimentação de pessoas nas cidades do entorno.
Empregos
Com o surgimento de novas redes de hotéis, inclusive nacionais, a expectativa é que pelo menos 1.000 empregos diretos sejam criados na hotelaria ao longo da implantação, afirma o representante da ABIH-ES.
A falta de mão de obra, no entanto, preocupa o setor, que questiona a falta de profissionais para trabalhar e aposta na automação, com a aplicação de totens de autoatendimento e robôs aspiradores para substituir funções de camareiras.
Investimentos
Para permitir o fomento do turismo, é necessário também melhorias em infraestruturas como o sinal de internet, mobilidade e serviços de transporte, além de estruturas para eventos, locais de co-working e espaços para reuniões.
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