Mais de três novas lavanderias abertas toda semana no ES
Estado já soma 1.722 negócios no ramo, quase o dobro do que havia em 2020. Autosserviço avança por exigir menos mão de obra
Uma lavanderia self-service em Cariacica foi aberta há oito meses com três máquinas de lavar e três secadoras. Um dos donos, o Estefanes Junior, conta que já comprou outros três conjuntos de equipamento. Foi uma necessidade diante da demanda. E ele não está sozinho no interesse por esse tipo de negócio.
Foram abertas 150 empresas do ramo este ano no Estado, o que equivale, em média, a mais de três novas empresas toda semana. O dado é da Junta Comercial. No total, o Estado tem 1.722 lavanderias ativas, o que inclui tudo, de autosserviço às tradicionais. Em 2020, eram 909, o que equivale a um crescimento de 89,4% no setor.
Mas, segundo a Associação Brasileira de Lavanderias (Abralav), a maioria das lavanderias abrindo funciona como self-service. É o que explica o vice-presidente, Leandro Silva: “Praticamente 100% é autosserviço. Não deve ter 10% das tradicionais. É que elas enfrentam um problema muito grande, chamado falta de mão de obra especializada”.
Ele exemplifica: imagine cobrar R$ 18 para lavar e passar uma camisa de R$ 500 e ela estragar? “Um dos maiores desafios é treinar pessoas para os associados. Treinamos de 2 mil a 3 mil, e não sobra 50 trabalhando”.
A falta de mão de obra é um dos principais fatores por trás da expansão das lavanderias self-service, reforça Leandro, que citou como atrativo nos negócios do ramo o fato de o serviço não poder ser substituído pelo comércio on-line.
A advogada Rebeca Barros também foi influenciada pelo fator mão de obra quando pesquisava para abrir a +QLAVEI, inaugurada em maio em Itapuã, Vila Velha. “Já vinha pesquisando modelos de negócios automatizados, que não dependessem da presença constante de funcionários”.
Mas, conta ela, a ideia surgiu de seu desejo de empreender, diversificar atividades e construir novas fontes de renda. Entre os diferenciais, cita a segurança.
Especialistas dizem que o setor de lavanderias de autosserviço tem muito a crescer. Othon Barcellos, presidente da Associação Nacional de Empresas de Lavanderias (Anel), prevê mais 2 mil unidades até 2030 no Brasil.
Estefanes Junior e sua mulher, Bruna Martins, estão apostando nisso. Eles pretendem levar sua Ecoville Lavanderia para toda a América Latina. “Acreditamos no potencial desse mercado e estamos dispostos a investir para crescer”, disse o empreendedor.
Dicas de um CEOFundador da Lavateria, rede de autosserviço com quase 10 anos de funcionamento e mais de 600 unidades, Leandro Silva compartilhou dicas com A Tribuna.
1. Escolha bem o ponto comercial
Avalie o perfil dos moradores da região, a presença de concorrentes, o acesso ao imóvel e a demanda potencial. A localização influencia diretamente a capacidade de atrair clientes e manter as máquinas em uso. Errar pode significar o fim do investimento.
2. Não pense que o negócio funciona sozinho
Mesmo sem funcionários fixos, uma lavanderia de autoserviço exige acompanhamento. É preciso cuidar da manutenção dos equipamentos, divulgar o serviço, conquistar clientes e resolver problemas operacionais.
3. Planeje os custos e tenha uma reserva financeira
Coloque na ponta do lápis despesas como aluguel, água, energia e manutenção. Reserve recursos para manter a operação nos primeiros meses, quando o faturamento pode estar abaixo do esperado.
4. Pesquise antes de fechar uma franquia
Converse com franqueados atuais e antigos, avalie o suporte oferecido pela rede e conheça todas as taxas envolvidas. Leia o contrato com atenção e não tome a decisão com base apenas em promessas de faturamento ou retorno rápido.
5. Ao abrir um negócio independente, planeje
Sem o suporte de uma franquia, será necessário desenvolver a própria estratégia, organizar o espaço, definir os equipamentos e produtos e estruturar a divulgação para atrair clientes. Estude o mercado e se prepare.
Raio-X do setor no Espírito Santo
1.722 empresas de lavanderias ativas no Estado. Isso inclui todos os tipos: desde tradicionais até de autosserviço. Sendo que 910 são MEI, 629 microempresários e 98 empresários de pequeno porte. Demais portes: 85.
150 empresas foram abertas de janeiro a outubro este ano. Ou seja, em média, 3,74 lavanderias registradas por semana.
Lavanderias ativas no Estado: 89,4%
Foi a alta no número de lavanderias entre 2020 e 2026. Crescimento tem sido constante no Espírito Santo
Histórico
2020: 909 empresas
2021: 1.039 empresas
2022: 1.147 empresas
2023: 1.289 empresas
2024: 1.403 empresas
2025: 1.577 empresas
2026: 1.722 empresas
Novas empresas no ES
2020: 148 aberturas
2021: 185 aberturas
2022: 156 aberturas
2023: 176 aberturas
2024: 142 aberturas
2025: 195 aberturas
2026: 150 aberturas até 8 de outubro
8 mil empresas
De lavanderia de autosserviço no País. Em 2022, eram cerca de 1.500, um crescimento equivalente a 430% em todo o território nacional.
Até 2030, espera-se que o número de lavanderias alcance 10 mil unidades no País. Em 2050, estima-se que o valor tenha triplicado.
Mais de 50 marcas de lavanderias de autosserviço atuam no País, além dos estabelecimentos independentes, que operam sem vínculo com franquias.
16,6% é o quanto cresceram as franquias de limpeza e conservação nos últimos 12 meses quando comparado ao mesmo período de 2025.
O faturamento do segmento passou de R$ 2,3 bilhões para R$ 2,7 bilhões nos períodos de 12 meses encerrados no segundo trimestre de 2025 e de 2026, respectivamente.
Investimento
O custo para abrir uma lavanderia varia segundo vários fatores, inclusive se é projeto independente ou franquia. Estima-se o investimento inicial entre R$ 70 mil e R$ 400 mil. O prazo médio de retorno é entre 12 e 48 meses, com lucratividade potencial de até 60%.
Fonte: Anel, Abralav, Junta Comericial (Jucees) e Associação Brasileira de Franquias (ABF).
Self-service ganha os consumidores
Máquina quebrada, falta de espaço em casa ou vontade de economizar tempo. Os motivos que levam os consumidores às lavanderias de autosserviço são variados, mas têm um ponto em comum: a praticidade de lavar e secar roupas sem precisar realizar todo o processo em casa.
Há um mês, a vendedora Pâmela Souza, de 35 anos, começou a utilizar o serviço depois que sua máquina de lavar quebrou. Ela conta que encontrou várias opções em Vila Velha, mas escolheu uma pela proximidade de casa.
“Como eu tenho criança pequena em casa, suja muita roupa e não tem como ficar guardando. Por isso optamos pela lavanderia. Achei muito prático, principalmente quando está chovendo e demoraria para secar em casa”.
O empresário Elvis Santos, 29, utiliza o serviço há um ano e costuma levar roupas à lavanderia cinco vezes por mês. Como não tem máquina de lavar em casa, por falta de espaço, ele aponta a praticidade e a economia como motivos para recorrer ao autosserviço.
Já o médico Guillermo Tasayco, 45 anos, tem máquina de lavar em casa, mas não possui secadora. “Trago roupa de 10 a 15 dias. Aqui a roupa já fica lavada e seca. É só dobrar depois”, explica.
Os três têm motivos e necessidades diferentes para recorrer às lavanderias de autosserviço. Para Leandro Silva, vice-presidente da Abralav, porém, o modelo tende a ganhar cada vez mais espaço, acompanhando mudanças na rotina e nas moradias.
Ele reverbera o que os usuários e proprietários de lavanderias de autosserviço dizem: a rotina de trabalho e estudo deixa menos tempo para as tarefas domésticas, enquanto imóveis menores reduziram o espaço da lavanderia. Mas Leandro também associa a busca às mudanças no vestuário.
“Hoje quase não se compra roupa que precisa ser passada. Você lava, seca e está pronta para usar. As pessoas não querem mais parar”, diz. Para ele, a tendência está só começando: “O que menos vai acontecer é as pessoas montando lavanderia em casa”.
Na prática, o serviço já atende a diferentes perfis de consumidores e pode ser encontrado no Estado a partir de R$ 14,90 o cesto.
Na Janlav – Lavanderia Express, inaugurada em abril, a proprietária Janice Moscon recebe desde pessoas solteiras e famílias até hóspedes de hotéis, turistas e estudantes. A fotógrafa Jackie Campos, 56, está entre as clientes.
“Enquanto as roupas ficam sob nossos cuidados, o cliente pode aproveitar para caminhar na praia, praticar atividade física ou desfrutar do que a região oferece”, conta. A lavanderia fica na orla da Praia de Camburi e funciona 24 horas.
Saiba mais: Leia a etiqueta antes de lavarToda peça traz, costurada por dentro, um conjunto de símbolos que diz como lavar, secar e passar. A maioria das pessoas ignora. Aprender a ler esses símbolos evita boa parte dos acidentes de lavanderia, explica Rodrigo Casado, um dos sócios de 9 unidades da 5àSec na Grande Vitória.
Respeite a capacidade da máquina
Não basta a peça caber no tambor: é preciso verificar a capacidade do equipamento e o peso e volume da carga. Um edredom king size em uma máquina pequena pode ficar comprimido, comprometendo a lavagem e o enxágue.
Tenha cuidado com a secadora
Nem toda peça que pode ser lavada na máquina pode ir à secadora. O calor e a retirada rápida da umidade podem provocar encolhimento ou deformação.
O algodão, por exemplo, pode encolher com água muito quente e secagem em alta temperatura, especialmente na primeira lavagem de peças novas.
Já a lã tem o calor como inimigo. Água quente e agitação fazem as fibras se encolherem e endurecerem, num processo chamado feltragem, que não tem volta. Um suéter bonito vira uma peça rígida e sem forma depois de uma única lavagem errada.
Já o poliéster, o elastano e outros tecidos sintéticos retêm odores com facilidade. Para conservar as fibras e reduzir o problema, é recomendado lavar com água fria, evitar excesso de amaciante e não usar temperaturas altas na secagem.
Redobre a atenção com tecidos delicados e aplicações
Tecidos finos, pedrarias, lantejoulas, botões e outros acessórios podem exigir limpeza específica e ser danificados mesmo quando o tecido resiste à lavagem. Em peças de alfaiataria, a máquina pode desfazer costuras e prejudicar o caimento. Na dúvida, procure uma lavanderia especializada.
Escolha o serviço adequado
A lavanderia de autosserviço atende a muitas necessidades, mas não a todas. Muitas unidades proíbem a lavagem de tênis, calçados e roupas ou acessórios de pets nas máquinas. Peças que exigem remoção de manchas, cuidados específicos ou limpeza profissional podem precisar de atendimento especializado.
As etiquetasBacia: como lavar
O número dentro da bacia indica a temperatura máxima da água, em graus Celsius. A mão dentro do símbolo indica lavagem manual. Um traço abaixo da bacia significa processo suave; dois traços indicam processo muito suave. A bacia riscada com um X proíbe lavar com água.
Triângulo: uso de alvejante
O triângulo vazio permite o uso de alvejante. Quando há dois traços diagonais dentro dele, só podem ser usados produtos sem cloro. Um X indica que não se deve usar alvejante.
Quadrado: como secar
O quadrado com um círculo dentro indica secagem em tambor, como na secadora. Um ponto dentro do círculo indica temperatura baixa; dois pontos, temperatura normal. O quadrado com linhas representa formas de secagem natural, como no varal ou na horizontal, conforme o desenho. O símbolo riscado com um X proíbe o procedimento indicado.
Ferro: como passar
Um ponto indica temperatura baixa, de até 110 °C; dois pontos, até 150 °C; e três pontos, até 200 °C. O ferro riscado com um X significa “não passe”.
Espaço para trabalhar
“Queremos que a pessoa conheça outras pessoas, leia um livro, estude ou trabalhe. Que não perca o tempo apenas sentada esperando a máquina”, explica a empresária Maisa Furtado, de 45 anos.
Seu marido, o funcionário público André Furtado, 50, inaugurou, no último dia 23, a Lav Gold, uma lavanderia de autosserviço em Itaparica que tem espaço de coworking. “Depois de vários estudos, não só financeiros, como de comportamento da população, entendemos que esse negócio faria sentido”, adiciona André.
Análise: “Economia para quem mora sozinho e não lava tanta roupa”“Do ponto de vista econômico, lavar roupa em casa para quem já possui o equipamento e tende a fazê-lo com frequência é mais barato. Por outro lado, pode ser uma alternativa economicamente interessante para quem ainda não possui a máquina, mora sozinho e tem um volume pequeno de roupas.
Nesse último caso, o consumidor evita o investimento na compra de equipamentos, custos de manutenção e ainda economiza espaço em casa. Também é importante colocar na conta o tempo.
Muitas lavanderias de autosserviço oferecem máquinas que permitem que o consumidor lave e seque sua roupa em um período mais curto. Essa praticidade também possui valor econômico, principalmente para pessoas com uma rotina de trabalho intensa.
No fim, não podemos afirmar que uma alternativa sempre será mais barata que a outra. Minha orientação é colocar na balança, considerando até energia e manutenção.”
Ricardo Paixão, presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo
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