Mais de 165 mil trabalham sem sair de casa no Espírito Santo
Há até empresas que aboliram vagas exclusivamente presenciais e usam a flexibilidade para atrair e reter talentos
O sistema de trabalho remoto se popularizou durante a pandemia e, após aquele período, se estabeleceu como uma realidade, ainda que o modelo híbrido tenha prevalecido. No Estado, a avaliação é de que mais de 165 mil trabalhadores atuam de casa no Estado, seja parcialmente ou 100% no sistema home office.
O número foi obtido a partir de dados do IBGE e levantamento realizado com especialistas da área trabalhista, de recursos humanos e empresários. “O teletrabalho deixou de ser uma medida emergencial e passou a integrar o planejamento estratégico das empresas”, explica o advogado especialista em direito do trabalho Alison Kaizer Guerini de Araújo.
“A discussão saiu do 'se' e entrou no 'como fazer com segurança jurídica'. A maioria das empresas tem caminhado no sentido de um trabalho híbrido, que é o mais procurado por equilibrar os interesses dos dois lados”, explica Araújo.
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Débora Freire, advogada especialista em Direito do Trabalho, explica que apesar do trabalho 100% home office ter caído em relação ao auge da pandemia, a busca pelo teletrabalho cresceu para a modalidade híbrida, com empresas que não atuavam no sistema passando a aderir a ele. “A flexibilidade se tornou um dos fatores mais valorizados pelos profissionais, e as empresas perceberam que o trabalho remoto pode ser utilizado a seu favor sem prejudicar a produtividade”.
Especialista em Gestão de Pessoas e CEO da Center RH, Eliana Machado acrescenta que as empresas compreenderam que é possível manter a produtividade oferecendo mais flexibilidade aos trabalhadores.
“As novas gerações valorizam cada vez mais essa flexibilidade, e as empresas estão se adaptando. O receio em relação à produtividade diminuiu muito, porque houve uma percepção de que há consciência por parte da maioria dos trabalhadores de que o modelo híbrido não é uma desculpa para não trabalhar. Além disso, muitas empresas usam indicadores de desempenhos e metas que acabam avaliando a performance de forma mais efetiva”, explica.
Para o contador e especialista em planejamento tributário e financeiro Diorge Liberato, há empresas que observaram que alguns trabalhadores “funcionam” melhor atuando no modelo remoto, o que significa que oferecer esse modelo aos profissionais pode trazer ganhos financeiros à própria empresa.
“Acaba por ampliar a atração e retenção de talentos, além de permitir que eles atuem no ambiente em que performarem melhor. Já há empresas no Estado que até aboliram as vagas exclusivamente presenciais”, afirma.
Comando remoto
O analista de dados Bruno Martins Silva Torres morava em Vila Velha e trabalhava em Vitória, na Unitá Soluções Digitais, quando seu filho, de 20 anos de idade, recebeu o diagnóstico de autismo, o que fez com que Bruno e a mulher decidissem se mudar para Uberlândia (MG), onde a família do analista mora e poderiam dar apoio na criação.
“A Unitá me permitiu seguir na empresa remotamente e hoje comando uma equipe que majoritariamente mora na Grande Vitória”, conta.
Mudança positiva
Após ter experiências como funcionária CLT, Ariany Sampaio decidiu abrir a própria empresa: uma loja on-line de roupas.
Ela conta que o desafio ser a própria chefe foi amenizado pelo conforto de trabalhar de casa. Atuando como MEI, ela já avalia expandir seu negócio e contratar um funcionário.
“E esse funcionário ou funcionária, assim como eu, irá trabalhar de sua própria casa, sem problemas. É um modelo que eu vivo diariamente e que sei que funciona. Basta ter responsabilidade e disciplina”, conta.
Alternativa
Comunicólogo e pós-graduado em Ciência Política, João Marcos dos Santos Assunção encontrou no trabalho home office uma forma de atuar na profissão, já que onde mora não havia grandes oportunidades de emprego presenciais para sua área.
Morador de Baixo Guandu e sem possibilidade de se mudar para Grande Vitória, ele conta que, por meio do trabalho remoto, começou a carreira escrevendo para um site de futebol e depois atuou em assessorias de comunicação, até fundar uma agência da qual é sócio atualmente.
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